Tempos de Criança

sábado, 12 de outubro de 2013



Menor delinquente, aquele que cometeu delitos. Coloquialmente, pivete. Era este adjetivo que poderia ser empregado à cada uma das crianças envolvidas naquela situação. Será mesmo?

Era uma tarde de verão bastante quente. Oito crianças encontravam-se, estridentes, a jogar "três cortes" no condomínio sem quadra, em um pequeno jardim entre dois prédios. O único cuidado a ser tomado era não jogar a bola para dentro das sacadas e nem bater nas plantas, o que eventualmente acontecia, e não fazer muito barulho para incomodar, o que para um jogo tão emocionante na cabecinha de cada um dos jogadores, era inevitável. Lembro-me bem disso, afinal, eu era uma das oito crianças.

Entre um corte e outro, as crianças riam, se divertiam e buscavam a bola quando esta ficava fora de alcance. Eu sempre buscava a bola para poder iniciar o jogo. Foi quando o irritadiço vizinho tirou fotos da nossa brincadeira e levou o "caso" para a assembleia dos condôminos. Bagunça geral.

Eu e meus amigos, todos assustados. Nossos pais, indignados com as fotos tiradas sem permissão. Nós não tínhamos mais que doze anos, tendo o menor do grupo apenas oito aninhos. Os autores da foto, sentindo-se cheios de razão, discutindo com os pais e com o sub-síndico. Acordos foram feitos, mas, como se diz, um bom negócio deixa todo mundo irritado.

Não me lembro bem do caso, que felizmente foi simples. Mas depois do ocorrido, foram poucas as vezes que voltamos a jogar vôlei. Talvez nem tenhamos voltado a jogar, não lembro bem. Mas com o tempo, a sinuca foi retirada do salão de jogos, o balanço retirado, a pracinha proibida para a nossa idade e fomos impedidos de usar os corrimãos como escorregador. Não podíamos nem sequer brincar atrás do chafariz sem ouvir os resmungos da vizinha Lula Molusco do condomínio. Mas as pessoas foram crescendo, mudando-se para outras casas e parando de brincar, e foi o fim dos tempos de criança.

_______

Texto escrito em 2008 por uma menina de quatorze anos, que já naquele tempo, estava em busca da Terra do Nunca.

Postagens relacionadas

7 comentários

  1. Ainda assim, não deixaste morrer a criança que um dia habitou em ti. Feliz dia da Criança, menininha! ♥

    ResponderExcluir
  2. Suor ocular másculo escorreu aqui...

    ResponderExcluir
  3. Que triste.
    Não que eu tenha sido uma criança com muitas brincadeiras, ainda mais vôlei, deusolivre, desastrada do jeito que sou sempre tive medo de bola, hahaha. Mas acho TÃO lindo ver crianças brincando... a inocência infantil, as risadas, até mesmo as brigas por coisas bobas - que parecem ser a mais importantes do mundo. Tudo isso me deixa com um sorriso de meia-lua no rosto.
    Uma pena que nem todo mundo goste.
    Uma pena que a gente cresça e "tenha de" abandonar essas criancices, tão, tão divertidas.

    Beijos, guria! ;*

    ResponderExcluir
  4. Eu também passei por isso no condomínio. Vizinhas chatas queriam DORMIR ou VER NOVELA mas as crianças (incluindo eu, na época) berrávamos, andávamos de patins, skate, dividindo democraticamente um pátio sem playground ou grama. Aí a velha botava a cabeça pra fora pra nos xingar e a gente mandava ela tomar no fiofó. :'D

    ResponderExcluir
  5. aaaaaah saudaaaaaades da minha infância e de aprontaaaar mtmtto e bagunçar! *-*

    aiai, tava com saaaaaaaudades daqui *--* to de volta, assim esperooo!
    vem vem vem vem pro BLAH :DDDDDDDDDD
    http://blahoestraich.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  6. Que texto maravilhoso, tenho muitas saudades de minha infancia ;s
    http://www.quasemeianoite.com/

    ResponderExcluir
  7. Isso me lembra de um tema muito corrente em documentários sobre a infância moderna.

    → Adultos que morrem de medo de seus filhos brincarem fora de casa
    → Adultos que repudiam os filhos dos outros que são liberados para brincar na rua
    → Adultos que, por aquele medo, prendem seus filhos dentro de casa, mas, ao mesmo tempo, criticam-nos quando estes vão procurar diversão na Internet ou no video game. E por aí vai...

    Isso em grandes metrópoles, principalmente. No interior ainda não é tão comum, felizmente, porque reflete uma certa "segurança" que persiste nas cidadezinhas - graças a Deus, porque eu moro em uma, hehe.

    Obrigada pela visita! Lembro-me de ter visitado seu blog há bastante tempo, de ter visto uns desenhos que você fazia com um amigo, se não me engano, em uma espécie de concurso/brincadeira. Eram muito bons, você desenha muito bem.

    Abraços

    ResponderExcluir

Comente com o Facebook:

Newsletter

Inscreva-se na newsletter do bloguinho! ♥
* indicates required



Projetos do blog



I'll follow the Sun