Crítica: Somos Tão Jovens

segunda-feira, 20 de maio de 2013



É incrível como algumas bandas ultrapassam a barreira do tempo. Talvez não sejamos nossos pais quando crescermos, mas com certeza herdaremos o gosto deles por Legião Urbana, uma das melhores bandas brasileiras. Prova disso é a grande espera pelo filme Faroeste Caboclo, e a multidão de adultos e adolescentes que foram assistir Somos Tão Jovens.



O título do filme já carrega consigo uma estranha nostalgia e uma ideia sobre qual será o tema: Somos Tão Jovens retrata a juventude do ídolo Renato Russo no início da carreira, mostrando a influência do punk-rock, a criação da banda Aborto Elétrico (que mais tarde originou Legião Urbana e Capital Inicial) e aspectos íntimos da vida do cantor. De fato, não ficamos conhecendo Legião Urbana nos tempos de sucesso, mas acompanhamos a trajetória do músico não apenas enquanto artista, mas como um jovem introspectivo e sonhador, saindo com os amigos e encarando muitas coisas com o fervor e impulsividade da juventude, mas também preocupado com os problemas do Brasil e seus próprios dilemas pessoais.



Se o objetivo é apresentar Renato Russo como pessoa, o filme cumpre seu objetivo. É difícil retratar a biografia de um cantor com uma profundidade dosada e poucas horas de duração, mesmo que esta se refira a um curto período de sua vida. Por esse motivo, o filme tem altos e baixos. Acredito que o fato da história ter sido contada de maneira episódica (mas de que outra maneira seria?) prejudicou um pouco a narrativa, mas de modo algum reduziu a profundidade "filosófica" com que a figura foi tratada. Acontece que esperamos ver o Renato Russo artista, e quem vemos no filme é o Renato Russo jovem, que uma hora rasga suas roupas à moda punk, na outra rende-se ao seu lado sensível. Pode ter sido estranho ver mudanças repentinas de atitude, mas de uma forma ou de outra sabemos que se trata do mesmo Renato, seja sonhando em mudar o mundo, seja sonhando em ser a figura midiática que se tornou.

Como o filme é dirigido para os fãs de Legião Urbana, é esperado encontrarmos diversas músicas da banda. Mesmo com alguns sucessos sendo cantados por Thiago Mendonça (que por sinal, encarnou no artista, em uma fiel representação), muitas músicas apareceram de formas mais sutis, em diálogos ou pequenos trocadilhos, para alegria dos fãs. Contudo, não acho que o filme tenha abordado a fundo a vida musical do cantor, pois os conflitos internos de Aborto Elétrico me pareceram rasos no filme, mas à medida que os minutos passaram, o lado musical ganhou espaço, com o surgimento de canções como Eduardo e Mônica, Faroeste Caboclo e Que País é Esse, em plena Ditadura Militar.



Somos Tão Jovens termina com a apresentação real da banda no Circo Voador, show que fez Legião Urbana um sucesso. Mesmo sendo um final adequado (ora, uma hora o filme tinha que terminar!), isso resultou numa falta de clímax e ficamos com uma sensação de "Ainda é Cedo". Talvez não seja um filme essencial para os fãs, pois algumas passagens são desnecessárias e outros personagens são muito mal aproveitamos, mas não podemos considerar um filme como um Tempo Perdido. Acho que o acerto do filme foi nos ter trazido para essa época agitada, de contestação, descobertas e vontades. Foi lembrar antigas sensações aos fãs mais velhos, e trazer novas sensações a essa geração de agora. Afinal, somos tão jovens...

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12 comentários

  1. Necessito ver esse filme, sabe até estava com um pouco de receio de me decepcionar com o ator, mas depois dessa resenha. aiai Eu preciso ver.

    Beijos
    Pepper Lipstick

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  2. Estou louca para ver o filme. Meus amigos são super fãs e já disseram o mesmo que disse, sobre a sensação de "Ainda é cedo" (haha, adorei seus trocadilhos), mas que ele é bom, apesar de tudo.

    Beijão, Lari.♥
    Vitamina de Pimenta
    @laricrazy_

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  3. Estou doida pra ver esse filme, Faroeste caboclo já vou ver ai falta esse.
    Um dos grandes representantes de Brasília.
    beijos

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  4. Hm deve ser um filme bom, mas eu não sou
    fã (tipo gosto mt das músicas, mas não chego a ser fã, idolatrar, ter várias coisas deles). Mas uma coisa é fato: Renato Russo é fantástico! Enfim, provavelmente nem verei esse filme, por passar longe do meu estilo de filme. Mas, deve ser ótimo para quem curte.
    sapatilhadecristal.wordpress.com

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  5. Nunca vi mas parece ótimo! Adorei o post, ficou perfeito.
    www.espacegirl.com

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  6. Vou tentar ver esse filme, não conhecia ele.

    xoxo
    http://www.florescerefotografar.com/

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  7. Gosto muito quando vc escreve sobre cinema, apesar de nem sempre concordarmos, acho q dessa vez vc acertou na mosca (pelo menos na minha opinião).

    Concordo com vc ao dizer que o filme é raso, parece mais um filme caseiro feito por um amante da banda, para os amantes da banda. Não posso negar a semelhança do ator e do cantor, mas isso não é tudo, o excesso de clichê, torna o filme, mais dos mesmo.

    adorei a resenha.

    Bjos

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  8. Que droga, tô tão desatualizada no cinema... Nem sabia que ele estava passando! Mas enfim, Legião Urbana é sempre falada lá na sala, mas eu nunca parei para ouvir as músicas sabe?


    pinkpimenta.blogspot.com.br/

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  9. Definitivamente o meu filme (de "biografia") favorito! Eu chorei, ri, cantei e gritei!
    Beijos, destemidagarota.blogspot.com.

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  10. Não assisti esse filme, nem conhecia ainda, confesso que não sou muito fã de Legião Urbana, porque né eu não cresci escutando as músicas deles, conheci só no ano passado ou retrasado quando minha irmã comprou um disco.

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  11. Assisti esse filme ontem e nossa, eu adoreiiii! Legião é a minha banda favorita, e ver no telão a história da composição de todas aquelas canções... ah, eu até chorei! hahaha
    adorei o seu blog :D
    beijos!

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  12. Continuo com vontade de assistir esse filme, um pouco mais agora depois dessa critica apaixonada KKKK' necessito de tempo!

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