Crítica: O Jogo da Imitação

quinta-feira, 12 de março de 2015



É muito interessante o cinema retratar personagens históricos, muitas vezes contando uma história conhecida, mas pouco explorada. A biografia fica mais interessante quando permite um roteiro inteligente com personalidades fortes, quando uma história importante se torna um filme excelente. É o caso de O Jogo da Imitação, retratando Alan Turing e sua ambição de criar uma máquina capaz de desvendar qualquer criptograma no mundo.



O Jogo da Imitação tem como plano central o conflito da Inglaterra contra a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, quando os alemães utilizavam a máquina Enigma para enviar mensagens criptografadas. Para decifrar a melhor máquina de enigmas do mundo, o exército britânico contratou diversos acadêmicos para trabalhar em conjunto, dentre os quais estava Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um homem sarcástico, antissocial, com gosto por palavras-cruzadas e uma ambição muito maior do que desvendar uma mera mensagem da Enigma: Turing resolveu criar uma máquina capaz de resolver qualquer criptograma.



Se a premissa básica é uma história inteligente e decisiva para a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, O Jogo da Imitação vai muito alem, pois une a trama por si só interessante a diálogos bem construídos, um humor elegante e personagens marcantes, tanto pelo que eles representam quanto por suas histórias pessoais. De um lado, temos Keira Knightley interpretando Joan Clarke, uma moça inteligente e esforçada que enfrenta algumas dificuldades no trabalho pela simples condição de ser mulher, visto que deve adaptar sua situação porque “não é direito uma moça solteira morar fora e trabalhar”. De outro lado, temos Alan Turing, que realmente não era uma pessoa muito carismática e não sabia trabalhar em grupo, mas conseguimos entender o personagem e é indubitável a contribuição dele para a humanidade.



Interpretado pelo maravilhoso Benedict Cumberbatch, Alan Turing é um personagem peculiar, que nos fascina por sua inteligência e aos poucos nos comove pelo sentimento que tanto tempo foi reprimido, pois o filme apresenta passagens da infância de Turing e seu amigo Christopher e, depois do serviço prestado ao Reino Unido e ao mundo, sua condenação por homossexualidade, tipificada como crime na época. É lamentável saber que essa é uma história real e infelizmente o preconceito e a ignorância humana abateram um dos maiores gênios do século XX, considerado o Pai da Computação.



O Jogo da Imitação é um filme inteligente, com uma direção impecável na medida em que reconstruiu a Inglaterra de 1939 utilizando inclusive máquinas originais da Segunda Guerra. A trilha sonora, boas atuações e relevância do roteiro, ainda que boa parte da história tenha sido romanceada, fazem de O Jogo da Imitação um filme louvável não apenas devido a sua proposta, mas por ser elogiável em todos os aspectos e pela eficiência com que essa importante história foi contada.

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5 comentários

  1. Fico feliz ao ver tua crítica positiva \o\, sou apaixonada por filmes que tenham alguma relação com a guerra, principalmente a 2GM, mas se não for tão focado nas batalhas, melhor ainda ... e esse foi o caso, DEMAIS. :*

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  2. Ainda não assisti esse filme, mas já li bastante resenhas positivas.
    beijos

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  3. Eu adorei esse filme! Eu não conhecia nada da história do Turing e gostei tanto que até fiquei curiosa pra ler o livro que inspirou o filme. Filmes sobre guerra sempre são intensos, mas esse, sem nem mostrar o lado "sangrento" da guerra, acabou se mostrando tão intenso quanto qualquer outro que eu já tenha assistido. O final especialmente me tocou muito, ver ele sendo obrigado a receber um tratamento inumano por ser homossexual foi terrível. :~
    Beijos!

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  4. Benedict <3 Que puta ator! Enfim, gostei muito da premissa do filme e de ler tantos elogios sobre a produção do mesmo. Em vários aspectos. Espero assistir em breve.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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  5. É um grande filme, eu adorei. O interessante é que The imitation game, em princípio, parece-II Guerra Mundial. Tem soldados, tanques, ecos de bombas, a sombra de Hitler. Avanços, percebemos que abrange mais do que um evento histórico. abrangido pela presente de nossas vidas. Alan Turing foi um herói injustamente esquecido. Turing não existiria sem Bill Gates ou Steve Jobs não teria existido. Mesmo algumas lendas atribuído à Apple Turing Wolf.

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