Crítica: Mad Max - Estrada da Fúria

quarta-feira, 10 de junho de 2015



Independente de ter visto algum filme da clássica trilogia, é impossível não se empolgar ao assistir o trailer de Mad Max: Estrada da Fúria, principalmente quando o filme está sendo elogiado por absolutamente todos que o assistiram. Diante tantos elogios, é até de se desconfiar que o novo Mad Max seja tão bom quanto dizem ou então, tentar reduzir o filme julgando mostrar 'só ação'. Ao assistir, resta-nos apenas ficar abismados com o visual e o enredo do filme para, enfim, se render à opinião geral: Mad Max é sensacional.



Mad Mad: Estrada da Fúria se passa em um futuro pós-apocalíptico em que os recursos quase acabaram, a escassez de água é uma realidade, a desigualdade social é gritante e o que faz a humanidade ter vontade de viver são carros, armas e gasolina. Nesse contexto, Max Rockatansky (Tom Hardy), um homem duro que prefere viver sozinho, é sequestrado por uma tribo governada pelo tirano Immortan Joe e passa a ser usado como uma bolsa de sangue para soldados feridos, mas seu problema é reduzido quando se vê no meio de uma perseguição mortal: a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), mulher de personalidade forte e liderança, desafia Immortan Joe ao levar as meninas do harém particular do tirano em uma máquina de guerra na busca pelo Vale Verde, fazendo todo o exército ir atrás delas. A partir daí, são ais de duas horas ininterruptas de ação, personagens bem construídos e muitos questionamentos em um enredo que à princípio, parece insano.



Nos primeiros instantes, Mad Max 4 é simplesmente surreal: soldados suicidas, generais que comem pessoas, adultos infantilizados, todos partes de uma sociedade louca que parece lutar pelo simples prazer de lutar enquanto um guitarrista toca alucinadamente em cima de uma máquina de guerra. Nada faz sentido. No entanto, isso não tira nosso interesse e nem nos faz assistir para "ver até onde vai", como acontece em tantos filmes: Mad Max prende nossa atenção em cada cena, em cada explosão brutal, mas realista, em cada paisagem fantástica do deserto e a cada descoberta que fazemos sobre aquela sociedade, nos acostumando com o ritmo e nos inserindo nela. É incontestável que Mad Max é tecnicamente impecável: o deserto australiano é magistralmente retratado, a trilha sonora do filme muitíssimo bem orquestrada e as tomadas de ação são tão impactantes que quase não permitem ao espectador respirar. Mais impressionante ainda, é que todo o caos de Mad Max faz sentido, e por trás de tantas explosões, há uma excelente história.



O interessante de universos distópicos é que eles nos fazem ter deslumbres da nossa sociedade. No caso, o filme retrata um mundo destruído pela ambição do homem e uma comunidade marcada por desigualdade social, fanatismo religioso, controle dos recursos por uma pequena parcela da sociedade e, o mais gritante, coisificação: homens abrem mão da sua personalidade para se tornarem soldados de guerra, mulheres são ordenhadas devido ao leite materno, prisioneiros são tratados como 'bolsas de sangue' e assustadoramente, um grupo de mulheres são consideradas 'propriedade' do Immortan Joe e são obrigadas a gerarem senhores de guerra. Nesse contexto, o fundamental em Mad Max é que a Imperatriz Furiosa tenta resolver a situação, desafiando Immortan Joe e resgatando as outras mulheres. A personagem de Charlize Theron é guerreira, destemida e claramente rouba a cena de Max, que muitas vezes é só espectador da ação, mas junto de Furiosa forma uma dupla que não é romântica e nem tem apelo sexual: trata-se de uma parceria, buscando sobrevivência.



Uma vez inserido naquele universo, não é difícil entender porque Mad Max: Estrada da Fúria teve uma aceitação quase unânime dos espectadores e da crítica especializada, tendo suas reclamações limitadas apenas a comparações entre Tom Hardy e o saudoso Max de Mel Gibson e alguns exageros do novo filme, que indiscutivelmente é o melhor da sequência. Mad Max tem ação, representação, explosão, feminismo e redenção. Tem carros deslumbrantes, personagens bem construídas, tudo que faça jus ao título do filme, mas também que possibilita reflexões para que nosso próprio mundo não seja tão louco no futuro.

Postagens relacionadas

4 comentários

  1. Ainda não tinha visto nada sobre o filme, nem o trailer! Sendo assim achei bem empolgante, interessante, louco! haha Parece legal :D

    ResponderExcluir
  2. Nossaaaaa!!!! Isso foi uma critica de respeito, emocionante e convite INQUESTIONÁVEL para ver o filme! O resto é bobagem! O filme tinha passado batido para mim, mas sua critica me fez pensar "Merda o que estou fazendo que ainda não corri para ver esse filme?".

    Parabéns pela força analítica! Adoro texto bem escritos seja lá qual o tema abordado nele, mas quando o tema abordado me interessa ai a coisa é melhor ainda! Falou em feminismo, falou em Pandora e nossa!

    Pandora
    O que tem na nossa estante

    ResponderExcluir
  3. Eu assisti só o filme original, que achei DUCÁ ... como todos gostaram desse aqui, eu espero que seja bem bom, mas preciso assistir os outros antes, alias vou providenciar isso agora.

    The Neighbourhoods
    http://theneighbourhoods.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  4. Acho muito legal esse filmes que são ficção mas de alguma forma toca em questões reais. ótimo post! Bjs

    ResponderExcluir

Comente com o Facebook:

Newsletter

Inscreva-se na newsletter do bloguinho! ♥
* indicates required



Projetos do blog



I'll follow the Sun