Crítica: Victor Frankenstein

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015



Uma das obras literárias mais referenciadas pela mídia recentemente ganhou uma nova adaptação para o cinema: Victor Frankenstein, estrelando James McAvoy e Daniel Radcliffe em uma história sobre o homem por trás da criatura.



No início do filme, conhecemos o personagem Igor Strausman (Daniel Radcliffe), um corcunda que, apesar de ser ‘propriedade’ do circo, possuía grande conhecimento de medicina. Graças ao interesse por medicina e por ter salvo uma trapezista, Igor é resgatado do circo por Victor Frankenstein, médico excêntrico cuja grande pretensão é montar uma criatura viva. A partir de então, os dois ser tornam amigos e começam a trabalhar em um ‘projeto’ juntos, mas é com as dúvidas de sua amada e a perseguição quase religiosa do inspetor de polícia local que Igor começa a questionar sobre o que de fato se trata o projeto, descobrindo aos poucos quem é realmente Victor Frankenstein.



Ambientado na Inglaterra vitoriana, Victor Frankenstein é levemente baseado no livro de Mary Shelley, retratando apenas o relacionamento de Igor com Victor Frankenstein e o empenho dos dois na criação do monstro. Sendo assim, o único debate que pode ser extraído do livro é o de cunho moral e religioso: até que ponto o ser humano pode modificar a natureza e criar vida a partir da morte. O dilema é interessante, mas um tanto repetitivo, principalmente porque Victor Frankenstein tem uma postura mais lunática do que racional. Dessa forma, mais interessante que a criatura que os dois amigos ambicionam construir, é a imagem que aos poucos é construída para Igor.



Apesar do título ser 'Victor Frankenstein', quem leva o destaque é justamente um personagem que sequer existe no livro, Igor. Vivido por Daniel Radcliffe, em uma das suas melhores tentativas de se esquivar de Harry Potter, Igor começa como um corcunda maltratado e desumanizado pelos seus colegas de circo, mas demonstra ser um homem leal ao amigo e à ciência, sem deixar de questionar suas ações. Por outro lado, Victor é a verdadeira caracterização de 'cientista louco', em uma caracterização pitoresca que não faz jus ao talento que James McAvoy tem demonstrado. As outras atuações são regulares e tanto a trilha sonora quanto a paleta de cores se encaixam no que chamamos de 'romance gótico', e o visual de Prometeu (sim, a criatura conhecida como 'Frankenstein') é bastante diferente do apresentado em outras adaptações.



Victor Frankenstein tem uma proposta interessante, pois ao contrário de outras releituras não foca na criatura, mas no criador. Como o filme retrata justamente o processo de criação do monstro, é aceitável a inclusão do personagem Igor, a perseguição do inspetor de polícia e a subtrama envolvendo uma família rica financiando o projeto. O que é inescusável é terem jogado completamente fora o livro de Mary Shelley nos minutos finais. Talvez o erro possa ser consertado em uma futura sequência, mas se um segundo filme for lançado, não é provável que eu queira assistir.

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2 comentários

  1. Eu assisti esse filme e achei ótimo :) mas tenho que admitir que não li o livro ainda kkkk
    Eu gostei de ver os personagens evoluindo ao longo da história, isso me empolga, até pq o Victor não aparentava ser "lunático" logo de inicio e eu já queria ver o rolo acontecer kkkk Eu também adorei o estilo do filme, os figurinos, cenários e tal
    Eu só não gostei do final, achei a criatura final muito "forçada" e não me soou como "natural" ou "possível" sabe :/ No livro como era o final?

    Até logo :)
    shyandbrave.blogspot.com.br

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  2. Pera entendi direito pode ter uma sequencia? Logo que descobrir sobre esse filme fiquei louca para assistir, mas depois fui perdendo o interesse :(

    http://luxuosoestilo.blogspot.com.br/

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