Crítica: Os Oito Odiados

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016



Se Quentin Tarantino é uma figura polêmica, acredito que seu novo filme provocará divergências até mesmo entre seus novos fãs, pois a história é bastante densa e chovem críticas positivas e negativas quanto ao filme. De todo modo, Os Oito Odiados é a oitava obra do renomado autor, que pretende voltar às origens de Cães de Aluguel nos entregando mais uma homenagem ao western.



Em um primeiro momento de Os Oito Odiados, somos apresentados ao Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e John Ruth (Kurt Russel), dois caçadores de recompensa que seguem em uma carruagem para Red Rock junto de Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), uma agressiva prisioneira que John Ruth que pretende levar viva até o carrasco. No caminho, eles encontram Chris Mannix, que diz ser o xerife de Red Rock e juntos seguem até a Casa da Minnie para se protegerem de uma grande nevasca. É na pousada que se passa a maior parte do filme, onde conhecemos o grupo que compõe os oito odiosos personagens principais, aspectos individuais de cada um e, principalmente, descobrimos que há uma trama para libertar Daisy Domergue, de modo que ficamos pensativos tentando adivinhar quem é o traidor.



Os Oito Odiados é impecável em todos os aspectos técnicos. Desde a simples e brilhante abertura, cuja música de Ennio Morricone e créditos iniciais homenageiam os antigos filmes de faroeste, da fotografia das cenas externas e utilização da Ultra Panavision 70 até a soberba direção de Quentin Tarantino, que nesse filme expõe todos os seus maneirismos. Como o filme tem basicamente apenas dois cenários (o que, ao meu ver, é um tanto enfadonho), Tarantino reforça diálogos instigantes e o próprio roteiro, apesar de eu achar a premissa um tanto fraca (por que não atirar em todo mundo para resgatar a Daisy e fim de papo? Ah, sim, porque não teria filme), nos propõe um desafio, achar quem é o 'traidor' entre eles, bem como refletir sobre a questão racial e a crítica presente no filme, embora esta não esteja esplanada de maneira coesa como nos outros filmes de Tarantino, onde os oprimidos não costumam oprimir.



Enquanto a longa introdução serve para apresentar de forma calma cada um dos personagens, o telespectador fica tenso esperando o primeiro tiro que dará início ao clímax e reviravoltas prometidas. Tratando-se de Tarantino, é óbvio que uma violência caricata estará presente e já aviso que algumas cenas beiram ao gore, mas se na maioria dos seus filmes a violência é bem utilizada (ou, pelo menos, justificada), em Os Oito Odiados ela se torna excessiva e não conseguimos simpatizar com nenhum personagem. Por outro lado, todos os personagens são interpretados por ótimos atores (Jennifer Leigh está excelente no papel, e Samuel Jackson está muito bem como protagonista) e apesar de todos terem características peculiares, podemos interpretá-los como esteriótipos da história americana, vez que o filme se passa logo após a Guerra de Secessão e temos representantes de cada lado.



Dividido em capítulos e com quase três horas de duração, Os Oito Odiados carrega a marca do autor, sendo um filme dotado de irreverência, diálogos afiados e cenas de violência. Se todos esses aspectos já são esperados em um filme do Tarantino, o autor peca pela repetição das mesmas formas e por não conseguir entregar o brilhantismo visto em filmes semelhantes como Cães de Aluguel. Dessa forma, Os Oito Odiados é um filme interessante, mas não agradará ao grande público e certamente não é a grande obra-prima do cineasta.

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2 comentários

  1. Gostei do filme, mas algumas cenas foram desnecessárias, como o do Boquete na neve e a cena do enforcamento, mas pelo mais foi um filme legal.

    Você viu no cinema?

    Beijos

    www.malditovivant.net (vou te copiar)

    ResponderExcluir
  2. Eu gostei do filme. Concordo com você ao dizer que seria mais fácil simplesmente sair atirando em todo mundo, mas acredito que toda a lenga lenga foi fundamental para desenvolver os personagens um por um e gosto muito desse tipo de coisa. É de fato mais do mesmo, ao se tratar de Tarantino, a violência é sua marca registrada e acredito que a maioria das pessoas que conhecem seu trabalho estão ali para ver isso. Mas não é o melhor filme dele, realmente.

    Beijo
    www.blogrefugio.com

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