Resenha: A Culpa é das Estrelas

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Publicado em janeiro de 2012, A Culpa é das Estrelas virou sucesso instantâneo e conquistou uma legião de fãs em todo o mundo, que se emocionaram com a triste história de Hazel e Gus, dois adolescentes que vivem um romance enquanto enfrentam uma das piores doenças da atualidade: câncer. Ao mesmo tempo que aborda as mazelas da doença, o livro também retrata amizade e amor, as inseguranças da adolescência e as alegrias do cotidiano. Com alguns anos de atraso, já conhecendo a história através do filme, realizei a leitura desse livro, tema da resenha de hoje.



A Culpa das Estrelas conta a história de Hazel Grace Lancaster, uma adolescente que foi diagnosticada com um câncer terminal aos 13 anos e, mesmo sobrevivendo com o auxílio de um aparelho graças a uma droga experimental, sabe que muito em breve irá morrer, o que a deixa triste pela dor que causará às pessoas ao seu redor. Depressiva, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio, onde conhece o carismático Augustus Waters, um jovem bonito e atlético, com a perna amputada, cuja maior preocupação é ser lembrado pelo mundo. Hazel e Gus iniciam uma amizade e, colocando a doença em segundo plano, passam por vários conflitos da adolescência, descobrem gostos em comum e, finalmente, se apaixonam, mesmo sabendo que um destino cruel os aguarda.



Talvez um dos mais aclamados exemplares do gênero Sick Lit (gênero literário com enfoque em doenças), A Culpa é das Estrelas traz o câncer de uma perspectiva dolorosa: a perspectiva de adolescentes, retratando a vida de crianças com câncer e daqueles que tem poucas chances de curá-lo. O fato de retratar o câncer na adolescência já distingue A Culpa é das Estrelas das demais obras, pois é um tema raro na literatura e deve ser abordado com delicadeza a ponto de não tornar a obra apenas aborrecida. No caso, a maioria das personagens são doentes e o câncer está sempre presente, mas o livro vai além de mostrar "vítimas do câncer" e procura mostrar que cada pessoa tem seu valor intrínseco e não precisa de grandes feitos para ser lembrado: basta deixar uma marca naqueles que vivem ao nosso redor. O que vale na luta não é apenas o resultado, mas aproveitar cada momento de nossa trajetória.

Durante alguns momentos da leitura, porém, fiquei me perguntando se não estava velha demais e não deveria ter lido A Culpa é das Estrelas na adolescência. Explico: ainda que o livro aborde de uma maneira bastante peculiar o convívio com o câncer e nos mostra que os pacientes não são limitados à doença, se não fosse esse argumento seria uma história clichê, de uma menina não muito popular mas inteligente (e que se acha mais inteligente que os outros), que conhece um rapaz bonito e perfeito, com sorriso torto e frases de conquistar o coração de qualquer um. O livro fala sobre aproveitar "os pequenos prazeres da vida" ao mesmo tempo em que tudo é cenográfico e as personagens vão para Amsterdam. É incrível como pessoas de dezesseis e dezessete anos mantém diálogos tão estruturados, como os protagonistas são mais inteligentes que todas as demais personagens. Também causa estranheza - pelo contexto - todo o arco de Amsterdam e acho muito "coisa de livro" como o autor que Hazel e Gus gostam insiste em se intrometer. São pequenas coisas que me desagradaram, mas acredito serem elementos comuns do gênero young adult e não prejudicarão a leitura dos amantes do gênero.



Quando escrevi minha crítica sobre o filme, conclui que A Culpa é das Estrelas superou minhas expectativas e vai muito além de um romance adolescente ou filme melodramático. Talvez pela espontaneidade dos atores, talvez pela irreverência com que tratam a doença, acabei por gostar muito mais do filme e achar que o livro, além de a construção das personagens ser um tanto forçada, é sim melodramático. Enquanto o filme celebra a vida, o livro faz até mesmo minhas reclamações sobre o alto padrão de vida das personagens perderem o sentido diante da fatalidade da doença. A Culpa é das Estrelas é, por incrível que pareça, uma leitura relativamente leve para o tema, com personagens carismáticos e momentos até mesmo engraçados, mas, pelo menos para mim, talvez pelo momento atual, o livro não foi emocionante como o livro, foi apenas triste.

A Culpa é das Estrelas pode trazer uma mensagem importantíssima sobre como marcamos as pessoas ao nosso redor, mas desta vez só me fez odiar mil vezes as estrelas por essa doença horrível chamada câncer. Cassius, da peça shakesperiana "Júlio César", pode dizer o que quiser, mas a culpa é das estrelas sim.

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2 comentários

  1. Oi Vick!
    Que pena que o livro não foi muito o que esperava... eu li faz um bom tempo então não sei dizer se gostaria da leitura caso resolvesse relê-lo hoje. Talvez depois de tanto tempo realmente as falhas saltem aos olhos, mas acredito que a leveza da leitura, mesmo se tratando de um tema sombrio, faria eu ter bons momentos como tive quando o li.

    Adorei sua resenha sincera e realmente, a culpa é das estrelas.
    beijos
    https://atrasadaparaocha.blogspot.com.br/

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  2. Menina, acredita que até hoje não li o livro? Vi o filme quando lançou por insistência de amigos, mas também não ia ver (tenho algum tipo de preconceito com coisas hypadas kkksempre acho que vai ser ruim), acabei gostando, mas ainda n tive coragem de pegar o livro pra ler

    Xoxo, Meowgical Girl!
    www.meowgicalgirl.com

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