Book Challenge #10: The Trial

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015



O termo Kafkiano é designado para uma situação absurda e indesejada, que enquanto perdura mantém o indivíduo em um estado de perplexidade a ponto de confundir o real com a ficção, de tão irreal que é a situação na qual foi inserido. Tal expressão é oriunda dos romances e contos de Franz Kafka, como A Metamorfose e O Processo (The Trial), livro resenhado no #Book Challenge de hoje.



Josef K. é um cidadão exemplar, funcionário de um famoso banco, tendo ascendido na carreira por sua dedicação e responsabilidade. Na manhã do seu aniversário de 30 anos, K. foi detido em seu próprio quarto, acusado de um crime que não cometeu, mas sem que os guardas soubessem informar qual crime teria cometido. A situação é tão surreal que a princípio K. julgou ser uma brincadeira, mas ao ser interrogado pelo inspetor (um homem rude e agressivo, que também não soube informar por que K. estava sendo acusado), teve certeza de sua detenção. Assim, K. foi submetido a um longo e obscuro processo, sem que em momento algum tenha sido esclarecido sobre as acusações ou pudesse ter exercido seu direito ao contraditório, seu direito de defesa, buscando até o final explicações.



Seja pelo livro não ter sido finalizado por Kafka ou pelo desnorteamento e confusão característicos da obra do autor, O Processo tem uma atmosférica complicada e labiríntica, quase onírica diante dos absurdos das situações vivenciadas por K, visto que o “devido processo legal” é totalmente ignorado. K é refém de um sistema jurídico arcaico e em momento algum tem acesso ao seu processo, sabe quem o denunciou ou o porquê da acusação, recorrendo tanto às autoridades quanto pessoas que trabalhavam no tribunal, mas sem ter real contato com o judiciário, por sua vez repleto de processos e fisicamente bagunçado, quase um cortiço. Seu advogado (enfermo, sem sair da cama) não lhe dava atenção e todos os acusadores e testemunhas tinham atitudes duvidosas, restando apenas um pintor para explicar que não, ele não sabia por que K. estava sendo processado e que provavelmente K. nunca saberia.

O Processo apresenta uma crítica óbvia ao sistema judicial no que tange à negação do estado de direito, burocracia e incomunicabilidade da justiça, temas presentes à época em que a obra foi escrita e que podem ser transpassados até para os dias de hoje, quando buscamos uma solução para um problema (seja jurídico ou não) e vamos de um lado para o outro, sem saber a quem recorrer. Ao mesmo tempo, devido ao surrealismo da obra, O Processo está sujeito a várias interpretações, porquanto estamos constantemente sujeitos às incertezas da vida, não apenas diante das autoridades, mas em relação a nossas crenças, escolhas e vulnerabilidade humana. Seria o mundo um tribunal, estando os humanos alienados e controlados pelo sistema doutrinador a qual estamos inseridos, nossa sociedade?



O Processo é uma obra que suscita questionamentos se “a justiça é para todos” tal como aplicada e também sobre o longo processo que é a vida, que iniciamos sabe-se lá por que e ninguém nos explica o sentido. Não apenas a abordagem ‘crua’ do judiciário suscita grandes reflexões sendo interessante por si só, mas as diferentes interpretações filosóficas fazem de O Processo um dos melhores livros do século XX.

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6 comentários

  1. Kafka é autor classico! A capa desse livro é linda, by the way!

    bjs de Filipinas,
    Gabi Barbará
    Barbaridades!

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  2. Ah boa escolha!

    Adoro o Kafka...um dos mestre do Surrealismo literário, na minha vida eu só li A Metamorfose [algumas vezes] e Carta ao Pai, acabei pulando o Processo por não ser uma obra finalizada, acho estranho ler algo que não foi acabado, sempre desconfio que tem a mão de algum parente que queria dinheiro. Igual ao Original de Laura do Nabokov.

    Mas adorei o tema, fiquei com vontade de Ler, Kafka é sempre bem vindo, assim como o Camus. Acho que o maior problema do Kafka é ter sido marcado pelo seu livro A Metarmofose, tem gente que compra o livro, mas não reflete sobre a história e fica pensando só no absurdo.

    Anos atrás eu li um dos caras que foi o mestre o Kafka, dá uma procurada, se chama Robert Walser, além do Kafka ele influenciou o Thomas Mann. O livro se chama Jakob Von Gunten [um diário] não é uma leitura muito fácil, você tem que estar bem tranquilo pra ler ou você acaba só passando pelas páginas.

    O Livro foi lançado pela Companhia das Letras, paguei um grana na época, mas valeu a pena.

    Bjos adorei o post

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  3. Como advogada eu vos digo: QUE AGONIA QUE DEVE SER LER ESSE LIVRO!!!!!!!! Puta merda, sério, vou dar de presente pra todos os clientes chatos que ligam de 15 em 15 dias pra saber se o juiz peidou ou cagou um alvará, porque esses que reclamam de não ter "suporte/retorno do escritório".

    KAFKA GOELA ABAIXO!

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  4. Eu sou louca para ler esse livro! Na verdade, sou louca para ler os livros desse autor, acho excelente. Eu gostei de ler um nesse estilo que chama "Culpa- nem todo culpado deve ser condenado" e curti muito!

    www.vestindoideias.com

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  5. Gostei bastante da tua resenha. Eu não conhecia o termo Kafkiano mas pensando bem de acordo com a definição ele faz todo sentido se você ler A Metamorfose.

    Um abraço.

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  6. Quero ler esse livro, achei muito interessante a resenha :)

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