Visita ao Cerro Monserrate, em Bogotá


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Além da conexão de oito horas em Lima, nossa última viagem para Europa também nos trouxe a oportunidade de conhecer brevemente a cidade de Bogotá, onde passamos a noite e fizemos turismo pela manhã. Dentre os lugares que conhecemos, certamente o mais marcante foi o Cerro Monserrate. Neste artigo trarei algumas dicas para quem está planejando uma viagem ou conexão por Bogotá e tem interesse em conhecer a cidade de cima.

Visita ao Cerro Monserrate Bogotá


O que é o Cerro Monserrate

O Cerro Monserrate é um dos principais pontos turísticos de Bogotá, é uma montanha impressionante que faz parte da Cordilheira Oriental (parte da Cordilheira dos Andes) e tem mais de 3.200 m de altitude, proporcionando uma vista incrível da capital colombiana.

Visita ao Cerro Monserrate Bogotá


O Cerro Monserrate não é apenas um lugar belíssimo e cercado pela natureza, mas também um importante centro religioso, vez que no topo fica a Basílica Santuario del Señor Caído de Monserrate, fundada em 1640. É uma basílica impressionante, com missas realizadas diariamente e que atraí milhões de peregrinos durante o ano. É possível subir no Cerro Monserrate de funicular ou teleférico, mas os religiosos costumam subir a pé como prova de sua fé, fazendo uma verdadeira via crucis.

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Falando em via crucis, mesmo quem sobe o Cerro Monserrate de teleférico ou funicular acaba por seguir uma pequena trilha com quatorze esculturas que retratam a Paixão de Cristo. Mesmo para quem não é religioso, caminhar no meio da natureza naquele caminho cheio de esculturas é uma ótima experiência e, ao final, se tem uma vista gratificante de Bogotá. Com seu misto de natureza, religiosidade, esportismo e turismo, o Cerro Monserrate tem uma energia contagiante.


Quanto tempo reservar para o passeio

O tempo dispensado para o passeio depende do seu objetivo principal. Para subir ao Cerro Monserrate a pé leva-se cerca de uma hora, e somado a isso ainda tem o tempo de descanso (imagino) e da missa. No nosso caso, subimos e descemos de funicular e levamos tão somente o tempo necessário para passear pelo local e apreciar a vista, de modo que gastamos pouco mais de uma hora.

Visita ao Cerro Monserrate Bogotá

Uma grande dúvida - medo, aliás - que eu fiquei é se era possível fazer o passeio durante uma conexão, porque tinha lido que as filas são bem grandes aos finais de semana e me contaram algumas histórias de gente que subiu e não conseguiu descer a tempo. Fomos no dia 31/01 de dezembro e tivemos sorte de pegar praticamente nenhuma fila, mas de todo modo, gostaria de compartilhar que mandei um e-mail (em português, mesmo!) ao pessoal do Cerro Monserrate perguntando se o tempo que eu tinha (08h-10h) era suficiente, porque gostaria de visitar e fazer uma postagem para o blog. Eles me responderam que duas horas era pouquíssimo tempo, mas que eu poderia mostrar minha passagem de avião para o coordenador para viabilizar minha subida/descida sem preocupações. Eu achei muito legal da parte deles! Fica a dica para quem está com medo, mas não quer perder de jeito nenhum essa oportunidade. (:


Ingressos, horário e localização

O Cerro Monserrate fica na Carrera 2 N. 21-48. Paseo Bolivar, próximo ao bairro Candelaria, o Centro Histórico da cidade. Dá para encarar uma caminhada de trinta minutos, pegar um táxi ou mesmo um Uber - as duas opções darão em torno de oito reais. Chegando lá, é necessário subir ao topo pelo teleférico, funicular ou a pé.

Visita ao Cerro Monserrate Bogotá

A subida a pé é gratuita e leva cerca de uma hora, mas para quem não tem muito fôlego é recomendado fazer pelo menos um trajeto (subida ou descida) de teleférico ou funicular. Tanto o trajeto ida e volta no funicular quanto o teleférico custam COP 20.000 (cerca de vinte reais) de segundas a sábados e, aos domingos, COP 12.000 (cerca de doze reais), sendo que optando por apenas um trajeto o preço fica pela metade e é possível ir de teleférico e voltar de funicular, por exemplo. Maiores de 62 anos pagam COP 16.000 de segunda a sábado e 10.000 aos domingos, enquanto esportistas tem tarifa especial e podem pagar COP 6.000 por um único trajeto.

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Em relação ao horário, o Santuário funciona segunda das 11h00 às 17h00 e nos demais dias das 06h às 18h00, mas o teleférico e funicular funcionam das 05h30 às 23h30 de segunda à sábado e das 05h30 às 18h30 aos domingos, ou seja, é possível visitar a noite. Nas segundas-feiras festivas tem um horário especial, então é sempre bom consultar o site para confirmar os horários antes da visita.


Como é subir no Cerro Monserrate

A visita ao Cerro Monserrate é incrível! Foi um dos momentos que eu mais gostei e foi o que me deixou muito animada com o pouquinho que eu conheci da Colômbia. Fomos de funicular e fizemos um pequeno trajeto a pé, pelas já mencionadas esculturas. O lugar é lindíssimo, não apenas pela vista da cidade de Bogotá, mas também pela extensa vegetação e natureza do entorno.

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É tanto lugar bonito que fica difícil saber para onde olhar primeiro. Ao fim da subida, encontra-se a Basílica Santuário del Señor Caído de Monserrate, que chama a atenção por ter sido construída no século XVII, além de ser linda. Vale à pena conferir os horários das Missas.

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O Cerro Monserrate ainda conta com um restaurante, banheiros e, claro, a belíssima vista da cidade de Bogotá. A capital colombiana é uma cidade com mais de oito milhões de habitantes e, além de ter muita história, também é repleta de prédios modernos, o que garante uma vista muito interessante do alto. Foi um momento único!

Visita ao Cerro Monserrate Bogotá


Eu não tinha grande vontade de conhecer Bogotá e acabei parando na cidade apenas por conta de uma conexão, mas voltei com uma ótima impressão da capital e muito feliz de ter tido a oportunidade de passear pelo centro histórico e, claro, conhecer o Cerro Monserrate. É um lugar mágico, cercado de natureza e com uma ótima energia. Espero que essa postagem tenha ajudado quem está planejando uma viagem para lá e despertado o interesse de quem nunca pensou em conhecer o Cerro Monserrate!

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Crítica: Aquaman


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Depois do fracasso de Batman vs. Superman e Liga da Justiça, ninguém esperava muito de um dos heróis mais subestimados dos quadrinhos, da DC, Aquaman. Mesmo com o carisma de Momoa, a personagem não tinha dito a que veio no seu filme de estreia, e por isso poucos se empolgaram com a ideia de um filme solo do herói. Curiosamente, Aquaman se consagra como um dos filmes mais divertidos da DC Comics, sendo uma grata surpresa.

Crítica Aquaman


Nascido da união proibida da rainha de Atlantis e um simples faroleiro, o super-herói Arthur (Jason Momoa), mais conhecido como Aquaman, não quer nenhum tipo de envolvimento com seu povo aquático e muito menos reivindicar o trono real. No entanto, quando a atlantis Mera (Amber Heard) o procura revelando que o irmão de Arthur, Rei Orm (Patrick Wilson), está preparando uma guerra contra os humanos, Aquaman passa a ser a única esperança de paz. Para impedir os planos malignos do irmão, Arthur deve partir em busca de uma grande relíquia, o tridente de Atlan (Graham McTavish), para só então conquistar a confiança do seu povo e se tornar o rei de Atlantis.



Com uma história batida e nem um pouco emocionante, Aquaman conseguiu a façanha de reunir o maior número possível de clichês de Hollywood: tem vilão procurando vingança, tem mocinho implicando com a mocinha, tem o herói sendo treinado pelo seu mestre, tem o plano final sendo explicado ponto a ponto e, pior ainda, poses de herói, frases impactantes, um monte de cenas de efeito tornando todo aquele universo ainda mais caricato. Todavia, as notas que tocam sempre que o protagonista vira para frente e lança um olhar penetrante para as câmeras (tem coisa mais brega que isso?) dá a certeza ao telespectador que tudo aquilo é proposital. Aquaman sabe que não tem potencial de ser um filme sério e sombrio da DC e que não adianta levar tanto à sério aquele herói que fala com os peixes. Assim, o filme investe em criar um universo bonito e visualmente impactante, utiliza de atores consagrados e carismáticos e opta por utilizar um roteiro que, sim, é extremamente clichê, mas que funciona e é fácil de se trabalhar.

Crítica Aquaman


Dito isto, por incrível que pareça, a sensação de imersão que Aquaman proporciona é uma das melhores características do filme. O reino de Atlantis não somente é muito bonito como também mostra ter uma história para contar, e todos os cenários utilizados tem pequenos elementos, lendas relacionadas, aspectos que constroem de maneira sutil todo um universo com sua própria mitologia. Nesse sentido, os efeitos visuais e os próprios figurinos - cheio de roupas coloridas e espalhafatosas - contribuem para tornar o filme uma experiência visualmente interessante. As cenas de ação - com destaque para a perseguição nos telhados de uma cidade de Sicília, na Itália - também são muito bem feitas e as interações entre as personagens, embora não sejam excepcionais, são bem construídas, afinal, o filme conta com nomes como Nicole Kidman e Willem Dafoe, e o próprio Jason Momoa, que dá uma nova roupagem ao Aquaman, consegue manter o herói bastante simpático.

Crítica Aquaman


Verdade seja dita, Aquaman é um filme divertido, com personagens carismáticos, muito gostoso de se olhar. Não é nem um pouco espetacular e a própria história, como já dito, é bastante batida, mas todas as cenas de ação foram bem feitas e há certo capricho na fotografia, nos figurinos, mesmo na trilha sonora escolhida que, apesar dos pesares, casa bem com o filme. Aquaman é um filme que assume a sua identidade e, justamente por isso, atende às expectativas.

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O que fazer na praia do Siriú, em Garopaba


sábado, 5 de janeiro de 2019

A Praia do Siriú é uma das mais lindas praias da região de Garopaba, uma cidade muito gostosa do estado de Santa Catarina. Eu sempre me hospedo na cidade e acabo passando o dia em outras praias, mas aproveitei o fim de ano e fiquei cinco dias maravilhosos só na Praia do Siriú, e nessa postagem vim compartilhar algumas dicas de passeios para aproveitar ao máximo sua viagem.

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Praia do Siriú, em Garopaba

A praia do Siriú é uma praia de Garopaba, em Santa Catarina, mas fica um pouquinho mais distante da cidade. Ela faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e é uma área de preservação permanente, chamando atenção pela natureza exuberante da região, repleta de dunas e um relevo interessante de se observar da própria praia.

Na minha opinião, a praia do Siriú é uma das mais bonitas de Garopaba, e eu gosto dela justamente por ela ser mais afastada, ter um aspecto mais selvagem que as outras praias. A natureza é bastante preservada e a praia tem alguma infraestrutura, com casas para alugar, restaurantes, mercadinho, camping e alguns ambulantes vendendo alimentos na praia, mas continua tendo aquele ar de 'prainha' mesmo, um lugar bacana para relaxar e aproveitar a natureza. Veja algumas dicas sobre o que fazer na praia do Siriú


1. Andar de Sandboard nas Dunas

A praia de Siriú é famosa por suas dunas, que chegam a até 5km de comprimento. Elas são vistas da própria estrada, e são simplesmente impressionantes! São dois lugares preparados para a prática de Sandboard e dois pontos se localizam na estrada de Garopaba para o Siriú. Eu fui apenas uma vez e achei super bacana, vale à pena mesmo para quem não é muito radical e quer apenas experimentar uma atividade diferente, basta ter um pouco de cuidado e, de preferência, ir em um horário que o sol não esteja muito forte.

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2. Visitar a Cachoeira do Siriú

Entre tantas belezas naturais, um dos recantos mais bonitos das redondezas é a Cachoeira do Siriú, ideal para passar o dia. Trata-se de uma cachoeira pequena, acessível por uma trilha, com água bem gelada e muitas árvores ao entorno. A primeira corredeira é a mais bonita e é onde as pessoas em geral ficam tomando banho, mas subindo um pouco também tem outra corredeira que vai menos gente. O valor do ingresso é R$ 5,00 e o lugar conta com banheiro e estacionamento, além de um restaurante que serve, entre outros peixes e frutos do mar, anchovas na brasa. Eu não como, mas o pessoal aprovou!

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3. Praticar esportes náuticos na Lagoa do Siriú

Na praia do Siriú também há acesso à Lagoa do Siriú, o que é muito legal, porque de um lado tem vista para o mar e de outro para a lagoa. No entorno, há barraquinhas de aluguel de cadeira de praia, guarda-sol e materiais para atividades como caiaque e stand up paddle. Para quem não sabe, o caiaque é uma espécie de canoa que uma ou duas pessoas andam de remo, enquanto o stand up paddle é o chamado "surf com remo" ou "remo em pé", ou seja, a pessoa fica em cima da prancha de surf e utiliza um remo para se locomover. Fizemos Stand Up Paddle no final da tarde, foi muito legal!

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4. Curtir a praia do Siriú

Mas claro! Onde já se viu ir à praia e não aproveitar a própria praia? O Siriú tem um mar bastante revoltado e pelo perigo não dá para ir muito para o fundo, mas a água é própria para banho e é super gostoso de se aproveitar, lembrando que, além do mar, tem a lagoa na própria praia. A praia, aliás, é lindíssima, cercada de natureza, morros e dunas, e não é escondida e não chega a ser tão movimentada como a praia de Garopaba. Eu adoro o Siriú e, mesmo para quem fique em outra praia, super recomendo passar um dia lá!

o que fazer praia do Siriú


Nesse artigo trouxe algumas dicas sobre o que fazer na praia do Siriú, que é uma praia que encanta pelas belezas naturais e se mostra como uma boa opção tanto para quem quer fazer trilhas e praticar esportes como para quem quer simplesmente relaxar em uma praia tranquila. Espero que tenham gostado e que eu tenha incentivado vocês a conhecer o Siriú!

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Crítica: Bohemian Rhapsody


domingo, 2 de dezembro de 2018

Não é difícil explicar o sucesso meteórico do Queen: suas ótimas melodias, somadas à potente voz do talentoso Freddie Mercury, Queen não apenas é uma das melhores bandas de rock de todos os tempos, como também é uma banda única, diferente de todas as outras bandas que existem. Por conta disso, é com muito interesse que fui assistir ao filme Bohemian Rhapsody, uma belíssima homenagem à banda.

crítica Bohemian Rhapsody


Bohemian Rapdosy tem como proposta apresentar uma biografia de uma das bandas mais famosas do mundo, com enfoque na vida pessoal do vocalista Freddie Mercury. O dia que Freddie conheceu os membros da banda, seu relacionamento com Mary e a descoberta de sua sexualidade, a composição de Bohemian Rhapsody e outros sucessos, e alguns dos shows mais impactantes da carreira, todos esses momentos são retratados de forma apaixonada pelo filme dirigido por Bryan Singer, explorando a estética da época, as excentricidades e dramas vividos pelo talento único que foi Freddie Mercury.



Tratando-se de um filme sobre a banda Queen, por óbvio é impossível não analisar a semelhança dos atores com os integrantes da banda. Nesse sentido, houve uma escolha muito feliz do elenco, que além da semelhança física também traz os trejeitos e a personalidade de cada membro da banda. A semelhança de Gwilym Lee como Brian May é assombrosa, e o mesmo se diz sobre Ben Hardy como Roger Taylor e Joseph Mazzello como John Deacon, ainda que sua interpretação seja mais sutil. No entanto, o grande destaque é para o egípcio Rami Malek. Rami Malek não é parecido com Freddie Mercury e obviamente não tem sua voz, mas ao dublar o cantor e imitar todos os movimentos e trejeitos de Freddie Mercury, acaba por incorporar sua personalidade e realmente convence em suas performances. Malek consegue retratar toda a intensidade e o magnetismo de Freddie Mercury, sobretudo na participação do Queen no Live Aid, um dos mais memoráveis shows da banda.

crítica Bohemian Rhapsody


Para os verdadeiramente apaixonados pela banda, algumas cenas do filme podem causar estranheza pela incorreção biográfica, seja porque o filme altera a ordem cronológica de alguns acontecimentos, a exemplo do show no Rock in Rio, quando os brasileiros cantaram em coro "Love of my Life", seja porque altera os próprios acontecimentos, como o modo com o qual Freddy Mercury conheceu seu último namorado, Jim Hudson. O roteiro também pode ser criticado pelo modo simplista com que aborda a história da banda, retratando de forma superficial os dramas pessoais de Freddie Mercury entre a criação de uma música e outra. Todavia, entendo que isso não foi um 'erro' proposital, mas uma escolha, já que o filme não busca ser preciso e nem retratar temas pesados, mas tão somente ser uma homenagem bonita à banda.

crítica Bohemian Rhapsody


Bohemian Rhapdosy tem o condão de agradar os fãs e trazer novos ouvintes de Queen, confirmando a importância que a banda tem até os dias de hoje. Se o filme não é tão complexo quanto a história da banda e apenas permeia de leve os excessos cometidos pelo vocalista, isso não chega a ser um problema. As 2h30 passam rápido e o filme é uma verdadeira homenagem à figura de Freddie Mercury, que certamente foi um dos maiores talentos de todos os tempos.

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O protesto de Roger Waters em Porto Alegre


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Há quem diga que não se pode falar de política em um show de rock para não misturar "arte com política". Ocorre que o homem é um animal político. As coisas que você pensa, as coisas que você fala e os ídolos que você segue são, em grande parte, impregnadas de política. Sendo assim, não tem cabimento esperar que um dos fundadores de uma das bandas mais influentes da história, Pink Floyd, cuja discografia inclui álbuns contestadores como "Animals" e "The Wall", observasse passivamente a onda de neofascismo que surge em várias partes do mundo. E, mesmo sem referências ao neofascismo no Brasil - talvez por censura, talvez por desilusão -, o show de Roger Waters em Porto Alegre pode sim, ser classificado como um verdadeiro protesto.

Show Roger Waters Porto Alegre


O último da turnê Us + Them no Brasil, que ocorreu no estádio Beira-Rio em Porto Alegre, começou com uma pontualidade britânica, ao som de Breathe. O grande telão colocado atrás do palco, que até então apresentava uma imagem tranquila de uma mulher sentada em uma praia deserta, passou a apresentar imagens psicodélicas. A banda tocou "One of These Days" e apesar em "Time" Roger Waters apareceu nos vocais, música que foi precedida de The Great Gig in the Sky, onde a dupla Lucius (Jess Wolfe e Holly Laessig) fizeram um dos mais famosos solos vocais da história da música.

Show Roger Waters Porto Alegre


O show ganhou um tom verdadeiramente pesado com a música “Welcome to the Machine”, quando as estrelas do telão foram substituídas pelo clipe da música, que apesar de ser uma crítica dirigida à indústria musical, nos choca em vários aspectos ao mostrar um rio de sangue se transformando em uma multidão, nos fazendo questionar sobre a própria máquina que estamos inseridos. As músicas da carreira solo de Waters, tocadas na sequência, também mantiveram o tom crítico, com “Déjà Vu", "“The Last Refugee" e "Picture That", com críticas à interferência dos EUA no oriente médio e a líderes mundiais como Kim Jong-um, Silvio Berlusconi e George W. Bush, na última canção.

Show Roger Waters Porto Alegre


O tom de protesto teve uma pequena trégua com o sucesso Wish You Were Here, mas logo um dos discos mais impactantes estava por vir: The Wall, com The Happiest Days of Our Lives, Another Brick in the Wall Part 2 e Part 3. Foi um momento muito bonito, em que as crianças do projeto Ouviravida, do Bairro Bom Jesus, fizeram o coro de Another Brick in the Wall Part 2, em um primeiro momento com macacões laranjas que lembram os presidiários americanos, e logo em seguida, jogando fora esse macacão e mostrando a mensagem da camiseta: Resist.

Show Roger Waters Porto Alegre


Quando Resist apareceu no palco, houve uma certa tensão política, com muitas pessoas entoando o coro de "#Elenão", apesar de algumas vaias e um silêncio desconfortável daqueles que elegeram o novo presidente. Diferentemente dos shows anteriores, não houve nenhuma mensagem direta ao Brasil por parte de Roger Waters, #Elenão não foi exibido no palco e nem mesmo o nome de Bolsonaro apareceu ao lado de Trump, Le Pen e Putin como líderes neofascistas. Mas a mensagem de resistência estava lá. Waters não "se intrometeu na política brasileira", o que incomodou tantos "fãs" durante as eleições, mas manteve o protesto que realizou em todos os shows da turnê Us + Them e os ideais que impregnaram toda a sua carreira, pedindo para resistirmos ao fascismo, antisemitismo, aos crimes de guerra e à ideia de que alguns animais são mais iguais que o outros.

Show Roger Waters Porto Alegre


Com essa referência à A Revolução dos Bichos, Waters deu início ao álbum criado por influência do livro, com a diferença que a crítica de Waters não se volta ao comunismo, mas ao capitalismo. No início da música "Dogs", o telão mais uma vez impressionou o público com a inesquecível cena da Usina do disco "Animals" surgindo, com um porco perto das chaminés. Enquanto a música tocava, houve algumas manifestações políticas de Waters e sua banda em alusão ao poder que os porcos, representando os líderes mundiais, teriam sob os demais, e a música "Pigs" teve todo seu videoclipe direcionado a um ataque ao presidente americano Donald Trump, até que finalmente o grande porco voador surgiu no estádio. A mensagem não poderia ser mais necessária: seja humano.

Show Roger Waters Porto Alegre


De volta ao Dark Side of the Moon, Waters tocou a icônica "Money", o título da turnê "Us and Them", "Brain Damage" e, o que foi o momento mais bonito do show, Eclipse, momento em que o famoso prisma da capa do álbum foi reproduzido no meio do estádio. Particularmente, Eclipse é uma das minhas músicas preferidas do Pink Floyd, e ouvi-la daquele jeito foi muito especial. Somado aos efeitos especiais, a natureza dava um show à parte, com muitos trovões durante as músicas.

Show Roger Waters Porto Alegre


Infelizmente, por conta da tempestade que estava por vir, Roger Waters terminou o show mais cedo. Talvez Roger Waters tivesse tocado mais uma música se não fosse o resultado das eleições - o ídolo parecia bem mais distante do que demonstrou nos outros shows -, mas ouvir Confortably Numb compensa. No final, em sua terceira apresentação em Porto Alegre, Roger Waters fez um show único, transmitindo a mesma mensagem de resistência que vem sendo passada por três gerações, desde a criação de Pink Floyd.

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