O que fazer em uma conexão em Lima: roteiro por Miraflores


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Quando fizemos nossa Eurotrip, tivemos que encarar uma conexão de oito horas em Lima, já que nosso voo chegava às 09h da manhã e saía apenas 17h30. O que pode ser extremamente negativo para alguns se tornou uma ótima oportunidade de conhecer um novo destino que não iríamos visitar tão cedo e ainda ganhar mais um carimbo no passaporte. Nesse artigo contarei um pouco sobre o que fizemos durante nossa conexão em Lima, capital do Peru, quando conhecemos as ruínas Huaca Pucclana e o bairro Miraflores.

Roteiro Lima conexão Miraflores

O Aeroporto de Lima


Inicialmente, devo mencionar que o aeroporto de Lima é extremamente grande e bagunçado. O Aeropuerto Internacional Jorge Chávez fica na cidade de Callao, há 10km de Lima, e infelizmente o turista que está em conexão e quer conhecer a cidade tem que pagar a Tarifa Aeroportuária, que atualmente é ​US$30,75 para quem tem como destino outro país. Ate aí, tudo bem, já tinha lido em vários sites e não fiquei surpresa com a tarifa, embora ache um tanto irrazoável. O problema é que em nenhum lugar, nem mesmo no aeroporto, fala sobre como sair ou onde pagar essa taxa.

Roteiro Lima conexão Miraflores


Nosso voo chegou antes das nove e ficamos zanzando durante uma hora no aeroporto procurando a maldita saída, quase desistindo porque ninguém sabia nos informar e, inclusive, um funcionário da nossa companhia disse que era impossível sair. Depois de muito tempo, descobrimos que no mesmo cômodo em que passamos nossa mala de mão pelo raio-x, deveríamos ter avisado nossa intenção de sair do aeroporto. Isso não está sinalizado e o procedimento "padrão" (ou seja, se não falar nada) é ir direto para a área de embarque internacional, que realmente não possui saída. Anotamos nossos nomes em uma folha (?), recebemos o carimbo no passaporte e daí sim, saímos tranquilamente do aeroporto. Na volta, fomos em uma cabine no primeiro piso do aeroporto para pagar a taxa aeroportuária, mas daí não teve muito mistério.

Saindo do aeroporto, leva-se cerca de uma hora para chegar na cidade de Lima. Nossa ideia era pegar um Uber (cerca de R$ 35,00), mas tivemos dificuldade com o aplicativo e acabamos pagando um táxi oficial para nos levar até Huaca Pucclana. Há muitos taxistas "clandestinos" esperando do lado de fora, então achamos melhor fechar com uma das empresas dentro do aeroporto. Contando o tempo que perdemos com a imigração e o tempo para chegar à cidade, chegamos perto das 11 da manhã nas famosas ruínas.

Huaca Pucclana


Huaca Pucllana é um sítio arqueológico bem no meio da cidade, um complexo de ruínas que ocupam 150 mil m² e remontam desde os tempos pré-Inca. É muito interessante pensar que aquelas ruínas cercadas de prédios modernos já foram um importante administrativo dos Limas, povo que habitava a região no século V. O lugar funciona de quartas a segundas e a entrada geral é 12 soles - o acesso às ruínas somente é feito com um guia.

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O lugar conta com um pequeno museu com peças históricas dos povos que ocuparam aquele lugar e o passeio leva em torno de uma hora e quinze. Durante o tour (que ocorre frequentemente em inglês e espanhol, sendo necessário agendar em outras línguas), o guia explica sobre a estrutura de Huaca Pucclana e sobre a cultura local. Caminhamos por quase toda a extensão das ruínas, conhecendo as praças, região dedicada ao setor administrativo, vendo as hortas e produtos cultivados até hoje, e ainda caminhamos na região da pirâmide, que chega a ter 23 metros de altura e era dedicada às cerimônias e cultos aos deuses. Escreverei um artigo mais completo sobre o passeio, mas já adianto que é bastante interessante para quem curte história.

Parque del Amor e Shopping Larcomar


Saímos das ruínas pouco depois de meio-dia, almoçamos no caminho e fomos em direção ao Parque del Amor, o parque mais bonito de Lima. Para falar a verdade, achei a cidade no geral um tanto feia e até o clima nublado contribuiu para essa impressão, mas a região de Miraflores é muito bonita e acho que o Parque del Amor sintetiza bem o que a região tem a oferecer.

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O Parque del Amor é um belíssimo parque inaugurado em 14/02/1993 para casais apaixonados, sendo uma excelente opção para quem quer entrar em contato com a natureza, andar de parapente ou apreciar o pôr do sol com vista para o Pacífico. O lugar é lindo! O parque é todo florido (não é à toa que fica em Miraflores, distrito famoso por esta característica), tem vista para o mar e, além de ser um lugar agradável por si, também é artístico, já que conta com a escultura "O Beijo", do artista peruano Victor Delfin, e é conhecido pelos seus muros e bancos repletos de mosaicos coloridos, muito semelhante aos de Gaudí, em Barcelona, mas ainda mais românticos porque neles constam frases de renomados poetas e escritores sobre o amor

Roteiro Lima conexão Miraflores


Pertinho do Parque del Amor, há uma curta caminhada pela Costanera, também fica o Shopping Larcomar. É um shopping como qualquer outro, com lojas caras, acessíveis, lojas de marca e locais, mas a diferença é que fica à céu aberto, na beira do penhasco. Vale muito à pena visitar simplesmente pela estrutura do lugar - que ainda conta com um observatório bem legal -, mas também é válido para quem quer tomar um café ou fazer compras.

Roteiro Lima conexão Miraflores


Por volta das 14h, nos despedimos de Miraflores e pegamos um Uber em direção ao aeroporto, prontos para um novo destino. Há muito mais para fazer em Lima, mas nosso tempo era curto e, ao meu ver, foi muito bem aproveitado. Para elaborar nosso roteiro, utilizamos as dicas do blog Esse Mundo é nosso, que também sugere como roteiro visitar o Centro Histórico, o Barranco e, se for durante a noite, ver o espetáculo Circuito Mágico das Águas. Quem sabe em uma próxima conexão?

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Crítica: Os Incríveis 2


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Quatorze anos após o sucesso de Os Incríveis, aclamado filme da Pixar que tem como protagonistas uma família de super-heróis, os fãs - agora já adultos - receberam uma agradável continuação com Os Incríveis 2, que mantém os elementos do primeiro filme, mas evolui a trama e se constitui em um filme dinâmico, engraçado e com uma pitada de nostalgia.



A família Pêra, embora empolgada com a possibilidade de combater o crime em família, se depara com um grande problema: super-heróis são considerados ilegais e Beto ou Helena terão que aceitar um emprego normal para sustentar a família. É nesse contexto que surge uma excelente oportunidade para Mulher Elástica: trabalhar como super-heroína em missões gravadas e transmitidas na televisão, ganhando popularidade e comovendo a população a ponto de legalizar os super-heróis. Ela aceita e rapidamente se depara com um grande inimigo, enquanto Beto, o Senhor Incrível, tem que lidar com as tarefas da casa e cuidar de seus três filhos: Flash, que vai mal em matemática; Violeta, apaixonada por Toninho; e Zezé, que demonstra ser tão incrível quanto o resto da família.



Se o público alvo das animações em geral é infantil, a Pixar está ciente que os primeiros fãs cresceram e entrega um filme nostálgico e divertido na medida certa, capaz de agradar adultos e crianças. Enquanto mantém o roteiro do filme anterior, sopesando missões de super-heróis com conflitos familiares e dramas cotidianos, Os Incríveis 2 acerta ao inverter os papéis e dar grande destaque à Mulher Elástica, que ganha maior espaço e reconhecimento dos personagens como heroína feminina, "trabalhando" para sustentar a casa, enquanto o Sr. Incrível tem que cuidar dos filhos. O que talvez seja uma trama óbvia acaba arrancando muitas risadas e sendo uma crítica saudável ao conservadorismo e ao machismo, pois acabamos por perceber como infelizmente é raro mulheres ocupando espaços de poder (o que deveria ser mais incentivado) e como é importante também valorizar a tarefa daquele que tem como trabalho tomar conta da casa e dos filhos. Os Incríveis 2 é um filme divertido, fácil de se identificar e que nos faz se colocar no papel do outro, além de reforçar, é claro, a importância de bons laços familiares.



Como fã de filmes de super-herói, normalmente fico impressionada com cenas de ação e lutas bem coreografadas. Mesmo se tratando de uma animação - ou melhor, justamente por se tratar de uma animação -, é realmente impressionante as sequências que envolvem os Pêra utilizando seus poderes, em especial, a primeira missão da Mulher Elástica, que explora forma excelente sua elasticidade e o que pode ser feito com seus poderes. Outra cena que ganha destaque é a descoberta dos poderes do Zezé, personagem que sempre arranca muitos risos dos telespectadores, tanto pela sua fofura quanto pela alegria e preocupação que causa no Senhor Incrível, que descobre que mais difícil que ser um super-herói, é ser um bom pai. Por outro lado, o filme peca ao colocar vários coadjuvantes que não necessariamente tem uma personalidade desenvolvida (muitos heróis parecem ficar meio perdidos na trama) e a própria Edna Moda faz apenas uma ponta desnecessária no filme, embora seja necessário reconhecer que ela é uma ótima personagem. No mais, o filme também aborda a influência da mídia enquanto formadora de opiniões e traz uma excelente trilha sonora, o que não é muito comum em animações - pelo menos, as que não são musicais, como Moana, do mesmo estúdio -, mas ganha destaque em Os Incríveis 2, assinada por Michael Giacchino.



Com uma história leve e divertida, mas repleta de significados, Os Incríveis 2 é um filme capaz de agradar adultos e crianças, repleto de cenas engraçadas, mas trazendo de uma maneira bastante adequada questionamentos importantes acerca da nossa sociedade. Os Incríveis 2 é uma excelente continuação que respeita o conteúdo original e se sustenta enquanto filme próprio, capaz de agradar tanto ao público antigo quanto agregar novos fãs.

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Visita ao Rijksmuseum, em Amsterdam


sexta-feira, 6 de julho de 2018

É impressionante como Amsterdam é uma cidade que, a despeito de todo seu estereótipo envolvendo temas polêmicos, respira cultura: o Museu do Van Gogh, a Casa de Anne Frank, o Amsterdam Museum, são apenas alguns dos cinquenta museus que abriga Amsterdam. Um dos melhores museus da cidade certamente é o Rijksmuseum, considerado o maior museu dos países baixos.



O Rijksmuseum fica na praça Museumplein bem na frente do famoso letreiro "I Amsterdam", em um edifício icônico e grandioso da capital holandesa. O prédio, projetado pelo arquiteto Pierre Cuypers, foi inaugurado em 1885 e desde 1970 é considerado um Patrimônio Nacional - aliás, o museu conta com um estrondoso acervo de arte europeia, verdadeiros tesouros da humanidade. São 30 mil metros quadrados, oitenta salas e aproximadamente oito mil obras expostas, além de quase um milhão de peças de arte.

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Passeio de barco pelos canais de Amsterdam
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O museu tem três andares e está dividido em treze seções, agrupando as obras de forma cronológica: no 1º andar estão as obras de 1700-1900, no 2ª andar de 1600-1700 e no 3§ andar de 1900-2000. Ele é composto por pinturas, esculturas, desenhos e diversas coleções de objeto, contendo ainda um pavilhão de arte asiática e coleções datadas do medievo. O mais interessante, ao meu ver, é a oportunidade única de ver grandes artistas europeus como Hals, Goya, Di Cosimo, Veermer e, principalmente, Rembrandt Harmenszoon van Rijn, holandês que inclusive tem seu próprio museu em Amsterdam e um corretor exclusivo no Rijksmuseum dedicado a suas obras.



Quando visitamos o Rijksmuseum, estávamos com o roteiro apertado devido a um passeio com hora marcada e, infelizmente, não foi possível apreciar o museu com a calma e atenção que ele merece. No entanto, no próprio folheto que pegamos no balcão de informações consta a localização das obras mais importantes e, assim, conseguimos ver as principais obras, como A Ronda Noturna (Rembrandt,1640-1642), A Leiteira (Johannes Vermeer, 1658) e A Batalha de Waterloo (Jan Willem Pieneman, 1824), que na minha opinião, foi o mais impactante de todos (e, curiosamente, não vimos nenhum parecido na França, hehe). Assim, mesmo com pouco tempo, recomendo visitar o museu, pois com organização dá para ver os quadros de maior interesse - e claro, descobrir coisas lindas pelo caminho. Quem tiver interesse, ainda, pode alugar um áudio-guia para aproveitar ainda mais a visita.



O Rijksmuseum conta com uma expressiva coleção de obras de arte e é um dos museus mais interessantes da Holanda, com obras de grandes artistas e uma estrutura belíssima. Além disso, por conta da sua localização, é fácil combinar sua visita com outro museu da região, sendo uma programação imperdível para quem vai conhecer Amsterdam.

Local: Museumplein/Museumstraat 1, 1071 CJ Amsterdam, Holanda
Horário: diariamente das 9h às 17h
Ingresso: 17,50 euros | gratuito até 19 anos | áudio guia: 5 euros
Site oficial: www.rijksmuseum.nl

* Recebemos os ingressos para o Rijksmuseum como cortesia para o blog, porém, todas as opiniões são verdadeiras e refletem nossa experiência pessoal.

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Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Quando o mundo soube que Harry Potter, aclamada série de livros escritos por J.K Rowling, receberia uma continuação oficial, os fãs se dividiram entre os que receberam alegremente a notícia e os que desconfiaram, vez que Harry Potter é uma história construída com início, meio e fim e talvez não fosse recomendado apresentar o futuro dos personagens. Essa continuação veio em formato da peça de teatro Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, que se passa dezenove anos depois dos acontecimentos do último livro.

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma aventura protagonizada por Alvo Severo Potter, um sonserino que, ao contrário de Harry Potter, o pai famoso, não tem nada de especial. Não é bom no Quadribol, não tem uma história interessante e seu único amigo é ninguém menos que Escórpio Malfoy, que sofre com os boatos de ser filho de Lord Voldemort. Quando Amos Diggory procura Harry Potter alegando que sabe da existência de um vira-tempo escondido e implora para que Harry volte no tempo salvar Cedrico, Harry, agora um importante auror, diz não ser possível, mas Alvo e Scorpio resolvem realizar esse desejo e contam com a ajuda da bruxa Elly, prima de Cedrico, para voltar no tempo e salvar o rapaz. Porém, voltar no tempo é perigoso e as coisas nunca ocorrem do jeito esperado, de modo que Alvo e Escórpio "constroem" futuros diferentes, desde a um que Hermione é uma professora mal-humorada, a um futuro que novamente a comunidade bruxa está em perigo.

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Por se tratar de uma peça de teatro, o roteiro procura, no menor tempo possível, proporcionar uma imersão no mundo mágico, revisitando lugares especiais e personagens queridas no coração dos fãs, por vezes apresentando como eram de verdade no tempo de Hogwarts ou o que aconteceram com eles, dando uma bem-vinda sensação de nostalgia e certa alegria ao descobrirmos que Hermione Granger se tornou Ministra da Magia, por exemplo. O roteiro também aborda o conflito entre pai e filho à medida que Alvo Severo parece não atender às expectativas de Harry Potter que, por sua vez, tem uma personalidade bastante intransigente que não condiz de forma alguma com o Harry Potter que protagonizou a saga de sete livros. E então, quando o leitor percebe que a personalidade das personagens e a própria história é alterada para satisfazer às necessidades da peça, começa a se questionar se realmente era necessária uma continuação.

Para abranger o maior número de aspectos mágicos possíveis em uma obra de curta duração, o roteiro fez uso do "vira-tempo", que permite aos usuários viajar no tempo e, assim, a história intercalava o "passado" com o presente, demonstrando as realidades alteradas. Ora, acontece que o roteiro é muito raso e o próprio argumento para viagem no tempo - salvar Cedrico Diggory, depois de mais de vinte anos após a morte do rapaz - é bastante irrazoável. O pior, contudo, não é nem A Criança Amaldiçoada ser fraco em si, mas as alterações que maculam toda a história meticulosamente construída em sete livros do Harry Potter. Francamente, não há como crer no boato de que Voldemort teve um filho e a revelação final beira ao absurdo. O próprio Harry Potter afastou-se muito do que costumava ser (além de ter se tornado uma personagem bastante chata) e, verdade seja dita, há fanfictions muito mais interessantes do que a história bobinha criada para ser a "continuação de Harry Potter".

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Francamente, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada não faz sentido nenhum e eu me recuso a considerar como uma continuação oficial quando eu mesma poderia ter escrito algo muito melhor. É claro que eu teria adorado assistir à peça e que a mesma deve ter resgatado a nostalgia que sentimos de Harry Potter e proporcionado um bom retorno ao mundo mágico. Acontece que a história é ruim. Não se trata do roteiro ser diferente da peça, da sensação ser diferente ou mesmo da história "não funcionar como livro". Também não se trata de dizer que é "inferior à Harry Potter", mas sim, que é totalmente fora do contexto. Independentemente da mídia, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada está em completa dissonância com o restante da saga e seria melhor simplesmente ignorarmos sua existência.

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Crítica: Deadpool 2


segunda-feira, 2 de julho de 2018



Depois de sua bem sucedida estreia (que, na verdade, foi a segunda aparição do personagem, mas vamos tentar esquecer X-Men Origens: Wolverine), o anti-herói Deadpool volta aos cinemas em um filme que segue os mesmos moldes do primeiro, mas promete ser "um filme para família".

crítica Deadpool 2


Após uma tragédia acontecer antes mesmo dos créditos iniciais - muito bem-humorados, por sinal -, Wade (Ryan Reynolds) está devastado, com vontade de morrer e, devido a sua capacidade de regenerativa, sequer consegue se matar. É em uma missão como estagiário dos X-Men que Deadpool encontra o que pode ser um novo sentido para sua vida: defender o jovem mutante Russel (Julian Dennison), um adolescente de quatorze anos com uma personalidade bastante destrutiva, que está descontrolado e quer se vingar do grupo de enfermeiros que abusavam dele quando criança. As coisas complicam quando Russel acaba sendo perseguindo por Cable (Josh Brolin), um mutante que veio do futuro para matá-lo, de modo que Deadpool reúne uma equipe - X-Force! - para salvar Russel do vilão e de si mesmo.



O primeiro filme de Deadpool foi bastante aclamado por conta de sua irreverência, humor ácido e violência exagerada, elementos que renderam boas piadas e cenas de ação. Seguindo os moldes do primeiro, o novo filme é recheado de referências à cultura pop e aos próprios estúdios, utiliza da metalinguagem e tem tiradas muito boas, com destaque para os comentários envolvendo os X-Men. No entanto, se o filme de estreia foi elogiado justamente pela sua originalidade, Deadpool 2 se contenta apenas em seguir os passos do primeiro, não conseguindo superar seu antecessor. Aliás, por mais que o filme seja engraçado, e por mais que o sarcasmo seja marca registrada de Deadpool, o segundo filme parece fazer um esforço maior ao apresentar cinquenta piadas para, no fim, quinze serem boas. A comparação, portanto, é prejudicial, e Deadpool 2 acaba sendo "mais do mesmo".

crítica Deadpool 2


Por outro lado, se o longa de estreia se preocupou em apresentar a origem do anti-herói e sua trajetória individual, uma das poucas - e acertadas - inovações do novo filme é a tentativa de dar uma equipe ao mercenário, o que rende cenas muito engraçadas - como a do resgate - e a integração de uma excelente parceira: Dominó, interpretada pela atriz Zazie Beetz. Outro ator que protagonizou ótimas cenas com o anti-herói foi Josh Brolin, responsável por interpretar Thanos, digo, Cable, sendo que sua atuação foi perfeita para o personagem, que é um viajante no tempo e responsável pelo arco dramático do filme. Nesse sentido, Deadpool 2 traz algumas reviravoltas inusitadas, e o propósito de integração entre os personagens e salvação do mutante Russel faz sim, com que o filme se aproxime de "um filme para família", à medida que apresenta personagens deslocados que, por meio dos laços efetivos, encontram uma família uns nos outros, com carinho e crescimento mútuo.

crítica Deadpool 2


Deadpool 2 é um filme despretensioso que certamente agradará quem gostou do primeiro filme e procura uma comédia um pouco mais ácida que o normal e, talvez, com um pouco mais de drama do que deveria ter. O filme, seguindo um roteiro típico de "um filme para família", quebra este estereótipo graças à violência e às piadas, mas traz uma interessante abordagem do "politicamente correto", ora debochando de algumas pautas, ora reforçando outras. É um filme divertido, com uma mensagem importante por trás (por incrível que pareça) e cenas bem construídas.

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