Resenha: Cem Anos de Solidão

sábado, 2 de abril de 2016



Podemos até chorar ou nos emocionarmos com o amor impossível de um casal e ficarmos chocados ao ler uma terrível distopia, mas nada é mais impactante do que a realidade. De uma forma genial, Gabriel Garcia Márquez escreve uma obra lúdica e ao mesmo tempo dolorosamente real, sobre todas as emoções que perpassam o ser humano em Cem Anos de Solidão.



Cem Anos de Solidão conta a história da família Buendía, iniciando com Úrsula e José Arcadio Buendía, que fundaram a fictícia aldeia de Macondo, e retratando as seis gerações da família, cujos integrantes herdam não só nomes como também as características: os Aurelianos são mais intimistas e estudiosos e Josés Arcádios mais impulsivos e trabalhadores. Enquanto acompanhamos Macondo enfrentar pragas, guerras, chuvas e se modernizar, acompanhamos a família na ascensão e decadência e nos intrigamos com acontecimentos naturais e sobrenaturais. No fundo, mesmo retratando de forma mítica uma atmosfera política e social que assemelha-se à história da América Latina, e mesmo dotando seus personagens de alegria, tristeza, romance, intimidade, loucura, ambição e as mais diversas emoções que um ser humano pode sentir, a obra prima de Gabriel García Márquez nada mais é que um retrato fiel da solidão.

Elogiar a escrita de Gabriel Garcia Márquez é chover no molhado durante quatro anos, onze meses e dois dias. Cada acontecimento na vida dos Buendía é contado não apenas utilizando um notável domínio da escrita, mas de uma poesia única, variando sua intensidade entre a delicadeza e a eloquência. No início, é a forma com que a história é contada que impulsiona a leitura, mas aos poucos viramos praticamente moradores de Macondo, e o triste é que enquanto "permanecemos na cidade", a própria Macondo se modifica, aliás, a Macondo dos primeiros capítulos nos abandona. Durante os Cem Anos de Solidão, personagens novos surgem, morrem, vão aos céus, e acompanhamos Macondo em seus momentos de esplendor e decadência.



Por mais envolvente que seja, é difícil 'devorar o livro', pois o detalhismo das descrições requer atenção e é fácil confundir os incontáveis Aurelianos e José Arcadios na linhagem da família. Entretanto, acontece um fenômeno raro que ouso dizer não ter visto nas minhas melhores leituras: é Cem Anos de Solidão que nos devora, consumindo-nos pouco a pouco à medida que vamos experimentando as sensações vividas pelos personagens e por nós mesmos em outros tempos, porque com todas as peculiaridades de cada momento entendemos que tudo não passa de uma repetição, uma história contada com as mesmas engrenagens apontando sempre para o mesmo destino.

Cem Anos de Solidão inicia de forma leve, retratando uma cidade em que ninguém morreu ainda e o fascínio de uma criança ao ver o gelo pela primeira vez, até mostrar essa mesma criança após perder as 32 guerras e depois, várias gerações de Aurelianos e Josés Arcádios que mesmo tendo características distintas carregam a mesma essência, a mesma sina. Apesar do realismo mágico que envolve a obra, a tristeza que sentimos lendo é real, mas justamente por ser um livro tão rico e impactante que Cem Anos de Solidão se consagra como um dos melhores livros de todos os tempos.

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13 comentários

  1. Eu acho que se eu fosse ler esse livro, teria que me preparar emocionalmente antes, porque parece ser um desses que te envolvem e depois você fica pensando nele por um mês, hahahaha.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  2. Acho que nunca uma resenha desse livro me tocou tanto! Já quero ler :)

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  3. Até que enfim você leu o que eu recomendei com tanta insistência. ^^

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  4. Ai meu coração ♥ Nunca nem li esse livro mas só se saber que é de um autor latino já gostei (. ♥ ‿ ♥).
    Acho que as aulas de literatura da escola daqui do Brasil, em vez de só mostrarem as escolas literárias e essas coisas deviam abranger algo "maior" sem só se focar somente no Brasil e em Portugal. Acho a cultura latina e espanhola lindaa, o meu pai por exemplo, super se lembra e tem saudade das aulas de literatura dele, uma vez a minha ganhou de presente o livro do don Quijote De la Mancha (o original em espanhol) e ele ficou super nostálgico, ele sabe os primeiros parágrafos do livro decorado, além disso eu acho espanhol uma língua sexy hasuahsua

    Bjs (づ ̄ ³ ̄)づ

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  5. Cara, sobre seu post: não sei o que dizer, só sentir. Sério, é um dos meus livros favoritos do Gabriel García. O segundo dele que gosto de paixão é Memórias de minhas Putas Tristes (sensacional também).
    E sim: foi difícil devorar o livrro mesmo de início.Sou suspeita pra dizer, pois Gabriel é um dos autores brasileiros que mais gosto. Acho a escrita dele muito cinestésica. <3

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  6. Parabéns pela resenha!!! Falar sobre Cem Anos de Solidão pode ser um pouco complicado, mas você colocou toda a essência do livro na sua resenha!

    Amo de paixão essa história e o livro é um dos meus favoritos da vida. Quero reler em breve!


    http://tamiresdecarvalho.com/

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  7. Fiquei chateada, porque na época eu fui obrigada a ler a obra para um trabalho e não soube valorizar a história. Só depois que consegui dar uma atenção maior, acho que se eu tivesse feito isso antes sairia com uma nota melhor e me apaixonaria de primeira pela escrita dele.

    Um livro que eu gostei MUITO foi "Memória de minhas putas tristes" <3

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  8. Esse livro parece ser maravilhoso. Adorei a história e a maneira com que ele trata a tristeza, pela resenha já fiquei animada para ler ele.
    Beijos
    BlogCarolNM
    FanPage

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  9. Nossa, que resenha maravilhosa!
    Há alguns livros que chegam nas nossas vidas de um jeito estranho, e Cem anos de solidão é um deles para mim. Eu fiz 8 semestres de um curso completo de Espanhol, mas não terminei, cheguei só ao nível Intermediário e precisei parar. Apesar disso, minha leitura, pronúncia e escrita eram muito boas. Por isso, uma conhecida me emprestou um exemplar desse livro em Espanhol, e eu simplesmente devorei! Tive várias dificuldades, mas estava gostando muito da leitura, e compreendi o essencial da obra. Até hoje, sonho em ler esse livro em Português, só está difícil encontrar por um preço legal.
    Gostei da sua resenha, e do jeito que você consegue contar tanta coisa sobre a história sem dar spoiler. E também adorei as fotos que você tirou do livro! <3

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  10. Oi Vick! Nossa, eu lendo sua resenha fiquei imaginando como seria ler um livro tão intenso. Já tinha ouvido falar desse livro mas não tive curiosidade para pesquisar mais sobre. Agora quero tê-lo em mãos e poder vivenciar essa "solidão" eu mesma.
    Adorei sua resenha e com certeza irei atras para conhecer as obras do autor.

    beijos
    http://www.livromaniaca.com/

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  11. Eu li este livro na época do ginásio, lembro bem vagamente da história...
    Se não me engano tinha achado tão triste... acho que senti como ele era profundo, mas acho que o que me marcou mais foi o sentimento da tristeza mesmo...

    Beijo Vicky!
    Andréia Campos
    http://petitandy.com

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  12. Leitura obrigatória, né? Tenho aqui em casa e estou morrendo de vontade de ler! Gostei bastante da sua resenha, inclusive foi a primeira que eu li sobre o título e me animou bastante :D
    Sentimentaligrafia

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  13. Ah, que resenha incrível. Agora preciso reler esse livro maravilhoso!

    Beijinhos, Hel.
    Leituras & Gatices

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