Crítica: Ghost in the Shell - A Vigilante do Amanhã

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Com as inúmeras inovações tecnológicas e a nova mania da indústria cinematográfica de resgatar obras do passado, o gênero cyberpunk, cuja temática principal é a relação entre o ser humano e a tecnologia, novamente está em voga. Entre os principais expoentes do gênero, está a animação japonesa Ghost in the Shell, lançada em 1995 e que recentemente ganhou uma versão protagonizada pela atriz Scarlett Johansson, que chegou ao Brasil sob o título A Vigilante do Amanhã.

Ghost in the Shell


Ghost in the Shell se passa em um ambiente futurista no qual é difundido o "cyberaperfeiçoamento", ou seja, buscando uma versão melhor de si mesmo, humanos fundem-se às máquinas. Nesse contexto, somos apresentados à Major, uma ciborgue que trabalha em uma divisão de combate ao cyberterrorismo e passa a investigar os assassinatos de diversos executivos da Hanka Robotic, a principal empresa responsável pela tecnologia robótica e inteligência artificial. Ao mesmo tempo em que questiona seu passado e sua própria existência enquanto humana/ciborgue, Major também enfrenta um perigoso inimigo, o misterioso "Kuze", que pretende sabotar os projetos da Hanka Robotic e passa a se interessar pela história da Major.



A ambientação de Ghost in the Shell é incrível e nos apresenta um futuro tecnológico, com prédios altíssimos, subúrbios deteriorados e muita poluição visual. O cyberaperfeiçoamento é uma novidade aceita e altamente comercializada e, quem não tem nenhuma melhoria mecânica, aparenta ter ou procura alternativas em lugares duvidosos. O visual do filme é fantástico, os efeitos visuais são competentes e as cenas de ação muito bem executadas. O curioso é constatar que diversas cenas icônicas foram diretamente copiadas do anime de 1995, o que dá uma emoção extra aos fãs do filme original. É verdade que a história contou com algumas modificações, mas, tratando-se de uma adaptação e uma obra diferente do anime, o filme é excelente, vez que homenageia e ao mesmo tempo se sustenta por si próprio.

Ghost in the Shell


Em que pese a polêmica contratação de Scarlett Johansonn para viver a até então japonesa Motoko Kusanagi, a verdade é que a atriz estava muito bem no papel e isso se constata até mesmo no andar encurvado, nos movimentos mecânicos de alguém que não se acostumou ao corpo. Tanto Motoko quanto Batou (vivido pelo dinamarquês Pilou Asbæk) parecem ter saído diretamente do anime de 1995 e é incrível ver a relação de parceria entre os dois, que trabalham juntos nas missões contra o cyberterrorismo. No entanto, apesar de nomes competentes como Juliette Binoche, o elenco de fato estava ocidentalizado e seria mais interessante ver atores japoneses no cinema.

Ghost in the Shell


Ghost in the Shell em muitos aspectos é uma refilmagem do filme original, vez que manteve não só sequências inteiras, como também a mesma atmosfera noir futurista do anime de 1995. Contudo, em uma tentativa de entregar um filme mais linear e até mesmo compreensível, aos moldes dos filmes ocidentais, Ghost in the Shell se afasta dos questionamentos filosóficos do anime original e aposta na origem da Major, alterando também o final e a trama envolvendo o Master of Puppets que, nesse novo filme, é chamado de Kuze (Michael Pitt) e ganha uma forma mais humanizada, com uma história clichê e motivações mais claras. Isso, na verdade, não é de todo ruim: apesar de a história original ser superior justamente pela complexidade com que aborda a relação do homem e máquina (reflexão esta reduzida a frases de efeito no filme de 2017), o novo Ghost in the Shell dá uma repaginada na história e a torna mais atrativa para o grande público, entregando um roteiro mais explicativo sem esquecer, contudo, a essência do filme de 1995.

Ghost in the Shell


Com um visual fantástico e uma premissa bastante interessante, Ghost in the Shell distancia-se da discussão existencialista do filme de 1995 e aproxima-se dele na medida em que preserva sua identidade nos personagens, nas cenas e na atmosfera cyberpunk. Ainda que com ressalvas (e, importante ressaltar, todas elas se devem à comparação com a obra original), o live action de Ghost in the Shell é uma excelente adaptação e é competente ao atingir um novo público, dando destaque merecido a um gênero que, apesar da temática futurista, tem se mostrado cada vez mais atual.

Postagens relacionadas

28 comentários

  1. li um pouco do filme, principalmente pela escolha da atriz... ainda assim, tô c vontade de ver :D

    beeijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A escolha da atriz foi super polêmica, mesmo! É uma questão comercial e eu realmente achei a Scarlett boa, mas fica aquele sentimento pela personagem ser japonesa, né :/ Assista sim!

      Excluir
  2. Eu ando tão atrasada nos filmes.
    Para vc ter ideia vi Logan faz poucos dias ahuahuhauah
    Eu quero muito ver esse filme, vi que teve várias pessoas criticando não só a escolha da atriz, mas da história... enfim
    Preciso assistir pq sua crítica me deixou com mais vontade <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai Clay, motivos pra críticas as pessoas realmente tem, porque é bem mais superficial que a obra original, maaas eu enxergo como um complemento e uma nova mídia, feita para atingir um novo público. Eu gostei muito do filme, essa é a verdade ahusdiahusa

      Excluir
  3. Esse aspecto futurístico sempre foi algo que me atraiu bastante em filmes, portanto A Vigilante do Amanhã me chamou bastante atenção. A história em si é bem interessante e fiquei super curioso para ver o anime, já que estou em uma vontade enorme de ver um, acredita? Apesar da Scarlett Johansonn receber muitos elogios, provavelmente eu iria gostar de ver uma japonesa de fato atuando e representando a cultura. Sua crítica ficou incrível e, aproveitando a oportunidade, estou apaixonado no seu blog.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Gabriel! Eu só assisti o anime (filme) de 1995 (que é o original que referi constantemente no post, haha), mas fiquei com vontade de ver o anime (série) também, já que foram feitos vários depois de 1995. Muito obrigada pelos elogios quanto à crítica e ao blog, são esses comentários que me estimulam a continuar <3

      Excluir
  4. Muito bom o filme, os cenários e os personagens ficaram bem feitos e a versão um pouco mais simples ainda assim foi interessante.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É mesmo! Apesar de simplificada, a história ainda foi interessante <3

      Excluir
  5. que crítica ótima! eu vi o trailer várias vezes já no cinema e cada vez mais quero ver. Não sabia que era uma refilmagem, que tinha outro já antes. Quem sabe até vejo o primeiro antes pra poder me ambientar! Achei a Scarllet maravilhosa, como sempre, no filme deve estar arrasando.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Liz! Minha sugestão é você assistir primeiro esse filme e, se gostar da história, ver o filme de 1995, já que é uma animação e é bem mais complexa. A Scarlett está ótima, sim <3

      Excluir
  6. Já vi várias criticas a este filme... mas ainda assim estou com muita vontade de ver! vi o trailer mesmo na sala de cinema e fiquei agarrada ao ecrã, quanto à escolha da personagem, a Scarllet anda numa onda futurista e com papéis deste tipo, estou curiosa para saber se vou gostar :) gostei do seu texto!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Vanda, obrigada pelo comentário! Eu acho que a Scarlett ficou bem porque, além de ser uma boa atriz, ela está acostumada a filmes de ação e já fez alguns papéis mais futuristas. Só ficou a dúvida quanto a uma atriz japonesa, mesmo ahsudiahui. Espero que goste do filme <3

      Excluir
  7. Não é o tipo de filme que costumo assistir, agora o meu marido adora esse tipo de filme, é questão e gosto né. Não que eu acho ruim, é que não o meu estilo. Eu não sabia do filme, sou muito atrasada com essas coisas, acho a Scarlett Johansonn muito talentosa. Acho que irei me render e ver com o marido.rsrs
    Adorei o post!
    bjs

    Simplesmente Ciana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ahh Ciana, assiste sim! É um gênero muito interessante e instigador! Veja com seu marido, tenho certeza que irá gostar <3

      Excluir
  8. Não é um filme que me interesse muito, mas adoro a Scarlett!!!!
    Eu não sou fã dessas coisas de cyberespaço kkkkk

    ah!!! escrevi o final da historia q vc acompanhou no meu blog... http://ironicamenteinusitado.blogspot.com.br/2017/04/leia-ouvindo-ben-howard-diria-mim-mesma.html

    Até mais!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ahh Bárbara, mas dê uma chance! A maioria das pessoas que não gosta desse gênero de filme é por achar algo "nerd/geek" (o que, diga-se de passagem, é bem legal kk), mas não é bem assim. O cerne principal é a discussão entre o ser humano e a tecnologia, como será o futuro da humanidade. Black Mirror, por exemplo, é algo bem mais situado na nossa sociedade, por exemplo (tem muitos episódios bem próximos da realidade!), mas também tem esse tipo de discussão.

      Vou conferir o final da história, beijinhos <3

      Excluir
  9. A proposta do filme até é interessante, mas confesso que não gosto da Scarlett Johansson, acho ela uma pessoa fria e sem expressão. Por se tratar de um filme japonês, acho que a Lucy Liu caberia muito bem no papel, afinal, ela foi uma das panteras, sabe "atuar" em filmes de ação e o mais importante é japonesa...enfim, o filme não me chamou muito a atenção e olha que eu gosto de filmes assim, mas quem sabe eu não assista um dia...rs
    Bjs ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sou suspeita para falar porque eu gosto da Scarlett, e até mesmo a frieza dela contribuiu para a personagem. Mas por mais que eu tenha gostado, concordo contigo que existem outras atrizes (não sei se a Lucy Liu ashdiua) hábeis para o papel e que poderiam representar bem melhor o Japão do que uma atriz ocidental. Mas viu, assiste o filme sim <3 Eu sou uma chata e gostei bastante, ashduiahsduai

      Excluir
  10. Eu havia visto pouca divulgação sobre esse filme, então como o gênero já não é meu favorito, nem fiquei com vontade de assisti-lo. Lendo sua resenha, porém, isso mudou.
    Com certeza vou procurar assistir o anime antes porque gostei de saber que ele é mais complexo e que traz uma reflexão maior. Isso de ocidentalizar o filme era meio óbvio que aconteceria e, honestamente, quero procurar ler mais artigos sobre o assunto, porque não compreendo muito o motivo disso acontecer. É uma questão de Etnocentrismo? Não sei. De qualquer forma gostei que você mencionou isso em sua resenha, de verdade.
    O filme parece ser bem interessante e acho que vale a pena assistir.

    Beijos,
    Bi.

    - http://www.naogostodeunicornios.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bacana que eu te fiz mudar de opinião <3 O filme vale à pena assistir, é muito interessante mesmo <3

      Quanto à questão do etnocentrismo, o motivo de terem colocado a Scarlett ao invés de outra atriz japonesa foi por ser uma atriz famosa que "chamaria" pessoas para o filme, mas fiquei chateada de ver vários outros atores ocidentais no elenco. O que eu acho que teve uma "ocidentalização" também é na própria história, não no roteiro em si, mas na forma de compreensão. Os filmes japoneses em geral "te jogam as coisas" e é você que tem que construir um raciocínio, já os filmes americanos são bem mais ocidentais. No caso de Ghost in the Shell, a obra original tem uma história super complexa, vários questionamentos filosóficos, é "cabeça" mesmo. Isso tudo foi simplificado nessa versão, imagino que por uma questão mais comercial e para ficar acessível a um maior número de pessoas.

      O que eu recomendo é assistir ao filme antes e depois o anime, porque se for o contrário creio que o filme não será tão bom. Na verdade, depende muito da interpretação mesmo. Muita gente tem criticado o live action justamente por ter alterado a história, por ser bem mais simples, por não fazer jus ao anime. Eu já vejo diferente: é uma nova mídia com uma proposta diferenciada, que fez homenagens/referências fantásticas à história original e mesmo dando uma perspectiva mais simples conseguiu ser interessante.

      Desculpa por ter feito um novo post nesse comentário quase ahsiudahsdia

      Beijos <3

      Excluir
  11. Oi, tudo bem? Semana passada vi a divulgação desse filme e me chamou bastante a atenção pela presença da Scarlett, gosto muito dela como atriz. Confesso que não sabia dessa outra versão de 1995, mas acredito que a tecnologia e os tempos eram outros. Com a evolução do cinema a história se torna muita mais futurística e cheia de efeitos especiais. Pelo trailer e pela sua crítica fiquei curiosa para assistir e ter uma visão própria. Beijos, Érika ^.^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Érika! Então, a antiga versão é uma animação e, para ser sincera, não consigo achar o que reclamar da tecnologia: o universo criado é simplesmente incrível e muuuuuuito futurista, os cenários são impactantes mesmo. Mas é justamente por isso que eu achei fantástico ver esse universo passado para o "mundo real", com atores, efeitos especiais, etc. Realmente, é incrível o que o cinema atual pode fazer! Beijinhos <3

      Excluir
  12. Nossa, eu estava com muita vontade de ler uma crítica ao filme!
    Eu andei pesquisando sobre essa versao de 1995, com muito menos efeitos especiais e superproducoes, se comparados aos que temos disponíveis hoje em dia e acho que com a conjuntura atual do mundo, o tema está ganhando forças novamente.
    Iria assistir mais pela Scarlett, confesso, mas depois dessa crítica, me deu vontade de assistir, só que já com esse olhar mais crítico, digamos assim.

    Bjss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi! Então, a versão de 1995 é uma animação fantástica cuja ambientação é muuuuito impressionante, o único problema é ter um traço antiguinho, mesmo hausidahi. Mas com certeza, vale muito à pena ver a versão live action justamente pela tecnologia e os efeitos especiais. Espero que goste do filme!

      Beijinhos <3

      Excluir
  13. Vim aqui ver mais sobre o filme porque, mesmo com o trailler bem elaborado, ele não conseguiu me comprar de verdade. Me passou a ideia de só mais um filme futurista e tudo o mais. No começo do post, quando você explicou sobre o anime e a relação do filme e tudo o mais, eu pensei, ah, então deve super valer a pena assistir (eu não conhecia o anime, na verdade, é um campo que não conheço quase nada... rs), mas depois quando você explicou que a parte filosófica (que é a que mais me interessa) do filme foi amaciada e mastigada para a galera, aí perdeu a graça novamente. Acho que filmes se tornam épicos e questionadores na medida, quando conseguem ter as duas coisas, significado e apelo visual (não importa o gênero), como em Matrix (só o um tá! kkk), que mostrou uma revolução tecnológica incrível para a época e tbm trouxe em enredo carregado de significados. Aí, ache que A Vigilante do Amanhã caiu na rede de só mais um do gênero de novo... kkk
    Mas adorei o post e, quando der, vou ver o filme, de todo jeito. Mesmo que só depois que sair do cinema...
    xoxo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Rê! Ah, eu te entendo perfeitamente quanto à importância dos filmes trazerem significado e apelo visual e concordo, mas as minhas ponderações em geral foi mais por uma comparação com a obra original, porque ela é bem mais complexa. Não que o filme atual seja super cabeça (é, de fato, um filme hollywoodiano), mas ainda assim acho que traz questionamentos interessantes. De qualquer forma, se você acha que A Vigilante do Amanhã é só mais um, e já que você não conhece muito de animes, te indico a ver a animação de 1995, que está disponível na Netflix (e em qualquer site da internet rs) e é muitíssimo mais complexo e interessante. Esse filme sim foi uma revolução!

      Beijinhos

      Excluir
  14. Ainda não pude ver o filme por motivo de estar trabalhando pra caramba.
    Excelente resenha.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Willian, quando puder assista, vale muito à pena! Obrigada pelo elogio

      Excluir

Comente com o Facebook:

Newsletter

Inscreva-se na newsletter do bloguinho! ♥
* indicates required



Projetos do blog



I'll follow the Sun