Resenha: Sevenwaters - O Filho das Sombras

terça-feira, 4 de julho de 2017

Uma das melhores leituras do ano passado foi A Filha da Floresta, que recebi em virtude da minha parceria com a Butterfly Editora. Foi uma leitura tão prazerosa que eu não pude deixar de conferir a continuação: O Filho das Sombras, segundo volume da trilogia Sevenwaters.



Filho das Sombras conta a história de Liadan, uma jovem de curandeira que, assim como sua mãe, tem habilidades que podem mudar o destino de Sevenwaters para sempre. Enquanto seu povo está em guerra para retomar as ilhas sagradas dos bretões, e sua irmã envolve-se em um perigoso romance, Liadan é sequestrada por um temido grupo de mercenários, liderado pelo Homem Corvo. Com a missão de cuidar de um enfermo para, só então, talvez ser liberada, Liadan acaba se envolvendo com o grupo e suas histórias, se encantando por cada um e encantando a todos, sentido-se cada vez mais atraída por aquele ser das sombras. Contudo, Liadan não pode ignorar seu destino e as profecias constantemente repetidas pelos Seres da Floresta, que a alertam sobre os perigos dessa improvável aliança.



Ao ler a sinopse, nosso primeiro pensamento é que se trata de uma romantização problemática, afinal, a protagonista acaba criando empatia pelos seus sequestradores. É uma interpretação possível, mas quem conhece o trabalho da escritora sabe que uma das principais características da Trilogia Sevenwaters é justamente ir além das aparências, demonstrar o outro lado da moeda. Enquanto o primeiro livro se foca no relacionamento de uma irlandesa e um bretão, ambos preconceituosos quanto ao povo do outro, neste volume acompanhamos um bando de mercenários que fizeram coisas horríveis por dinheiro, mas cada um tem sua história, suas motivações, cada um é um ser humano completo. Nesse sentido, é interessante notar que a autora se preocupa não apenas com os protagonistas, mas com todos as personagens ao redor: Dog, Snake e muitos outros fora da lei são muito bem explorados para coadjuvantes, e a trama não se foca apenas em Liadan, nos deixando curiosos sobre o destino das pessoas ao seu redor.

A tristeza por esse livro não ser protagonizado por Sorcha se dissipou à medida que me encantei com a personalidade de Liadan, uma jovem forte, decidida e de grande coração. Se Sorcha não podia falar por causa de uma maldição, Liadan fala em dobro, não tem medo de demonstrar sua opinião e bate de frente com o temido Homem Corvo, que, por sua vez, é uma personagem muitíssima interessante, com várias nuances. Trata-se de um homem frio, mas com um olhar sincero, um homem de aparência cruel que, na verdade, muito se preocupa com todos ao seu redor, mais do que consigo mesmo. É curioso ver como o relacionamento dos dois se desenvolve e quais são as consequências, sobretudo pelos avisos dos Seres da Floresta.



O miticismo também está muito presente em O Filho das Sombras e acompanhamos crenças e rituais ao decorrer da leitura, o que deixa uma simples história de fantasia rica pelo aspecto cultural das lendas irlandesas. Além da religião, também descobrimos costumes da época e nos chocamos, por exemplo, com os casamentos arranjados e como uma mulher pode sofrer em uma sociedade machista, assim como certos acontecimentos podem mudar a personalidade e a vida de uma pessoa. Ao meu ver, o feminismo é muito presente na Trilogia e as figuras femininas são muito fortes, de modo que os livros trazem uma série de questionamentos e reflexões.

Ao final da leitura, não é surpresa que nos despedimos com saudade de O Filho das Sombras ao mesmo tempo que ansiamos por sua continuação. Os personagens nos fascinam cada vez mais na medida em que lemos e a autora desenvolve com maestria diversas tramas paralelas, construindo uma excelente saga repleta de miticismo, realidade e magia.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pela Butterfly Editora, que mantém uma parceria com o blog Finding Neverland. Curta a página da Butterfly Editora no Facebook e saiba mais sobre os títulos publicados.


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3 comentários

  1. Olá! Não conhecia a trilogia, achei a premissa do livro bem interessante.

    estante450.blogspot.com.br

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  2. Adorei o post, linda! Parabéns <3 bjoss

    www.falacah.com

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  3. Se tem uma coisa que eu gosto é quando existe o misticismo irlandês num livro. A Liadan lembra muito uma feiticeira, na verdade, foi isso que eu pensei quando você escreveu "filha de curandeira" ljkljkjkljkljklljkljkjkl. Amei o blog, quero mais resenhas de livros de fantasia como esse <3.

    https://banshuutv.blogspot.com.br/

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