Resenha: O Diário de Anne Frank


sexta-feira, 16 de abril de 2021

Dentre os tantos relatos assustadores da Segunda Guerra Mundial, um dos mais famosos registros é o Diário de Anne Frank, no qual a garota judia Anne Frank descreveu com precisão o esconderijo em que ela e sua família viveram, desde dificuldades de convívio até aspectos práticos sobre o confinamento. O que nem todos os comentários deixam transparecer é o quão emocionante e inspirador é esse relato, sendo uma leitura significativa não apenas para compreender melhor este período, mas refletir sobre amadurecimento e esperança.

resenha do livro O Diário de Anne Frank


O Diário de Anne Frank foi iniciado em 12 de junho de 1942 por Annelies Marie Frank pouco antes de sua família se esconder em um anexo secreto no escritório do pai de Anne, em Anne Frank. Seus pais, sua irmã, o doutor Albert Dussel e a família van Daan, ao todo oito judeus, permaneceram confinados até 04 de agosto de 1944, quando agentes da Gestapo descobriram o Anexo, separaram seus integrantes e os levaram para campos de concentração. Em seu Diário, Anne conta detalhadamente sobre a estrutura do Anexo, as situações vivenciadas, as opiniões políticas sobre os adultos, as notícias que chegavam sobre a Guerra, a ajuda que eles receberam e a tristeza em saber que nem todos os judeus tinham a "sorte" de se esconderem. No diário, constam as tristezas e alegrias de Anne Frank, seus alívios e preocupações, demonstrando como era o cotidiano dos judeus que se esconderam e lutaram bravamente para sobreviver ao Holocausto.

Antes da guerra, Anne Frank era uma menina feliz: descreve-se a si mesma como "namoradeira", conta fatos engraçados sobre a escola, fala sobre suas ambições e o que gosta de fazer. Assim sendo, o livro começa de um jeito bastante juvenil e, no início, os principais problemas são causados pela dificuldade na convivência com seus pais e seus vizinhos. Aos poucos, Anne nos apresenta um relato bastante detalhado do lugar em que viviam, das condições precárias, do racionamento de comida e das poucas notícias que tinham sobre a guerra lá fora. E, mesmo com todos os infortúnios, Anne Frank continuava com suas leituras, com seus estudos por correspondência, com sua prática de novos idiomas, reconhecendo como era privilegiada em relação aos judeus nos campos de concentração e sonhando com o dia em que acabaria a guerra e poderia viver sua vida intensamente, sem os limites impostos pelo Anexo Secreto. Ora, se Anne Frank conseguia tirar proveito naquela triste condição e ansiava pelo fim da guerra, por que nós, seja por qual motivo for, haveríamos de perder a esperança?

É incrível como os relatos de Anne Frank são profundos, sinceros e, ainda assim, extremamente bem escritos. Anne Frank descreveu sobre a guerra, a rotina no Anexo Secreto, a passagem para a adolescência, os problemas com a família, o que esperar do futuro, sobre como ela era vista pelo mundo e como ela via a si mesma. São dúvidas e questionamentos inerentes a qualquer menina de treze, quatorze anos, mas demonstrando um amadurecimento e uma vivência que impressionam justamente pelo fato de Anne ter se desenvolvido tanto durante a guerra, nos dois anos em que permaneceu escondida. Anne Frank tinha uma personalidade forte e sabia disso. Era inquieta, questionadora, sabichona e tinha consciência de todas as suas qualidades e defeitos, tanto que, se nos primeiros capítulos despeja sua raiva contra o mundo e se mostra incompreendida, ao final compreende que também é importante questionar a si mesma e, todos os dias, descobrir no que se pode melhorar.

resenha do livro O Diário de Anne Frank


O destino de Anne Frank é triste: o Anexo Secreto foi denunciado e Anne foi levada para o campo de concentração de Auschwitz, onde morreu quando tinha quinze anos. No entanto, Anne Frank permanece viva em seu Diário, tendo como legado não só um relato preciso sobre o esconderijo de sua família como também as dúvidas e anseios de uma pessoa tal qual eu e você, dando um "rosto" aos milhares de judeus que não escreviam diários, mas tinham suas vidas, suas personalidades, suas esperanças. Não se trata de um estudo sobre a segunda guerra, ou uma biografia "construída", mas sim, das lembranças e pensamentos escritos pela própria Anne Frank, que nos leva a refletir sobre a vida e a forma com que encaramos o mundo, demonstrando ser possível encontrar esperança mesmo nas horas mais sombrias.

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Três livros clássicos para ler em um dia


sexta-feira, 26 de março de 2021



As pessoas tendem a imaginar clássicos como livros grandes e antiquados, muito distantes da nossa realidade. No entanto, clássicos são atemporais justamente por não apenas retratar determinada época ou sociedade, mas sim, refletir sobre a humanidade como um todo. Quanto ao tamanho, é verdade que vários clássicos tem muitas páginas, mas estou aqui para comprovar que quantidade não significa qualidade e indicar três livros clássicos fantásticos que podem ser lidos em um único dia.

A Metamorfose




Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Se apenas a primeira frase não é suficiente para despertar seu interesse pelo livro, saiba que A Metamorfose é uma das mais importantes história da literatura e foi escrita por Franz Kafka, autor renomado por suas histórias complexas e instigantes. Sem mais, nem menos, através de uma narração realista sobre uma situação absurda, acompanhamos a história de Gregor, um caixeiro-viajante que se esforça para sustentar a sua família e certo dia acorda transformado em um repugnante inseto. A nova forma física impede Gregor de trabalhar e isso impacta profundamente a rotina da família, que aos poucos passa o tratar como uma barata, embora o protagonista continuasse com consciência humana.

O livro tem pouco mais de oitenta páginas e está disponível no site do Domínio Público para download. É legal!

O Grande Gatsby




Narrado em primeira pessoa por Nick Carraway, o personagem é um jovem comerciante que muda-se para West Egg e faz amizade com o excêntrico Jay Gatsby, um milionário que realiza extravagantes festas na sua mansão. Ninguém sabe sobre o passado de Gatsby e a origem de sua fortuna, mas na medida em que se tornam amigos Nick descobre que o milionário nutre um amor quase platônico por Daisy, casada com Tom Buchanan, promovendo as festas na esperança de um dia encontrá-la. Não é exatamente um romance: é uma história sobre decadência e glamour, amores encobertos por uma sociedade extremamente superficial ambientados numa época que mescla caos e prosperidade: os anos vinte.

O livro tem em torno de 220 páginas e foi publicado pela primeira vez em 1925. Da primeira vez que li O Grande Gatsby, achei uma história "normal" que não merecia tanta fama. Depois de reler o livro e entrar em contato com outras mídias, mudei minha opinião e com segurança afirmo que trata-se de um dos melhores livros do século XX.

A Revolução dos Bichos



A partir do sonho do porco Major em criar uma sociedade igualitária e autogovernante, os animais de uma fazenda fazem uma verdadeira revolução e expulsam o fazendeiro, passando a seguir uma doutrina chamada "animalismo", que, entre sete mandamentos, prega que "todos os animais são iguais". No início da revolução, todos os animais ganhavam a mesma quantia de ração e todos participavam das votações, sendo que os animais viam como principais lideranças os porcos "Bola de Neve", um líder justo e correto, e o ambicioso "Napoleão". Após um conflito sobre a construção de um moinho, Napoleão dá "um golpe de estado" em Bola-de-Neve e assume a administração da Granja dos Bichos, passando a distorcer cada vez mais as ideias de igualdade e união, favorecendo determinados grupos, banindo animais contrários ao regime, sendo corrupto e autoritário, até restar um único mandamento do antigo animalismo: todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

A Revolução dos Bichos tem pouco mais de 110 páginas e é simplesmente um dos meus livros preferidos, escrito pelo genial e assustador George Orwell. Você pode ler minha resenha completa dessa obra que escrevi para o Turma do Café.



Vocês já leram algum livro da lista? Qual deles é o melhor? Tem algum livro para indicar nos comentários? Espero que tenham gostado das indicações e sigam minhas recomendações de leitura!

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Resenha: A Pedra Celestial


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Oi, pessoal! Faz tempo que não temos resenha de um autor nacional por aqui, não é mesmo? Felizmente, hoje vim compartilhar minha opinião sobre um livro escrito por um brasileiro e que é um ótimo exemplar do gênero fantasia: A Pedra Celestial, do autor Daniel Monteiro!



Ivan é um jovem marinheiro que se juntou à tripulação do Capitão Balboa em uma viagem a caminho de riquezas. Com o auxílio dos aquáticos - seres humanoides que vivem nas águas, com o tom da pele azulado e mais força que humanos comuns -, Ivan acaba chegando em Namal-te-Raan, uma ilha tropical que esconde segredos muito mais valiosos que simples tesouros. Logo, Ivan e a tripulação descobrem que a ilha é habitada por humanos - uma sociedade guerreira e matriarcal que se reúne em torno da figura da Ligeia, reencarnação da deusa - e por uroncions, seres mágicos que viviam em relativa harmonia até Ivan, em um momento crítico, encontrar Pedra Celestial, objeto mítico que lhe concede energia sobre-humana vinda da lua. Nesse contexto, após uma série de aventuras, Ivan tem a chance de tentar conquistar a Lança Dourada que, segundo a lenda, seria resgatada pelo herói capaz de restaurar o equilíbrio do mundo.



A Pedra Celestial vai muito além do que sua sinopse propõe: é uma história completa, rica em detalhes, que se desenvolve em algumas décadas, nas quais acompanhamos o crescimento de Ivan, sua relação com o povo de Namal-te-Raan e segredos muito maiores que os que envolvem os habitantes da ilha, e sim, os rumos do mundo. A mitologia por trás de A Pedra Celestial é construída meticulosamente pelo autor, que cria um universo de criaturas fantásticas, objetos místicos e dá um sentido para a história, sem deixar pontas soltas. Nesse sentido, a lenda envolvendo a Lança Dourada, o significado da figura da Ligeia e a relação entre Ivan e os habitantes da ilha são interessantes e muito bem construídas.

Apesar de se tratar do segundo livro da trilogia A Lança Dourada, o livro não tem relação imediata com o antecessor "O Homem sem Signo" e pode ser lido de forma independente sem que isso atrapalhe a inserção do leitor. Em A Pedra Celestial, acompanhamos somente as aventuras de Ivan e seu envolvimento com as demais personagens, com destaque para Norah Celta, mulher de personalidade forte, e seu mentor, Velho Cid. Contudo, se o mérito do livro é a narrativa dinâmica e completa, que encobre diversos acontecimentos em um longo espaço de tempo, é justamente este o principal problema da leitura, já que a história - apesar de suficientemente detalhada - se passa rápido demais e ficamos com a impressão de que seriam necessárias mais páginas para um ritmo melhor. Isto, no entanto, não chega a prejudicar o livro, vez que a leitura é fluída e agradável.



A Pedra Celestial foi um dos poucos livros que li esse ano e é com bastante alegria que posso dizer que a leitura valeu à pena. A história é bem construída, os personagens são interessantes e acabamos nos envolvendo cada vez mais com o universo mágico proposto por Daniel Monteiro, autor que demonstrou bastante técnica ao entregar sua obra. É um livro dinâmico que recomendo para todos os leitores que curtem uma boa fantasia.

Recebi o convite do autor para participar do Book Tour e fiquei empolgada tanto pela temática da obra quanto pela proposta de compartilhar essa experiência literária com outros leitores através de comentários feitos no próprio livro. Você pode adquirir o livro pela Amazon e saber mais sobre a obra e a trilogia nesse link.

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Resenha: A Culpa é das Estrelas


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Publicado em janeiro de 2012, A Culpa é das Estrelas virou sucesso instantâneo e conquistou uma legião de fãs em todo o mundo, que se emocionaram com a triste história de Hazel e Gus, dois adolescentes que vivem um romance enquanto enfrentam uma das piores doenças da atualidade: câncer. Ao mesmo tempo que aborda as mazelas da doença, o livro também retrata amizade e amor, as inseguranças da adolescência e as alegrias do cotidiano. Com alguns anos de atraso, já conhecendo a história através do filme, realizei a leitura desse livro, tema da resenha de hoje.

Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288 páginas
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A Culpa das Estrelas conta a história de Hazel Grace Lancaster, uma adolescente que foi diagnosticada com um câncer terminal aos 13 anos e, mesmo sobrevivendo com o auxílio de um aparelho graças a uma droga experimental, sabe que muito em breve irá morrer, o que a deixa triste pela dor que causará às pessoas ao seu redor. Depressiva, ela é forçada pelos pais a participar de um grupo de apoio, onde conhece o carismático Augustus Waters, um jovem bonito e atlético, com a perna amputada, cuja maior preocupação é ser lembrado pelo mundo. Hazel e Gus iniciam uma amizade e, colocando a doença em segundo plano, passam por vários conflitos da adolescência, descobrem gostos em comum e, finalmente, se apaixonam, mesmo sabendo que um destino cruel os aguarda.



Talvez um dos mais aclamados exemplares do gênero Sick Lit (gênero literário com enfoque em doenças), A Culpa é das Estrelas traz o câncer de uma perspectiva dolorosa: a perspectiva de adolescentes, retratando a vida de crianças com câncer e daqueles que tem poucas chances de curá-lo. O fato de retratar o câncer na adolescência já distingue A Culpa é das Estrelas das demais obras, pois é um tema raro na literatura e deve ser abordado com delicadeza a ponto de não tornar a obra apenas aborrecida. No caso, a maioria das personagens são doentes e o câncer está sempre presente, mas o livro vai além de mostrar "vítimas do câncer" e procura mostrar que cada pessoa tem seu valor intrínseco e não precisa de grandes feitos para ser lembrado: basta deixar uma marca naqueles que vivem ao nosso redor. O que vale na luta não é apenas o resultado, mas aproveitar cada momento de nossa trajetória.

Durante alguns momentos da leitura, porém, fiquei me perguntando se não estava velha demais e não deveria ter lido A Culpa é das Estrelas na adolescência. Explico: ainda que o livro aborde de uma maneira bastante peculiar o convívio com o câncer e nos mostra que os pacientes não são limitados à doença, se não fosse esse argumento seria uma história clichê, de uma menina não muito popular mas inteligente (e que se acha mais inteligente que os outros), que conhece um rapaz bonito e perfeito, com sorriso torto e frases de conquistar o coração de qualquer um. O livro fala sobre aproveitar "os pequenos prazeres da vida" ao mesmo tempo em que tudo é cenográfico e as personagens vão para Amsterdam. É incrível como pessoas de dezesseis e dezessete anos mantém diálogos tão estruturados, como os protagonistas são mais inteligentes que todas as demais personagens. Também causa estranheza - pelo contexto - todo o arco de Amsterdam e acho muito "coisa de livro" como o autor que Hazel e Gus gostam insiste em se intrometer. São pequenas coisas que me desagradaram, mas acredito serem elementos comuns do gênero young adult e não prejudicarão a leitura dos amantes do gênero.



Quando escrevi minha crítica sobre o filme, conclui que A Culpa é das Estrelas superou minhas expectativas e vai muito além de um romance adolescente ou filme melodramático. Talvez pela espontaneidade dos atores, talvez pela irreverência com que tratam a doença, acabei por gostar muito mais do filme e achar que o livro, além de a construção das personagens ser um tanto forçada, é sim melodramático. Enquanto o filme celebra a vida, o livro faz até mesmo minhas reclamações sobre o alto padrão de vida das personagens perderem o sentido diante da fatalidade da doença. A Culpa é das Estrelas é, por incrível que pareça, uma leitura relativamente leve para o tema, com personagens carismáticos e momentos até mesmo engraçados, mas, pelo menos para mim, talvez pelo momento atual, o livro não foi emocionante como o livro, foi apenas triste.

A Culpa é das Estrelas pode trazer uma mensagem importantíssima sobre como marcamos as pessoas ao nosso redor, mas desta vez só me fez odiar mil vezes as estrelas por essa doença horrível chamada câncer. Cassius, da peça shakesperiana "Júlio César", pode dizer o que quiser, mas a culpa é das estrelas sim.


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Resenha: O Fantasma da Ópera


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Conhecida mundialmente também pelo famoso musical homônimo, o livro O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, é uma obra que alia o mistério ao romance em uma narrativa impregnada de suspense, crimes e acontecimentos com ares sobrenaturais. Numa tentativa de retomar o Book Challenge, resolvi ler esse clássico da literatura francesa, uma história de terror e de amor.

Fantasma da Ópera
Título: Phantom of the Opera (O Fantasma da Ópera)
Autor: Gaston,Leroux
Editora: Collector's Library
Páginas: 312 páginas
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Quando um maquinista é encontrado enforcado na Ópera de Paris, inicia-se um boato de que um fantasma vive no subterrâneo, assombrando o local. O Fantasma passa a chantagear os administradores para que lhe repassem uma quantia de dinheiro, requer um camarote especial e demonstra especial fascínio por Christine Daéé, cantora em ascensão que se destaca ao substituir a diva do espetáculo durante uma apresentação. Christine encanta a todos e conquista o coração do patrocinador do teatro, Visconde de Raol de Chagny, mas durante uma apresentação, misteriosamente Christine desaparece no palco, levando a acreditar que foi raptada pelo Fantasma da Ópera.



O Fantasma da Ópera foi escrito em uma época que histórias de detetive estavam em alta e o autor foi muito bem sucedido ao criar não uma história tradicional, mas um mistério, cuja premissa envolve um suposto fantasma que assombra a Ópera de Paris e comete uma série de crimes, culminando no desaparecimento fantástico de Christine Daaé. Há vários acontecimentos sobrenaturais sem grandes explicações e, no início, não sabemos se o Fantasma é de fato uma assombração ou uma pessoa real, o que deixa o leitor muitíssimo interessado em descobrir os segredos que rondam a história. No entanto, o aspecto principal do livro é o amor obsessivo do Fantasma por Christine Daaé, atriz em ascensão que se vê dividida entre o fascínio por seu sequestrador e seu romance de infância, Raol. Enquanto acompanhamos a tentativa de Raol em salvar Christine, acompanhamos o envolvimento da cantora com o Fantasma e como ela o enxerga com um misto de fascínio e medo, acreditando que ele é o "Anjo da Música" do qual seu pai falava. Mais interessante que o amor puro e singelo que Raol sente por Christine, é o sentimento que ela desperta no Fantasma, que também se vê obcecado pela artista e deseja ardentemente ser amado por ela.

Confesso que, talvez pela imagem que tinha dos musicais, não consegui me afeiçoar pelo romance entre o Fantasma e Christine e tampouco criei qualquer empatia pelo Fantasma durante um bom tempo, afinal, o mesmo pode até ser visto como um serial killer e seu amor obsessivo por Christine não deixou dúvidas sobre sua natureza má. Foi então que, nos últimos capítulos, vemos o Fantasma refletir sobre a primeira vez que se sentiu amado, bem como lemos uma bela passagem que nos faz pensar que tudo que ele queria era ser alguém comum, e que seria um gênio da humanidade se não fosse sua aparência e a repulsa que a mesma invoca. No fim, acabei por achar uma história bonita e impactante, tendo me envolvido de verdade com todas as emoções que as personagens despertam.



No exemplar publicado pela editora L&PM, a sinopse inicia com a frase somente a música e o amor são imortais. Tal frase capta perfeitamente a essência do livro. A história é uma obra bem escrita com um mistério envolvente, mas não nos fascina pelos acontecimentos sobrenaturais, pela investigação, pelos segredos propriamente. O Fantasma da Ópera nos fascina pelas próprias personagens, pelo romance de Christine estar tão estritamente relacionado à música, pelo antagonista da história ser um ser complexo que se apresenta como vil, apaixonado e obcecado, não obstante ser um verdadeiro Anjo da Música.

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Resenha: A Mão Misteriosa


terça-feira, 7 de novembro de 2017



Oi pessoal! Não é segredo que uma das minhas autoras preferidas é Agatha Christie, então resolvi publicar uma resenha de uma obra diferenciada e não tão conhecida da Rainha do Crime: A Mão Misteriosa.

mão misteriosa
Título: A Mão Misteriosa
Autora: Agatha Christie
Editora: L&PM
Páginas: 224 páginas
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Jerry e Joana são dois irmãos que mudam-se para uma pequena cidade inglesa, chamada Limstock. Jerry está recém recuperado de um acidente e Limstock parece ser a cidade perfeita para relaxarem, visto que é um vilarejo pequeno, pacato e onde todos se conhecem. Quando recebem uma carta anônima de extremo mal gosto, pensam que se trata de uma brincadeira isolada aos recém chegados, mas logo descobrem que outros moradores também estão recebendo cartas no mesmo estilo. O que inicia como uma incomodação logo se torna um problema sério quando uma pessoa aparentemente se suicida por causa das acusações de uma carta, levando a crer que as motivações do autor são um pouco mais frias e preocupantes do que uma brincadeira cruel.

mão misteriosa


Se Agatha Christie escreve bons mistérios, algo que a autora faz muito bem quando quer é explorar a natureza humana, dar motivações e personalidades convincente para seus personagens. Em A Mão Misteriosa, a maior parte do livro é reservada para nos ambientarmos em Limstock e conhecermos cada morador do vilarejo, de modo que o leitor cria afinidades, fica a par de algumas fofocas e questiona-se quem é o responsável pelas cartas anônimas e qual o objetivo. Se tal instrumento parece infantil para ser usado em crimes, logo vamos entender que é plenamente justificável e, na verdade, que não estamos analisando o caso da mesma forma que a eficiente Miss Marple, a curiosa velhinha de presença constante nos livros de Agatha Christie.

mão misteriosa


Vez que Miss Marple aparece apenas no final do livro, acompanhamos Jerry fazendo o papel de detetive, auxiliando a polícia, conversando com os conhecidos e tentando descobrir quem é o criminoso. Assim como sua irmã, Jerry é um personagem bastante carismático e talvez por isso seja fácil ler Mão Misteriosa, que proporciona uma leitura leve e divertida, mesmo que não haja tantos acontecimentos emocionantes no livro.

A Mão Misteriosa não entra na lista dos melhores livros de Agatha Christie, mas certamente possui uma história interessante e é um livro muito gostoso de se ler, diferenciando-se da maior parte da obra da autora justamente pelo clima mais casual - o que não podemos deixar de ter em mente, é claro, é que se trata de um crime.

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Resenha: Tragédia em Três Atos


segunda-feira, 7 de agosto de 2017



Sou fanática por Agatha Christie e nas férias passadas não pude perder a oportunidade de ler alguns livros da autora – que por sinal, comprei por impulso, sem nem ao menos saber a história. Entre os três novos livros, minha primeira leitura foi Tragédia em Três Atos, apresentando crimes sem solução com uma atmosfera teatral.

Livro Tragédia Três Atos Agatha Christie
Título: Tragédia em Três Atos
Autora: Agatha Christie
Editora: L&PM
Páginas: 256 páginas
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O Primeiro Ato ocorre na reunião social promovida pelo antigo ator Charles Cartwright, quando o pacato reverendo Babbingon, morre misteriosamente. No início a maioria pensa que a vítima morreu de causa natural e esta teoria é reforçada pelo fato de não haver um possível suspeito, mas com o assassinato de outro convidado em uma nova ocasião, com quase todos os convidados do encontro anterior, fica claro que todos estão diante de um assassino cruel e perspicaz. O mistério chama a atenção de Charles Cartwright que conta com seu amigo Sr.Satterthwaite e a adorável jovem Egg para resolver o caso - mas claro, no fim recebem a ajuda do famoso detetive belga, Hercule Poirot.

Livro Tragédia Três Atos Agatha Christie


Em Tragédia em Três Atos, acompanhamos uma sequência de crimes aparentemente sem solução e cuja ligação estabelece-se apenas pela semelhança das duas mortes e pelas testemunhas presentes. Durante a leitura (rápida e envolvente, como todos os livros da Agatha), tentamos compreender a personalidade dos personagens e esta tarefa nos é facilitada à medida que a autora apresenta somente o necessário, com descrições sucintas, mas suficientes para imaginarmos os envolvidos e quem sabe entender suas motivações. Claro que ficaremos atentos a qualquer detalhe que nos leve a resolver o mistério e no final entenderemos o raciocínio lógico de Poirot, mas pela surpresa e dificuldade, talvez devêssemos deixar de lado nossa vontade de ser detetive e simplesmente apreciar o espetáculo, de curta duração.

Livro Tragédia Três Atos Agatha Christie


Apesar de Hercule Poirot ser meu detetive preferido, também adoro quando Agatha desenvolve suas histórias a partir de outros detetives. No caso, quem 'banca o detetive' é Charles Cartwright, uma mocinha adorável e o Sr. Satterthwaite, observador por natureza que busca entender os personagens envolvidos. As qualidades de Satterthwaite seriam ideais para solucionar o caso, mas, para minha agradável surpresa, o terceiro ato é inteiramente protagonizado por Hercule Poirot, que mais uma vez usa suas células cinzentas para chegar a uma conclusão brilhante.

Com um final surpreendente e um desenrolar leve e interessante, Tragédia em Três Atos pode não estar entre os melhores livros da autora, mas certamente tem a mesma qualidade que os demais romances de Agatha Christie.

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Resenha: Sevenwaters - Filho das Sombras


terça-feira, 4 de julho de 2017

Uma das melhores leituras do ano passado foi A Filha da Floresta, que recebi em virtude da minha parceria com a Butterfly Editora. Foi uma leitura tão prazerosa que eu não pude deixar de conferir a continuação: Filho das Sombras, segundo volume da trilogia Sevenwaters.

Livro Filho das Sombras Trilogia Sevenwaters
Título: Filho das Sombras
Autora: Juliet Marilllier
Editora: Butterfly
Páginas: 608 páginas
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Filho das Sombras conta a história de Liadan, uma jovem de curandeira que, assim como sua mãe, tem habilidades que podem mudar o destino de Sevenwaters para sempre. Enquanto seu povo está em guerra para retomar as ilhas sagradas dos bretões, e sua irmã envolve-se em um perigoso romance, Liadan é sequestrada por um temido grupo de mercenários, liderado pelo Homem Corvo. Com a missão de cuidar de um enfermo para, só então, talvez ser liberada, Liadan acaba se envolvendo com o grupo e suas histórias, se encantando por cada um e encantando a todos, sentido-se cada vez mais atraída por aquele ser das sombras. Contudo, Liadan não pode ignorar seu destino e as profecias constantemente repetidas pelos Seres da Floresta, que a alertam sobre os perigos dessa improvável aliança.

Livro Filho das Sombras Trilogia Sevenwaters


Ao ler a sinopse, nosso primeiro pensamento é que se trata de uma romantização problemática, afinal, a protagonista acaba criando empatia pelos seus sequestradores. É uma interpretação possível, mas quem conhece o trabalho da escritora sabe que uma das principais características da Trilogia Sevenwaters é justamente ir além das aparências, demonstrar o outro lado da moeda. Enquanto o primeiro livro se foca no relacionamento de uma irlandesa e um bretão, ambos preconceituosos quanto ao povo do outro, neste volume acompanhamos um bando de mercenários que fizeram coisas horríveis por dinheiro, mas cada um tem sua história, suas motivações, cada um é um ser humano completo. Nesse sentido, é interessante notar que a autora se preocupa não apenas com os protagonistas, mas com todos as personagens ao redor: Dog, Snake e muitos outros fora da lei são muito bem explorados para coadjuvantes, e a trama não se foca apenas em Liadan, nos deixando curiosos sobre o destino das pessoas ao seu redor.

A tristeza por esse livro não ser protagonizado por Sorcha se dissipou à medida que me encantei com a personalidade de Liadan, uma jovem forte, decidida e de grande coração. Se Sorcha não podia falar por causa de uma maldição, Liadan fala em dobro, não tem medo de demonstrar sua opinião e bate de frente com o temido Homem Corvo, que, por sua vez, é uma personagem muitíssima interessante, com várias nuances. Trata-se de um homem frio, mas com um olhar sincero, um homem de aparência cruel que, na verdade, muito se preocupa com todos ao seu redor, mais do que consigo mesmo. É curioso ver como o relacionamento dos dois se desenvolve e quais são as consequências, sobretudo pelos avisos dos Seres da Floresta.

Livro Filho das Sombras Trilogia Sevenwaters


O miticismo também está muito presente em O Filho das Sombras e acompanhamos crenças e rituais ao decorrer da leitura, o que deixa uma simples história de fantasia rica pelo aspecto cultural das lendas irlandesas. Além da religião, também descobrimos costumes da época e nos chocamos, por exemplo, com os casamentos arranjados e como uma mulher pode sofrer em uma sociedade machista, assim como certos acontecimentos podem mudar a personalidade e a vida de uma pessoa. Ao meu ver, o feminismo é muito presente na Trilogia e as figuras femininas são muito fortes, de modo que os livros trazem uma série de questionamentos e reflexões.

Ao final da leitura, não é surpresa que nos despedimos com saudade de O Filho das Sombras ao mesmo tempo que ansiamos por sua continuação. Os personagens nos fascinam cada vez mais na medida em que lemos e a autora desenvolve com maestria diversas tramas paralelas, construindo uma excelente saga repleta de miticismo, realidade e magia.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pela Butterfly Editora, que mantém uma parceria com o blog Finding Neverland. Curta a página da Butterfly Editora no Facebook e saiba mais sobre os títulos publicados.


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Resenha: Paixão e Crime


sexta-feira, 17 de março de 2017



Quem acompanha o blog nas redes sociais e leu a página de parceiros já sabe: o Finding Neverland fez uma parceria muito especial com a Luva Editora, uma editora nova no mercado, com a importante missão de disseminar a literatura brasileira. Para a primeira resenha, a Luva enviou o livro Paixão e Crime, do autor João Paulo Balbino.

Livro Paixão e Crime
Título: Paixão e Crime
Autor: João Paulo Balbino
Editora: Luva
Páginas: 72 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou pelo site da editora


Paixão e Crime é uma coletânea de quatro contos envolvendo romances e uma pitada de violência. Um personagem resolve transcrever os relatos contidos em quatro fitas de um policial que tinha o curioso hobby de gravar depoimentos sobre crimes, e é assim que temos acesso às histórias. Todas as histórias são ambientadas em cidades brasileiras e apresentam personagens de diferentes estilos de vida. No primeiro relato, uma psicóloga divorciada envolve-se com o namorado de uma cliente, mas ocorre um assassinato e a protagonista passa a ser a principal suspeita. Já no terceiro relato, a protagonista é uma prostituta serial killer que apavora-se ao saber que sua última vítima pode estar viva. Cada trama tem suas peculiaridades e é interessante à sua maneira, mas o certo é que sempre ocorre uma tragédia.

Livro Paixão e Crime


A escrita é competente e instigante, de modo que devoramos o livro em pouco mais de uma hora. Apesar de eu já imaginar alguns dos desfechos (talvez por ser grande leitora de romances policiais?), achei muito interessante acompanhar o desenrolar das tramas e cada conto é muito bem desenvolvido, é impressionante como o autor nos entrega histórias com início, meio e fim e ainda sugere interligá-las ao final. É uma leitura dinâmica e potencializada pela ótima edição da Luva, que proporciona uma fonte confortável e nos entrega um livro de ótima qualidade.

Entre todos os contos, o que mais gostei foi "Misterioso homem em minhas fotos". Na história, Anita contrata um detetive particular para investigar a vida de um pretendente que conheceu na internet, mas o detetive observa que em todas as fotos tiradas durante a investigação há um misterioso homem, que não é seu namorado, seguindo Anita. Trata-se de um conto bastante equilibrado e que estimula o leitor a descobrir o que vai acontecer. Importante ressaltar que, apesar do cometimento dos crimes, não achei nenhum conto (excetuando Helena F) apelativo, pois todos retratam crimes passionais ou que poderiam acontecer na vida real.

Livro Paixão e Crime


Mesclar paixão com crime pode parecer um tanto polêmico para alguns, mas é inegável que o tema desperta emoções e o autor soube utilizar isso a seu favor, nos entregando contos diretos e interessantes para quem é fã de literatura policial ou quer se aventurar no gênero. Sendo assim, recomendo o livro Paixão e Crime, por ser uma leitura atrativa e envolvente.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pela Luva Editora, parceira do blog Finding Neverland. Curta a página da editora no Facebook e fique por dentro das novidades!

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Resenha: Uni-Duni-Tê


domingo, 19 de fevereiro de 2017



Eu gosto muito de romances policiais, mas fazia muito tempo que não lia um livro mais contemporâneo, caracterizado como um verdadeiro thriller psicológico. Graças à Editora Record, pude conferir um dos maiores best sellers do gênero: Uni-Duni-Tê, do autor M. J. Arlidge.

Livro Uni-Duni-Tê
Título: Uni-Duni-Tê
Autor: M. J. Arlidge
Editora: Record
Páginas: 322 páginas
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Em seu primeiro capítulo, Uni-Duni-Tê nos apresenta um casal de namorados presos em um terreno abandonado, expostos ao frio e à fome, com uma única saída: para viver, é necessário matar o outro. Esse é apenas o primeiro de uma série de crimes sórdidos, no qual o verdadeiro assassino aprisiona duas vítimas em um local de difícil acesso deixando apenas uma arma e a terrível escolha: matar ou morrer. Cabe à detetive Helen Grace e sua equipe descobrir quem é a mente doentia por trás desse jogo e impedir que o criminoso faça novas vítimas.

Livro Uni-Duni-Tê


Uni-Duni-Tê é um thriller psicológico que deixa o leitor realmente apreensivo com as situações expostas, afinal, normalmente as vítimas tem algum vínculo e ficam alguns dias passando frio, fome e sede, atormentadas pela ideia de morrer ou passar o resto de suas vidas carregando o peso do assassinato. Para criar essa atmosfera, o escritor não mede palavras e descreve de forma bem realista as péssimas condições às quais seus personagens estão expostos, criando um retrato deplorável. As vítimas não apenas definham cada vez mais fisicamente, como também o sobrevivente tem muitas dificuldades em lidar com o trauma, de modo que Uni-Duni-Tê pode até ser uma leitura rápida - graças ao tamanho reduzido dos seus capítulos e à história interessante -, mas não é aconselhável para pessoas muito sensíveis.

Com 332 páginas, Uni-Duni-Tê poderia ser apenas um livro reunindo cenas grotescas, porém, a trama é bem construída e o mais interessante é acompanhar o trabalho investigativo dos policiais, liderados pela detetive Helen Grace. Helen é uma mulher bem sucedida profissionalmente e vista como um exemplo para todos, porém, esconde traumas do passado e tem dificuldades em se relacionar. Através da leitura, também conhecemos mais sobre os policiais integrantes da equipe e, em alguns capítulos narrados em primeira pessoa, o passado de uma personagem misteriosa, que nos deixa intrigados para descobrirmos sua real identidade.

Livro Uni-Duni-Tê


Apesar de ter um final não muito impactante, Uni-Duni-Tê é uma leitura bastante tensa e recheada de adrenalina e mistérios, excelente para quem curte thrillers psicológicos, histórias de investigação ou simpatiza com a premissa estilo "Jogos Mortais". É um livro rápido e eletrizante, que não pode ser classificado senão como um suspense de qualidade.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pelo Grupo Editorial Record, que durante 2016 promoveu ações especiais em conjunto com o blog Finding Neverland. Curta a página no Facebook e fique por dentro das novidades!

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Resenha: O Livro de memórias


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



Não li muitos livros sick lit e há anos que não leio romances adolescentes, mas reconheço quando um livro do gênero é bom. Graças a uma ação especial com a Companhia das Letras, pude ler O Livro de memórias, da escritora Lara Avery.

O Livro de Memórias
Título: O Livro de Memórias
Autor: Lara Avery
Editora: Seguinte
Páginas: 352 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou Saraiva


Sammie é uma garota inteligente que sempre priorizou os estudos em detrimento da sua vida social, já que seu maior sonho era sair da pequena cidade onde morava para estudar direito na famosa Universidade de Nova York. No entanto, os planos de Sammie mudam drasticamente quando a garota descobre ser portadora da doença Niemann-Pick C (NP-C), uma grave doença genética capaz de definhar o corpo e apagar a memória. Para lidar com a doença e ter a chance de perseguir o futuro que sempre quis, Sammie começa a escrever um livro de memórias, anotações e pensamentos do cotidiano que escreve para si mesma, ou melhor, para a "Sam do futuro".

O Livro de Memórias


Apesar de ser um sick lit (gênero literário com enfoque em doenças), a verdade é que O Livro de Memórias é uma história bem jovial e isso se percebe até na linguagem utilizada pela protagonista, já que o livro é narrado em primeira pessoa. Excetuando os problemas que são inerentes da sua doença, os problemas de Sammie são os mesmos de um adolescente qualquer e é fácil identificar-se com a personagem, que traz várias referências à cultura pop e é bastante divertida. Em O Livro de Memórias, Sammie nos conta sobre suas amizades, os desafios na escola, seu primeiro romance e a insegurança quanto ao futuro, cada vez mais nebuloso e incerto.

O Livro de Memórias


Além da protagonista ser super cativante, a relação entre Sammie e os demais personagens é relativamente bem construída. Sammie faz amizade com sua dupla de debates - Maddie, uma menina de personalidade forte líder do clube LGBT -, se aproxima de Stuart, o garoto dos seus sonhos e volta a falar com seu amigo de infância, Cooper, do qual se afastou há muito tempo. As personalidades dos coadjuvantes são bem delineadas, mas o grande enfoque mesmo é na Sammie, que compartilha todos os seus sentimentos conosco. A verdade é que a própria personalidade dela - determinada e persistente - acaba "negando" a doença e acredito que não seja uma leitura tão emocionante quanto, talvez, A Culpa é das Estrelas, porém acompanhamos várias situações ruins, como esquecimento e princípio de demência.

O Livro de Memórias


O Livro de memórias é, de certo modo, uma história de superação. Apesar do plano de fundo ser a terrível Niemann-Pick C, o livro retrata uma pessoa com dificuldades em atingir os seus sonhos e, o que é mais legal, buscando alternativas e também aproveitando mais as coisas boas da vida, como jogar tênis, passear pelo lago, conversar com os amigos. Ainda que a doença de Sammie fatalmente piore pouco a pouco, o que acompanhamos no livro é uma evolução, o amadurecimento de uma pessoa distante que só pensava no futuro, mas acabou aprendendo a valorizar o presente.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pela Companhia das Letras e faz parte do catálogo da Editora Seguinte. Curta a página da Companhia das Letras no Facebook e saiba mais sobre os títulos publicados.

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Retrospectiva Literária 2016


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017



Oi, pessoal! Aqui no Finding Neverland sempre fazemos retrospectivas temáticas sobre o ano que passou, e a minha preferida é a retrospectiva literária, na qual analiso minhas leituras do ano passado, quais os livros que eu li e se cumpri uma boa meta. Hoje vim compartilhar minha retrospectiva literária de 2016, com vinte leituras ♥

livros


Por conta das parcerias firmadas com o blog, houve uma certa mudança no meu perfil de leituras desse ano: deixei um pouco de lado os clássicos e priorizei leituras mais atuais, publicadas pelas editoras parceiras. Para mim, isso foi ótimo! Conheci novos autores, realizei leituras que não teria "encontrado" por mim mesma e expandi meus horizontes, valorizando também a literatura contemporânea e descobrindo que tem muita coisa boa sendo produzida ultimamente. Só tenho a agradecer à Butterfly Editora", à Editora Hedra, ao Grupo Autêntica e especialmente ao Grupo Editorial Record, que ainda não é um parceiro oficial, mas me presenteou com nada menos que doze livros esse ano. Muito obrigada!

livros parceria


Na foto acima, estão todos os livros que recebi dos parceiros, à exceção de A Procura de Vida Inteligente, que recebi de um Book Tour, e curiosamente do único livro que "aceitei" (com aspas mesmo, contrariada!) receber em e-book. Esse e-book é, talvez, o melhor livro que li em 2016: Pretérito Imperfeito, do Gustavo Araujo. O Gustavo é um autor brasileiro cuja escrita é simplesmente deliciosa, uma história aparentemente simples, mas com elementos do que chamamos realismo fantástico. Já escrevi minha resenha e reitero: é um livro maravilhoso que indico para todo mundo.

livros parceria


Das vinte leituras realizadas, dezesseis tiveram suas resenhas publicadas no blog. As exceções ficaram por conta de três livros da série A Torre Negra e, vejam só, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, que ainda não consegui pensar numa maneira de expressar minha opinião. Para mim, isso também é um marco bem importante, já que nos anos anteriores prometi várias resenhas que no fim não foram publicadas. Fiquei bem feliz com meu desempenho enquanto blogueira e, claro, com o resultado e a recepção de vocês.

livros parceria


Em 2017, pretendo ler todas as leituras que ficaram para trás esse ano (e pior que são muitas, hehehe) e voltar com o Book Challenge, porque é uma forma bem interessante de estudar inglês e senti falta desse desafio nos últimos anos. Vocês podem esperar tanto livros clássicos quanto atuais nas minhas resenhas de 2017! E vocês, como são as metas literárias para o novo ano?

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Resenha: Warcraft


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

World of Warcraft é talvez o mais famoso mmorpg e conquistou milhares de fãs, tendo seu universo expandido em livros e, mais recentemente, no filme. Apesar de não ter tido contato com o jogo e suas histórias anteriormente, graças ao Grupo Editorial Record pude conferir Warcraft, livro do filme oficial.

Resenha livro Warcraft
Título: Warcraft
Autora: Christie Golden
Editora: Galera Record
Páginas: 266 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou Saraiva


O mundo dos orcs estava devastado: pouca comida, pouca água, terras impossíveis de se plantar. Incentivados pelo feiticeiro Gul'dan e liderados pelo poderoso Mão Negra, a Horda de orcs é transportada para Azeroth, mundo pacífico no qual humanos viviam em harmonia com outras raças. É nesse contexto que acompanhamos a história de Durotan, líder honroso que aceita seguir Mão Negra em busca de novas oportunidades para seu clã e família, mas se vê envolto numa sangrenta guerra, graças à Vileza que domina os orcs e os fazem tomar brutalmente as terras humanas. A guerra chega aos domínios do rei Llane e põem em perigo os habitantes da cidade Kirin Tor, cabendo à Lothar, o Leão de Azeroth, pensar em estratégias que possam deter essa ameaça.

O grande acerto do livro é retratar diferentes pontos de vista, mostrando um conflito no qual não há lado certo ou errado. Em que pese muitos orcs estarem tomados pela vileza, uma força poderosa e corruptiva que inclusive pode ter destruído o mundo deles, também acompanhamos a comovente história de Durotan, líder do clã lobo de Gelo, preocupado com o futuro do seu clã e de seu filho recém nascido. Acompanhamos orcs violentos e impulsivos, mas também uma estrutura familiar na qual existe amor e igualdade, relações atingidas por traição e outras pautadas na honra. Obviamente, mesma análise pode ser feita quanto aos humanos, vez que cada um tem diferentes sentimentos e intenções.

Resenha livro Warcraft


Para retratar com precisão as diferentes perspectivas, a narrativa intercala capítulos retratando orcs e humanos e todos os personagens são bem desenvolvidos, com destaque para Durotan e Lothar, um importante cavalheiro de Kirin Tor. Há também o cativante mago Hadgar e figuras misteriosas e importantes como Medivh, mas a ligação entre orcs e humanos é abordada pela meia orc Garona, antiga escrava de Gul'dan que é capturada pelos humanos. Além do texto evidenciar as diferentes motivações, as cenas de batalha são muito bem descritas e detalhadas e o livro envolve vários mistérios e estratégias interessantes de acompanhar, de modo que não há como saber o desfecho e sequer como torcer para apenas um lado.

Como qualquer guerra, Warcraft envolve perdas, disputas pelo poder e grandes sacrifícios, sendo uma consequência do desespero e da falta de diálogo entre os diferentes povos. Além das reflexões, é interessantíssimo observar como as histórias vão se intercalando e como a narrativa consegue ambientar o leitor naquele universo, de modo que Warcraft é uma leitura empolgante, dinâmica e, creio eu, consegue captar bem o espírito dos jogos, sendo capaz de conquistar um novo público além dos fãs.

Esse exemplar foi carinhosamente cedido pelo Grupo Editorial Record, que durante 2016 promoverá ações especiais em conjunto com o blog Finding Neverland. Curta a página no Facebook e fique por dentro das novidades!

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Resenha: Anjos do Universo


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Até pouco tempo atrás, nunca tinha lido um livro islandês. Felizmente, comecei lendo um dos autores mais importantes da Islândia: Einar Már Gudmundsson, expoente da literatura islandesa contemporânea e ganhador do prêmio nórdico de literatura 1995. Graças à minha parceria com a Editora Hedra, pude conferir Anjos do Universo, leitura de ótima qualidade.

resenha livro Anjos do Universo
Título: Anjos do Universo
Autor: Einar Már Gudmundsson
Editora: Hedra
Páginas: 202 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou pelo site da editora


Sendo uma narrativa póstuma do protagonista, Anjos do Universo conta a história de Páll, que desde a adolescência demonstra sinais de esquizofrenia. Intercalando realidade e alucinações, boas lembranças da infância e uma vida adulta quase inexistente, o livro traz as reflexões e dificuldades de Páll, sua relação com a família e seu aprisionamento no hospital psiquiátrico Keppler, onde cada vez mais o protagonista se afasta da realidade. Ao mesmo tempo em que conta sobre as peculiaridades da vida de Páll e a gravidade de sua doença mental, Anjos do Universo propõe um retrato da capital da Islândia do século XX e, mais ainda, da própria condição humana, à medida em que conseguimos transportar algumas reflexões para nossa própria sociedade.

Com diversas referências culturais dispostas por um narrador que tem como ídolos os Beatles outros nomes da música, há uma frase de David Bowie que muito relaciona-se com o livro: "day after day, they take some brain away". Isso porque o livro é dividido em duas partes, apresentando ao autor as aventuras de uma criança e pensamentos de um adolescente que leva uma vida quase normal, mas pouco a pouco vê sua doença agravada, tornando-se uma pessoa agressiva e com dificuldades de se controlar. Na segunda parte do romance, descobrimos mais sobre a internação de Páll no hospital psiquiátrico Keppler e o tratamento dispensado aos doentes mentais, o preconceito da sociedade e a indiferença da família e dos próprios médicos. Afastado de todos e convivendo com seus próprios delírios, Páll fica em dúvida sobre sua própria condição enquanto humano.

"É evidente que entendo a realidade tão pouco quanto ela me entende. Quanto a isto, estamos quites. Porém, ela não me deve explicação alguma a respeito de qualquer coisa, ao passo que eu continuo tendo que responder perante ela".


No que tange à parte cultural e à própria narrativa, o livro me lembrou O Verde Violentou o Muro, porque o narrador descreve de uma maneira despretensiosa diversas peculiaridades de Reiquiavique e passagens até mesmo engraçadas sobre sua vida, em fluxos de consciência, o que torna a leitura rápida e bastante agradável. Nesse sentido, cabe mencionar que o livro não segue uma ordem cronológica, tratando-se mais de uma reflexão sobre o protagonista - que por sua vez, baseia-se na vida do irmão do autor, Pálmi Örn - do que uma história com início, meio e fim. Ademais, diferentemente do livro mencionado, Anjos do Universo tem um viés mais existencialista e muitas vezes a leitura assume um tom sério, nos entristecendo pela condição de Páll e demais deficientes mentais. Afinal, trata-se de alguém que não cuidou bem de seus anjos.

resenha livro Anjos do Universo


Anjos do Universo é o primeiro livro que leio sobre esquizofrenia. Parece-me que os portadores da doença são solenemente ignorados no dia-a-dia e pouco se fala sobre essa doença na nossa sociedade - quando estudada, é sob os aspectos técnicos, mas não sobre a humanidade do indivíduo. A esquizofrenia é um transtorno mental que gera dificuldades em distinguir a ilusão da realidade, e isso fica muito claro com a narrativa de Einar Már Gudmundsson. Mais do que explicar o que é a esquizofrenia, o autor nos transporta à mente de Páll e mostra a pessoa escondida por trás do louco, de uma maneira bastante interessante e envolvente. Trata-se de uma leitura de qualidade, de modo que só posso agradecer à Hedra pela oportunidade.

Quer comprar Anjos do Universo? Leitores do Finding Neverland têm desconto em livros da seção de literatura estrangeira comprando por esse link!


Esse exemplar foi carinhosamente cedido pela Editora Hedra, que mantém uma parceria com o blog Finding Neverland. Curta a página da Editora Hedra no Facebook e saiba mais sobre os títulos publicados.

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Resenha: Voo Fantasma


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Assim que recebi o livro Voo Fantasma do Grupo Editorial Record, me animei com a sinopse, visto que a história prometia ser uma sinopse de Indiana Jones com a saga de Jason Bourne. Ao terminar a leitura, confirmo que a promessa foi cumprida e que foi muito interessante acompanhar a missão de Will Jaeger em Voo Fantasma, livro de ficção escrito por Bear Grylls.

resenha livro Voo Fantasma
Título: Voo Fantasma
Autor: Bear Grylls
Editora: Record
Páginas: 462 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou Saraiva


Voo Fantasma conta a história de Will Jaeger, um soldado atormentado pela morte/desaparecimento da família, que já no primeiro capítulo encontra-se enclausurado em uma terrível prisão em Brioko, na África. Quando é resgatado por seu amigo Raff, porém, Will logo se vê diante uma nova missão: liderar a equipe que investigará o descobrimento de um antigo avião da Segunda Guerra Mundial no meio da Amazônia. A missão será gravada para virar um reality show e dez pessoas compõem a equipe que deverá encontrar o Junker Ju-390, mas circunstâncias misteriosas influenciam na missão: a morte do antigo líder, arquivos históricos de cunho nazista e uma conspiração envolvendo o ressurgimento do Terceiro Reich de Hitler. Além dos perigos inerentes da selva amazônica, com o tempo Will percebe que alguém não quer o sucesso da missão.

resenha livro Voo Fantasma


Voo Fantasma poderia ser apenas mais um livro de aventura comum, se não fosse por seu autor: Bear Grylls, ex servidor das forças especiais britânicas, famoso pelo reality show À Prova de Tudo e mestre em táticas de sobrevivência. Com um grande história de aventuras e tendo vivenciado várias experiências descrita no livro, o autor narra todas as adversidades pelas quais seu personagem passa de forma detalhada, de modo que fica realmente interessante ler sobre o salto de paraquedas, as armas utilizadas, o que fazer quando se está perdido no meio da selva amazônia. Claro, há algumas situações meio forçadas e algumas coincidências convenientes (uma tribo isolada na qual um índio fala inglês?), mas o fato de Voo Fantasma ser escrito por alguém que tem vivência no assunto dá um toque de realismo difícil de encontrar em livros do gênero.

A narrativa em primeira pessoa é estruturada com parágrafos curtos e, apesar das suas 462 páginas, a leitura é bastante dinâmica, cada capítulo encerra em um momento crítico, impulsionando o leitor a ler ainda mais. Aliado a isso, há o interessante mistério envolvendo um avião de guerra na floresta amazônico, uma organização secreta tentando impedir a missão de Will e estranhos documentos que indicam o ressurgimento do Terceiro Reich de Hitler. No entanto, ainda que a trama seja bem construída, continua sendo um tanto superficial e não há espaço para desenvolvimento dos personagens, que são bem estereotipados, à exceção, talvez, da russa Irina Narov e do próprio Will Jaeger, que facilmente seria confundido com um dos personagens interpretados por Arnold Schwarzenegger ou qualquer outro ator famoso por filmes de ação.

resenha livro Voo Fantasma


Voo Fantasma é como um empolgante filme de ação, em que cada capítulo promete uma cena emocionante de Will Jaeger lidando com inimigos e fazendo o máximo possível para seu grupo sobreviver. No entanto, para saber o desfecho da trama é necessário ler Anjos em Chamas, continuação de Voo Fantasma. Espero conferir em breve o final dessa grande aventura!

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Resenha: Sevenwaters - Filha da Floresta


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Publicada pela Butterfly Editora, a Trilogia Sevenwaters é uma renomada série de livros de fantasia que conquistou vários leitores e ganhou vários prêmios internacionais. Graças a minha parceria com a editora, pude conferir Filha da Floresta, primeiro livro da escritora neozelandesa Juliet Marillier.

Resenha livro Filha da Floresta
Título: Filha da Floresta
Autora: Juliet Marillier
Editora: Butterfly
Páginas: 608 páginas
Comprar: Compre o livro pela Amazon ou Saraiva


Filha da Floresta conta a história de Sorcha, uma menina de doze anos que é a sétima filha do Lorde Collum de Sevenwaters. Criada entre seis irmãos, Sorcha possui um espírito forte e grande afinidade com os bosques e as florestas, tornando-se desde jovem especialista em plantas e suas propriedades curativas. Todos vivem em harmonia conforme sua função e personalidade, mas tudo muda quando Lorde Collum resolve casar-se de novo com uma mulher perversa, que amaldiçoa a família de uma maneira que apenas Sorcha pode salvar. Assim, Sorcha recebe uma ingrata tarefa para livrar seus irmãos da maldição, mas durante sua missão acaba entrando em contato não apenas com os Seres da Floresta, mas também com os bretões, o povo inimigo.

Resenha livro Filha da Floresta


Baseado no conto Os Seis Cisnes, dos Irmãos Grimm, Filha da Floresta contém todos os elementos presentes nos contos de fada: uma madrasta cruel, seres místicos, romance, uma missão... A palavra "contos de fada" logo nos remete às doces histórias que conhecemos pela Disney, mas A Filha da Floresta se aproxima muito mais dos contos como eram na origem e se sustenta como um livro bastante maduro, no qual acompanhamos o sofrimento de Sorcha e nos entristecemos ao saber que grande parte dele é agravado por um problema bastante real, causado por um machismo que infelizmente está presente na nossa sociedade. Nesse aspecto, a trama é pesada, mas a protagonista é uma mulher forte que consegue superar seus problemas e, em breves momentos, encontra a felicidade, fazendo com que o leitor torça por um "felizes para sempre" ao final.

Narrado em primeira pessoa, Filha da Floresta tem uma narrativa simples e detalhada, na qual a autora nos ensina como se contar uma verdadeira história. A trama é muito bem estruturada e, por ser um romance medieval, um dos seus diferenciais é abordar a cultura celta, bem como lendas e costumes. Paralelo à história de Sorcha visualizamos um conflito entre os irlandeses e os bretões, e o interessante do livro é mostrá-los como dois lados da mesma moeda, dois povos de costumes diferentes, mas acima de tudo humanos. O livro não se foca na guerra, mas na vida, e justamente por isso traz tantas mensagens, como solidariedade, persistência e fraternidade.

Resenha livro Filha da Floresta


Filha da Floresta nos transporta para um mundo antigo dominado pelas lendas, cuja história nos prende a atenção e personagens nos cativam, especialmente Sorcha, uma heroína necessária nos dias de hoje. Apesar de haver romance, o foco sempre foi na construção de Sorcha como uma menina independente, que se impõe aos costumes da sociedade e faz de tudo para salvar seus irmãos, porque ela acredita que é o certo a fazer. A Filha da Floresta é uma excelente leitura, que nos deixa triste por finalizar, mas ansiosos para conferir os próximos volumes da Trilogia Sevenwaters.

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Uma resenha deve ser imparcial?


segunda-feira, 8 de agosto de 2016



Em primeiro lugar, creio que é impossível fazer uma resenha completamente imparcial. Mesmo quando opinamos de forma relativamente neutra, no momento em que escolhemos abordar determinado aspecto de um livro - o desenvolvimento dos personagens, por exemplo - estamos priorizando aquele tópico e revelando o quanto ele é significativo para nós. Por outro lado, o que se almeja com a imparcialidade? Em uma resenha literária devemos expor nossa opinião ou analisar a obra sem se deixar influenciar por suas paixões?

No meu guia como escrever uma resenha literária, indico que deve haver imparcialidade. A imparcialidade não deve ser encarada como forma de deixar uma resenha apática, mas sim, de realizar uma análise justa e correta, sopesando os aspectos positivos e negativos sem ser influenciados por motivos externos e até mesmo por gostos pessoais. Por exemplo, eu não costumo gostar de romances, mas já escrevi resenhas totalmente positivas porque dentro do contexto o livro foi bem escrito e cumpriu seu objetivo.

Imparcialidade:
im.par.cia.li.da.de | sf (imparcial+i+dade)
1 Caráter ou qualidade de imparcial.
2 Equidade, justiça, neutralidade, retidão.

Imparcial
im.par.ci.al | adj (im1+parcial)
1 Que não é parcial.
2 Que não se deixa corromper.
3 Que julga sem paixão.
4 Que não sacrifica a verdade e a justiça a considerações particulares.


Escrever com imparcialidade é fundamental para realizar uma análise crítica, ainda que termine por desaprovar a obra. A imparcialidade é uma questão de justiça, de reconhecer os pontos positivos da obra e até mesmo indicá-la para alguém com base nesses aspectos. Atestar que o livro é "bom" sem ter gostado da história não é se omitir nem ser desonesto: significa que, mesmo que ele não tenha lhe agradado, você sabe que ele foi bem escrito, que os pontos principais foram bem explorados e que outras pessoas certamente apreciarão a história.

Ser imparcial, contudo, não significa ser frio e muito menos deixar de expressar a sua opinião. Muitas vezes, o grande diferencial das resenhas de um blog está justamente no fato de não ser um especialista responsável por redigir a postagem, mas um leitor, uma pessoa com preferências literárias e opiniões sinceras. Por isso, é incentivado que o blogueiro expresse sua opinião sobre o livro, compartilhe a experiência que teve ao lê-lo. Para tanto, é necessário que essa opinião seja fundamentada, possibilitando ao leitor da resenha compreendê-la e assim, ser capaz de concordar ou discordar.

Por último, quero deixar claro que escrevi esse texto para promover um diálogo entre leitores e blogueiros. Se você acha que resenhas devem ser obrigatoriamente pessoais, ou que o resenhista deve ser o mais distante e imparcial possível, deixe seu comentário. Se você leu essa postagem com o intuito de melhorar suas resenhas, sugiro a leitura do meu guia Como escrever uma resenha literária. Obrigada pela atenção!


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