Opiniões acerca de uma futura Revolução


sábado, 29 de junho de 2013



Apesar de ter muitos ideais, não costumo falar de política. Não tenho mais que simpatia por determinados partidos e não estou participando dos protestos, de forma que a única interação minha nesse campo são meus estudos e algumas opiniões que realmente gostaria de poder aprofundar para que estas ficassem melhor embasadas. Entretanto, sou brasileira, talvez não com todo o orgulho que se devesse ter, mas com muito amor e vontade de fazer algo para melhorar meu país, sem fechar os olhos para seus problemas e também, sem fechar os olhos para o rumo que esses acontecimentos podem nos levar caso tenhamos senso crítico. Sendo assim, hoje resolvi me expressar.

É complicado analisarmos de modo profundo essas manifestações. Semana retrasada, diria que é um movimento relacionado ao transporte que ganhou força com os aumentos e também, com a infeliz repressão policial. Início da semana passada, estaria achando lindo o povo nas ruas, o "gigante acordado" e as diversas reivindicações, na sua maioria bastante justas. No final, já estavam falando até mesmo de um golpe. Talvez esse texto esteja desatualizado, pois desde que o escrevi já tivemos algumas importantes conquistas. Nessa época de agitação, há muita coisa a ser debatida, como também há muitos boatos, muitas teorias conspiratórias e outras alternativas possíveis e preocupantes a serem espalhadas. É nesse momento que temos que nos perguntar individual e coletivamente quais são as causas pelas quais lutamos nessa manifestação, quais os meios certos a serem utilizados e o que obteremos de fato com isso.



Acho que todo mundo já sabe como os protestos começaram. Metade do mundo postou que "não é só por vinte centavos" e a outra metade postou que "é sim". As pessoas também desconfiam de uma manipulação por parte da Globo, e outras ainda tentam excluir os partidos do movimento, principalmente os pequenos de esquerda que estão "só tentando se aproveitar". De fato, essas questões são complicadas. Eu acredito que não seja só por vinte centavos, que esse tenha sido o estopim e a partir disso o orgulhoso povo brasileiro realmente acordou, com um sentimento nacionalista (que, aliás, acho uma das coisas mais bonitas nesse povo) e reivindicações totalmente legítimas, que apesar de diferentes, se encaixam em um mesmo interesse. O problema é que diversas críticas não organizadas, somadas a falta de liderança, deixa o movimento com certa vagueza, de modo que o objetivo deixa de ser algo concreto e passa a ser sintetizado como "contra o governo". O problema é que a ideia de estar acima dos partidos é bonita e faz todo sentido (afinal, independente da ideologia política, são causas justas e os manifestantes querem uma mudança positiva para o Brasil), mas a ideia de antipartidarismo somada a um ufanismo exacerbado flerta perigosamente com o fascismo. O prolema é que muitas vontades e ideais juntos sem uma consistência real podem se perder no tempo, ou ainda, podem ser aproveitados por alguém mal intencionado. Ordem e progresso a gente realmente precisa, a questão é quem irá impor essa ordem.

Um dos aspectos que mais chocam visivelmente é o vandalismo. Há quem diga que é um ato político, há quem diga que "vandalismo é não ter um sistema de saúde de qualidade". Também acho que não ter um sistema de saúde de qualidade é um baita vandalismo, mas um erro não exclui o outro. Se depredar as instituições do tão opressor estado, causar danos ao patrimônio dos perigosos e capitalistas empresários (e donos de lojinhas de R$ 1,99) é um ato político, ainda assim é um ato político injustificável, um erro que custará caro ao nosso próprio bolso e dá vergonha por se tratar da destruição da nossa própria cidade. Mais do que revolta (e quem foi vítima de violência policial, realmente tem motivos para estar revoltado), é um ato que expressa insensatez, pois afasta possíveis manifestantes do movimento e dá motivos para que não só a grande maioria seja a favor da repressão, como também dá margem para que essa repressão seja aplicada de forma mais forte em pessoas que originalmente não deveriam ser alvo dela. Estou falando de toda a sociedade. Acontece que se algum "herói" aparecer para nos salvar do vandalismo, o jogo pode ser virado em um segundo. É por isso que esses heróis deviam ser nós mesmos. É por isso que eu aplaudo as pessoas que juntam os containers queimados e aplaudiria ainda mais se as pessoas tomassem consciência do quão errado e perigoso é ser conivente com a violência.



Estamos vivenciando um momento histórico, uma enorme mudança comportamental, uma revolução. Todos sabem como uma revolução começa, mas é difícil prever como termina. Talvez, todos esses protestos acabem não dando em nada. Talvez, eles acabem sendo utilizados de uma forma perigosa pelas pessoas atrás dos palco, resultando na proibição de manifestações durante a Copa (se é que vai haver Copa) e restringindo nossa liberdade de expressão. Eu sinceramente espero que resulte numa maior consciência da população e numa possível reforma política, não sendo contra o governo, mas a favor da governabilidade e transparência da máquina estatal. Espero que as críticas sejam organizadas e bem dirigidas, espero que valorizemos os partidos e espero que as mudanças realizadas sejam suprapartidárias, zelando não por interesses individuais, mas coletivos. Espero que estudem um pouco mais de história, espero que evitem a repressão. Espero que, enfim, tenhamos realmente acordado, nos tornado mais críticos, menos manipuláveis, menos acomodados e ainda assim, conservemos o amor que temos por um grito de gol. Espero que nada nos obrigue a desistir.

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1 comentários

  1. Eu sou suspeito de falar sobre isso, pois reconheço que além de ser uma pessoa meio pessimista eu simplesmente não tenho muita fé no Brasil (não que outras nações sejam superiores de alguma forma, não entrarei nesse ponto), mas realmente me impressionei com o quê está acontecendo. Ainda assim o meu lado pessimista não consegue acreditar em um grande resultado vindo disso, apenas algumas ligeiras mudanças feitas para "acalmar a tropeada". Apesar dessa falta de fé, reconheço que raramente apoiei algum tipo de movimento do jeito que apoio este...

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