"Não conheço nada que se compare a este livro, a não ser O Senhor dos Aneís". Por mais verdadeira que seja, a frase de Arthur C. Clarke não despertaria meu interesse no livro devido à minha desconfiança com romances épicos, mas graças ao presente e a indicação de um amigo, tive o privilégio de ler Duna e encontrar na obra uma leitura agradável e uma envolvente - talvez revolucionária - ficção científica.
Título: Duna
Autor: Frank Herbet
Editora: Aleph
Páginas: 544 páginas
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A história de Duna é a luta política por um planeta chamado Arrakis, que é temido pela sua geografia desértica e pela escassez de água, mas muito cobiçado por produzir a Especiaria, uma substância viciante e extremamente valiosa que confere precognição e longevidade aos usuários. Após anos sob o domínio dos inflexíveis Harkonnen, o honrado Duque Leto torna-se o governador do Planeta, levando junto a Bene Gesserit Lady Jéssica e o herdeiro deles, Paul Atreides. O Duque Leto pensa em tornar o planeta "habitável" e para isso reconhece a grande força dos Fremen, o misterioso povo do deserto, mas logo se vê envolto em uma série de conspirações, de modo que o protagonista Paul passa a viver entre os Fremen e acaba por concretizar grandes profecias, previstas tanto pelas 'bruxas' Bene Gesserit, que esperam pelo Kwisatz Haderach, quanto pelo Povo do Deserto, que enxergam em Paul um grande Messias, o Muad’dib.
Ainda que a sinopse do livro indique a vasta gama de conteúdos abordados, é impossível imaginar a profundidade com que conteúdos como política, religião, classes sociais e sobretudo ecologia são abordados ao longo das suas 498 páginas mais os anexos, que comportam um glossário e vários textos falando dos aspectos ecológicos, religiosos, ou das Bene Gesserit, um dos tantos grupos místicos de Duna. Somado aos conflitos e à brutalidade da sede e do Deserto, ainda temos os famigerados Vermes da Areia, o que torna Arrakis ainda mais curioso e perigoso - por isso a ansiedade em descobrir sobre o planeta. Assim como em Tolkien, a impressão que passa é que o autor criou um mundo inteiro, dedicando-se a explorá-lo em minuciosas descrições, para a partir dele elaborar uma história e os personagens, porque o "principal" neste livro não é a (interessante) trajetória de Paul Atreides, é Arrakis: durante toda a leitura absorvemos novas informações, exploramos e procuramos descobrir o destino daquele misterioso Planeta Deserto.
Uma das possíveis críticas sobre Duna são as semelhanças com Star Wars (que por sinal, é posterior à Duna) e outras obras que retratam "a jornada do herói" - o que inclui Odisseia, Harry Potter, O Hobbit e até mesmo Buda. Apesar da fórmula batida, Duna é um livro bem mais denso do que a maioria dos livros juvenis (classificação na qual não acho que se enquadra este livro) por trazer à tona aspectos religiosos e políticos e foi bem revolucionário para a época, porque nos apresentou um futuro mais místico do que tecnológico, em um tempo e planeta muito distantes da nossa realidade, no qual a tecnologia foi abandonada dando lugar a combates medievais e treinamentos para intensificar as capacidades psíquicas e mentais dos humanos - daí a diferenciação dos Mentat, dos navegadores da Guilda Especial e das Bene Gesserit. Quanto ao último grupo, capaz de controlar totalmente seus corpos e influenciar mentes mais fracas, o objetivo principal é buscar através da manipulação genética de milhares de anos criar um ser humano perfeito, o Kwisatz Haderach. É esse ser superior que Paul poderá se tornar.

O trunfo de Duna é não apenas ter criado um lugar mágico, mas um planeta inteiro, com uma geografia fascinante, elementos culturais, economia própria e, no meio daquele mundo, muitas intrigas políticas e religiosas. Trata-se de um conflito político pelo controle de um planeta (e especiaria) em que a água vale mais que o dinheiro, e os únicos que valorizam de uma forma quase brutal esse fato são um povo extremamente religioso e seguem seu novo líder como adoram a um Profeta. É nessa realidade que Paul deve viver e fazer o possível para escapar das armadilhas, conciliar o interesse dos Fremem com as necessidades de Arrakis e ainda debater sobre o sonho de terraformar o planeta, modificando o ecossistema para tornar Arrakis fértil e agradável. Por todos esses motivos é que indico Duna: vale a pena explorar o Planeta Deserto.













sexta-feira, 3 de abril de 2015