É muito interessante o cinema retratar personagens históricos, muitas vezes contando uma história conhecida, mas pouco explorada. A biografia fica mais interessante quando permite um roteiro inteligente com personalidades fortes, quando uma história importante se torna um filme excelente. É o caso de O Jogo da Imitação, retratando Alan Turing e sua ambição de criar uma máquina capaz de desvendar qualquer criptograma no mundo.
O Jogo da Imitação tem como plano central o conflito da Inglaterra contra a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, quando os alemães utilizavam a máquina Enigma para enviar mensagens criptografadas. Para decifrar a melhor máquina de enigmas do mundo, o exército britânico contratou diversos acadêmicos para trabalhar em conjunto, dentre os quais estava Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um homem sarcástico, antissocial, com gosto por palavras-cruzadas e uma ambição muito maior do que desvendar uma mera mensagem da Enigma: Turing resolveu criar uma máquina capaz de resolver qualquer criptograma.
Se a premissa básica é uma história inteligente e decisiva para a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, O Jogo da Imitação vai muito alem, pois une a trama por si só interessante a diálogos bem construídos, um humor elegante e personagens marcantes, tanto pelo que eles representam quanto por suas histórias pessoais. De um lado, temos Keira Knightley interpretando Joan Clarke, uma moça inteligente e esforçada que enfrenta algumas dificuldades no trabalho pela simples condição de ser mulher, visto que deve adaptar sua situação porque “não é direito uma moça solteira morar fora e trabalhar”. De outro lado, temos Alan Turing, que realmente não era uma pessoa muito carismática e não sabia trabalhar em grupo, mas conseguimos entender o personagem e é indubitável a contribuição dele para a humanidade.
Interpretado pelo maravilhoso Benedict Cumberbatch, Alan Turing é um personagem peculiar, que nos fascina por sua inteligência e aos poucos nos comove pelo sentimento que tanto tempo foi reprimido, pois o filme apresenta passagens da infância de Turing e seu amigo Christopher e, depois do serviço prestado ao Reino Unido e ao mundo, sua condenação por homossexualidade, tipificada como crime na época. É lamentável saber que essa é uma história real e infelizmente o preconceito e a ignorância humana abateram um dos maiores gênios do século XX, considerado o Pai da Computação.
O Jogo da Imitação é um filme inteligente, com uma direção impecável na medida em que reconstruiu a Inglaterra de 1939 utilizando inclusive máquinas originais da Segunda Guerra. A trilha sonora, boas atuações e relevância do roteiro, ainda que boa parte da história tenha sido romanceada, fazem de O Jogo da Imitação um filme louvável não apenas devido a sua proposta, mas por ser elogiável em todos os aspectos e pela eficiência com que essa importante história foi contada.













quinta-feira, 12 de março de 2015