Voltando com as indicações de filmes, ao invés de apresentar um clássico, gostaria de compartilhar a vocês um filme bem premiado, um tanto desconhecido e que me cativou de uma maneira encantadora, me deixando mais pensativa ainda e um tanto perplexa. O filme em questão é Mr. Nobody, que dentre tantos assuntos cotidianos, românticos, dramáticos e metafísicos, trata principalmente sobre possibilidades.
Mr. Nobody começa em 2092, quando a humanidade já alcançou a imortalidade e todos estão acompanhando pela mídia os momentos finais de Nemo Nobody (Jared Leto/Toby Regbo/Thomas Bryne), que está completando 118 anos e é o último mortal da Terra. Em entrevistas e sessões de hipnose, Nemo é coagido a contar sobre sua vida, e seus relatos são bem contraditórios: em um momento parece ter tido uma vida com Elise (Sarah Polley/Clara Stone), em outro ela morreu cedo; em uma linha do tempo é casado com Jeanne (Linh Dan Pham) e em outra história tem uma paixão arrebatadora por Anna (Diane Kruger/Juno Temple).
Isso é possível porque Nemo foi esquecido pelos anjos do céu antes de nascer, então ele ‘se lembra’ de tudo que está por acontecer, é capaz de "prever o futuro". Quando seus pais se separam e Nemo deve escolher com qual deles quer viver, Nemo enxerga as consequências da sua escolha e todos os acontecimentos das diversas linhas do tempo. Se escolhesse morar com a mãe, eventualmente se apaixonaria por Anna. Se ele ficasse com o pai, se tornaria um adolescente intimista, se apaixonaria pela complicada Elise ou ainda poderia ficar com Jeanne, realizando todos os seus sonhos, mas ficando infeliz por isso. Dessa forma, o filme consiste em uma narrativa não linear de todas essas possibilidades.
A história é um tanto complicada de acompanhar e deve ser vista com bastante atenção, mas ainda que apresente argumentos científicos na linha do tempo em que Nemo tem um programa sobre a teoria das supercordas, ou então que o universo seja regido por vários elementos deterministas, esse não é apenas um filme sobre metafísica ou destino: é um filme sobre escolhas. Mais ainda, diria que é um filme sobre possibilidades. Uma criança de nove anos é posta na tarefa impossível de escolher entre seu pai ou mãe e acompanhamos o que vai acontecer de acordo com as atitudes que ele tomar, eventualmente achando que Nemo será mais feliz com determinada personagem, ou em determinado emprego, etc. Mesmo assim, a mensagem que fica no final é que todas as alternativas são igualmente importantes.
Mr. Nobody trata sobre memória, determinismo, escolhas, ontologia e possibilidades. É um filme filosófico, que nos encanta pelas alternativas e nos emociona em alguns momentos, todos guiados por uma belíssima fotografia e ótima trilha sonora. Recomendo para todos que gostam de filmes bem feitos e que nos fazem pensar, pois Mr. Nobody é cativante e nos apresenta novas perspectivas sobre a vida.













segunda-feira, 12 de maio de 2014