Crítica: Depois da Terra


quinta-feira, 25 de julho de 2013



Em uma empolgante sexta-feira de junho, tive a magnífica oportunidade de assistir Depois da Terra, filme imaginado, produzido e estrelado por Will Smith. Devo desculpas pela demora em postar a crítica, mas só agora consegui encontrar palavras para descrever o quão original e emocionante é essa maravilhosa obra-prima.



Depois da Terra é um filme ímpar, com um plano sentimental no fundo a envolver uma empolgante trajetória rumo ao desconhecido, em que Kitai Rage (Jaden Smith) deve enfrentar seus medos para salvar a si mesmo e o pai. Tudo começa quando a nave de Kitai faz uma aterrissagem forçada na Terra, que se transformou em um lugar hostil, inabitado por humanos e cheio de animais e feras misteriosas. Além de seu pai Cypher (Will Smith), com quem mantém uma distante relação, a tripulação teve mais um sobrevivente: uma criatura alienígena mortífera, da mesma espécie responsável pela morte de sua irmã. Uma vez que Cypher está com a perna gravemente ferida, resta a Kitai começar uma jornada contra o tempo em busca de um sinalizador, a única chance que eles têm de contatar a civilização e sobreviver. É então que o menino deve seguir os passos do pai, que inicialmente o guia com instruções nessa jornada perigosa, de forma que um deve confiar no outro para voltar para casa.



As atuações foram comoventes, de forma que algumas vezes eu chorava, e em outras parecia que eu tinha levado um soco no estômago. A produção é impecável. Entretanto, o que mais chama atenção no filme é o roteiro: Depois da Terra tem uma história tão linda e impactante que não há como não se emocionar com essa trajetória de sobrevivência, amadurecimento, superação e fortalecimento dos laços paternos. Acompanhamos um menino inicialmente medroso e sedento pela atenção do pai, mas que cresce à medida que tenta cumprir seu objetivo, honrando o forte ranger impossibilitado de acompanhar o filho nessa jornada. Não apenas o envolvimento que os dois criam é emocionante, como várias outras cenas nos fazem arrancar lágrimas dos olhos. Nos apavoramos quando Kitai é "atacado" por uma águia, e rimos jovialmente quando descobrimos que a águia o colocou entre seus filhotes, mas esse riso é substituído por emoção quando Kitai sofre de hipotermia, mas a mamãe-águia morre para salvá-lo. A mamãe águia! Que cena linda! Que gesto tocante! De todas as partes, mesmo acompanhando o dilema original de viver às sombras da irmã, mesmo tendo acompanhado a busca desesperada de Kitai para conseguir um sinal no aparelho (semelhante ao que fazemos com o celular quando não pega), a cena da mamãe águia morrendo para salvá-lo foi a que mais tocou meu coração.



Obviamente, estou apenas tentando ser irônica. A verdade é que Depois da Terra é tão ruim que nem há o que comentar de certas cenas sem objetivo e dos manjadíssimos clichês que o filme aproveita. Will Smith é um bom ator e acho que o filho dele também será, mas não consigo enxergar este filme de outra forma que não uma ode à família Smith, um filho de roteiro fraco, atuações fracas e argumento fraco utilizado unicamente para promover o garoto Jaden. Felizmente, Depois da Terra não vai se perpetuar no tempo, de forma que meu único conselho é: quando este filme passar na Tela Quente, em uma semana de férias que não haja nada melhor para fazer, não assistam.

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