Assim como Frozen - Uma Aventura Congelante e Operação Big Hero, o novo filme da Disney, Zootopia demonstrou ser um enorme sucesso de bilheterias e conquistou facilmente as crianças com suas cores e personagens carismáticas. A grande surpresa é que a obra estrelada por animais é uma das mais realistas do estúdio, trazendo críticas sociais e problemas pelos quais todos nós passamos na vida adulta.
Ainda que no mundo de Zootopia predadores e presas vivam em harmonia, há certa dicotomia entre as funções empenhadas por cada espécie. Contrariando as expectativas de sua família quanto a tão esperada vida no campo, Judy Hopps é uma sonhadora que acredita que cada um pode ser o que quiser, e o sonho da coelhinha era se tornar uma policial. Com muito esforço ela se forma na Academia de Polícia e passa a trabalhar na fantástica Zootopia, mas as coisas não saem como o planejado: ela é muito diferente dos seus colegas polícias, todos duvidam dela e, ao invés de trabalhar como policial, ela é requisitada para atuar como guarda de trânsito. Por mero acaso, a Oficial Hopps é designada para encontrar um dos quatorze mamíferos desaparecidos, mas para isso a coelhinha só dispõe de 48 horas e deve contar com um inimigo natural: o astuto raposo Nick Wild, que vive aplicando golpes na cidade.

Em determinado momento, avisam à Hopps que a vida não é um desenho animado, que as pessoas começam a dançar e magicamente todos os sonhos se realizam. Uma das mensagens do filme é que a vida não é fácil e temos que batalhar por nossos sonhos, mas o que Zootopia deixa claro é que infelizmente nossos sonhos e relações são prejudicadas pelo racismo, machismo e preconceito, mostrando como essas características estão enraizadas na sociedade e a importância de combatê-las. Usando o "mundo dos bichos" como metáfora, Zootopia mostra como nossa sociedade é plural, como existem pessoas dentro e fora de estereótipos e como devemos enfrentar o preconceito. Nesse sentido, Zootopia não entrega uma "fórmula pronta", mas constrói um filme interessante e divertido, nos ensinando não só o que é certo ou errado, mas a refletir sobre os papéis que nos são impostos e a real eficácia das políticas de igualdade.
Se a importante mensagem que o Zootopia passa dá a impressão que o filme seja monótomo, os cenários ultracoloridos nos deixam maravilhados com Zootopia, uma metrópole moderna e agitada cujas proporções foram pensadas para abrigar desde girafas até camundongos. Tudo é extremamente detalhado e a animação foi impecável em adaptar os animais à vida urbana. Além disso, o filme tem uma investigação que remete aos filmes policiais clássicos e muitas referências estão presentes no filme, como à cultura pop, Breaking Bad (sim!) e, em uma das melhores cenas, ao Poderoso Chefão. É um filme infantil com uma trama capaz de agradar a todas as idades, com muitas piadas sobre a vida adulta (adivinha qual animal é o servidor público?), muitas paródias e personagens cativantes, pois gostamos e compreendemos perfeitamente as personalidades da coelha Judy Hopps e do raposo Nick Wild, que formam uma excelente dupla.
A insistência dos brasileiros em explicarem o nome da obra fez com que o subtítulo de Zootopia seja "Essa cidade é o bicho", a metrópole tem a mesma agitação e diversidade de cidades cosmopolitas como Nova York e São Paulo, e todos os problemas e características presentes na sociedade animal são essencialmente humanos, sendo os bichos apenas uma metáfora para tornar o filme divertido e atrativo para o público infantil. Assim, Zootopia é um filme extremamente criativo, com uma trama madura, interessante e personagens que nos fazem acreditar que, mesmo com todas as dificuldades, não devemos baixar a cabeça. Podemos ser o que quisermos.













sábado, 19 de março de 2016