Book Challenge #12: Frankenstein

terça-feira, 3 de março de 2015



Algumas histórias tem uma origem tão pitoresca que a própria gênese merece ser contada. Com a erupção do Monte Tambora e bloqueio da luz solar pelas partículas de poeira, em 1816 o hemisfério norte ficou sem verão. Nesse clima hostil, quatro escritores (Percy Shelley, Mary Shelley, Lord Byron e John Polodori) ficaram confinados em um ambiente fechado lendo histórias de terror, e foi a partir de um desafio que Mary Shelley – na época, Mary Godwin – escreveu a obra Frankenstein, publicada em 1818.



Frankenstein, or, de Modern Prometheu (Frankenstein, ou, o Moderno Prometheu) é um romance epistolar em que Victor Frankenstein conta ao capitão Walton sobre sua infância, estudos de alquimia e as mais modernas ciências sociais, de modo que, envolvido com o estudo e fascinado com a possibilidade de gerar vida, abandona seus amigos e família em prol da sua criação, que acaba por ser rejeitada e repugnada devido a sua aparência monstruosa. Frankenstein fica gravemente enfermo e é cuidado por seu amigo Clerval nesse período, mas após a notícia do assassinato de seu irmão caçula, Frankenstein se sente terrivelmente culpado por ter criado o monstro, o que resulta em sua destruição física e moral, e na tentativa de ‘reparar o erro’.

Quando pensamos em Frankenstein como o monstro repugnante que está no imaginário popular, dificilmente refletimos que sua história vai além do confronto criador x criatura e modificação da natureza, pois abrange também temas como rejeição, solidão, injustiça e preconceito. Durante grande parte do livro, ouvimos Victor Frankenstein lamentar a existência da criatura – que nem nome tem -, rechaçamos sua aparência e a atrocidade cometida por ela, mas, quando lhe é dada a vez de falar, entendemos que a criatura é realmente uma ‘criação’: é um reflexo do modo com que a sociedade lhe tratou julgando-a um monstro por causa da sua aparência. Ora, não é difícil se tornar um monstro quando a vida inteira é assim tratado.



A história de Frankenstein – profunda e filosófica – é resultado de todas as características que compõe o romance gótico (mistério, melodrama, reflexões sobre o poder e criação) mescladas com o espírito de avanço científico que impregnava a sociedade da época, resultando em um dos primeiros exemplares da ficção científica. Mesmo que a palavra “monstro” seja constantemente associada ao sobrenatural e de fato, um clima de terror impregne a obra, a própria criação de Frankenstein é explicada cientificamente e também aborda as consequências do poder criativo nas mãos humanas. Da mesma forma que apresenta esses questionamentos, Frankenstein também disserta sobre a grandiosidade da Natureza, no momento em que um personagem mostra-se maravilhado com as paisagens naturais da Europa.

Se Frankenstein é um conto trágico, melancólico e intenso, grande expoente da literatura gótica e precursor da ficção científica, também é uma das obras literárias mais adaptadas para o cinema e outras mídias, o que confirma que a narrativa também tem grande força de entretenimento e sua história e reflexões permanecem atuais até hoje.

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6 comentários

  1. Sou apaixonada por livros que trazem sentimentos/emoções em cada pagina lida. Quando no final do texto você diz: ''é intenso e melancólico'' já me veio o pensamento de querer esse livro. Vou comprar quando ler venho aqui compartilhar minha opinião hehe.
    Nova leitora e fiel, claro.
    beijos
    www.helpanaemia.com

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  2. AMO resenhas assim, estou trabalhando nisso, mas pra mim não é tão fácil explicar e analisar uma obra como tu e algumas (poucas) blogueiras fazem. Melhor resenha de Frankstein que já li. Não sabia que tinha sido escrito a partir de um desafio :*
    www.moniitorando.com

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  3. Oii!

    É uma das estórias mais intrigantes de todos os tempos! Tenho muita vontade de ler o livro, imagino que deve ser muito bom mesmo!
    A gente sempre ouvi falar que estórias assim são muito boas e tal, mas ler pela primeira vez um clássico e comprovar que tudo o que ouvimos sobre ele é verdade é uma sensação incrível!

    Beijos, O Outro Lado da Raposa

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  4. Vicky, vc sabe que eu AMO as suas resenhas, né? *fã declarada!*
    Estudei a Mary Shelley na disciplina de literatura inglesa e americana, na universidade. Você captou muito do que discutimos em nossa aula. :) Tão legal ver resenha bem feita assim. O que gosto é que este livro é escrito por uma mulher (coisa que as pessoas quase nunca mencionam, quando se fala desta história!).

    Mudando um pouquinho de assunto, te dei um selinho de presente, confere no blog: http://minhasliterariedades.blogspot.com.br/2015/03/selos-tags-e-memes-selo-blog-fofo.html

    Um beijo,

    Algumas Observações
    Minhas Literariedades
    Teoria, Prática e Aprendizado

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  5. Nossa, parabéns! Adorei a sua resenha! Você falou no início sobre o confinamento daqueles quatro escritores. Deixo como sugestão para você um livro que eu achei muito bom: As piedosas (Federico Andahazi). Lá é contada uma história fictícia com base no confinamento desses escritores. Eu adorei, talvez você goste também! Parabéns, seu blog é lindo e seu gosto literário é fantástico! ;)
    Beijos e sucesso!

    papelpoesia.blogspot.com.br

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  6. A história de Frankstein é classica, eu tenho muita curiosidade de ler.
    XOXOX

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