Crítica: Malévola


segunda-feira, 23 de junho de 2014



Well, well! Desde que Angelina Jolie foi cotada para o papel principal, muito se especulou sobre a nova adaptação de A Bela Adormecida. Com uma mescla de nostalgia e um pouquinho de desconfiança, finalmente assisti Malévola, que demonstrou ser uma grata surpresa aos amantes dos contos de fadas.



O filme constitui uma renovação da personagem Malévola: uma fada inocente, poderosa, protetora do reino das criaturas mágicas, mas que é traída pelo seu primeiro amor. Cego pela ambição de ser rei, seu antigo amigo Stefan engana Malévola, entorpece-a e arranca suas asas, deixando a personagem sozinha, mutilada e cheia do ódio que a fez governar o reino de Moors pela escuridão. É quando a filha de Stefan nasce que começa a história de 1959 que conhecemos: no batizado da princesa, Malévola lança uma maldição, de forma que antes do por do sol do décimo sexto aniversário, a princesa Aurora espetará o dedo numa roca e entrará em um sono profundo para sempre, até que um beijo de amor verdadeiro a faça despertar.



Malévola lança a maldição porque ‘não existe amor verdadeiro’, e sabendo disso o rei manda destruir todas as rocas do Reino e encaminha Aurora para viver aos cuidados de três fadas em um bosque isolado do castelo. As fadas são o alívio cômico do filme, e como não sabem cuidar de uma criança, Malévola distantemente interfere na criação de Aurora, aparentando se afeiçoar à garota. Ficamos em dúvida quanto às atitudes de Malévola e se seria possível quebrar a maldição, até que chegamos nas impactantes cenas finais, com uma “caça à bruxa” dominada de ódio e finalmente, um final da Disney.



A proposta do filme é interessante e muito bem abordada no que tange ao quão obscuro pode ser o caminho de uma mulher que foi agredida e traída pela pessoa em quem confiava. Apesar de distanciar-se em muito da personagem clássica de 1959, é a Malévola de Angelina Jolie que carrega o filme, sendo inquestionável seu talento e ótima atuação no longa. Enquanto as outras personagens (inclusive Aurora) ficam ofuscadas, e os seres fantásticos encontram-se apenas para compor um cenário utópico repleto de efeitos especiais, Malévola é uma vilã cativante e compreensível, de modo que nos encantamos tanto na sua dor quanto nas cenas em que ela aparece maléfica e poderosa, buscando vingança.



Apesar de não ser brilhante, Malévola é uma bem-vinda repaginação de um dos clássicos da Disney, dando uma complexidade a uma personagem muito bem interpretada por Angelina e abordando temas importantes como a violência e ambição, ainda que enrustidos por uma história infantil. Junto de Frozen e Valente, Malévola apresenta novos valores e traz novas mensagens, mas sem esquecer a magia dos contos de fadas.

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