Como prometido, aqui estou eu resenhando Morte Súbita, o mais novo livro da aclamada J.K Rowling. Por se tratar de uma escritora que mudou a vida de muitas pessoas com a série Harry Potter, foi criada muita expectativa em torno desse livro e também, receio de Morte Súbita não estar ao nível esperado. E é com alegria de fã que posso afirmar que J.K Rowling não me decepcionou.
Morte Súbita tem como palco Pagford, uma pequena cidade que por mais idealizada que seja, abrange inúmeros conflitos e questões sociais. Todos esses conflitos vão à tona com a morte de arry Fairbrother, cujo falecimento não só atinge aqueles diretamente relacionados com a sua pessoa, como sua esposa e a impetuosa adolescente Krystal, mas também o quadro político daquela comunidade, já que havia então uma vacância no Conselho que passou a ser disputada por três pessoas com interesses diferentes. Dentre os assuntos a serem tratados pelo Conselho, os mais polêmicos eram o fechamento de uma clínica de reabilitação, que "não apresentava bons resultados", e a ligação de Pagford com Fields, um bairro marginalizado com suas casas mal cuidadas e usuários de drogas, características que certamente os cidadãos decentes de Pagford gostariam de manter distância. Curiosamente, os cidadãos 'decentes' estão cada vez mais envolvidos em suas intrigas pessoais, e a morte de Barry não apenas serve para impulsionar diversos acontecimentos na vida dessas pessoas, mas também, para dar voz a cada um de seus defeitos.
Muitos reclamam da leitura ser um pouco arrastada no início, mas o motivo disso é que as primeiras páginas servem para nos apresentar ao grande número de personagens. Os personagens são - propositalmente - odiosos, mas muito bem construídos. Desde Samantha, a mulher fútil que passa o tempo todo bebendo e desejando ser adolescente, até Terri Weedon, que tem como objetivo livrar-se da heroína, todos os personagens são muito bem estruturados e é possível entender a sua história e o porquê de agirem assim, colocar-se no lugar deles. Seja na casa dos médicos Jawanda ou nos verdadeiros casebres de Fields, há problemas envolvendo toda a sociedade, como sexo, drogas, bullying e desrespeito, tanto entre casais quanto entre famílias. Com isso, sentimos repulsa de personagens como Bola Wall e pena da tímida Sukhvinder. Assim como ao Barry, uma das personagens que me cativou foi a malcriada Krystal, que me fez torcer para um final feliz para a menina.
Como o livro trata de temas mais maduros de uma forma bastante crua, isso pode chocar alguns leitores, mas acredito que esse choque aconteça apenas quando se tem em mente que a autora apenas quer mostrar que sabe escrever livros "para adultos". Não acho que seja o caso, visto que todos os assuntos estão de certa forma interligados no livro e de qualquer modo, J.K Rowling não precisa provar nada. Pessoalmente, me irritei menos com os palavrões do que com as inúmeras referências ao Facebook e à música Umbrella, como que para lembrar que a história não se passava em Hogwarts e que aquele era o nosso mundo. Não existe coisa mais distante de Hogwarts, não precisava da Rihanna constantemente me lembrando disso.
Mais uma vez, J.K Rowling escreveu um livro de narrativa envolvente e personagens interessantes. Mesmo com o início meio lento, que nos prende apenas pelo desejo de conhecer os personagens, Morte Súbita empolga mais a cada capítulo de modo que acabamos ansiosos com o destino dos moradores e da pequena cidade de Pagford. Infelizmente, ela não perdeu a mania de matar meus personagens preferidos e infelizmente, o livro não é tão genial quanto Harry Potter e não o considero uma leitura marcante, mas sim, agradável e altamente recomendada.














sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013