Crítica: Os Vingadores - A Era de Ultron


terça-feira, 2 de junho de 2015



Do revolucionário Os Vingadores até agora, somos bombardeados de notícias sobre filmes de super-heróis e com satisfação vemos crescer o Universo Marvel, já com mais de dez filmes. Nesse contexto, não é surpresa que Os Vingadores - A Era de Ultron fosse um dos mais aguardados do ano e lotasse as salas de cinema, tanto que só consegui assistir um mês depois da estreia. Agora, fica a dúvida se a espera valeu a pena.



Os Vingadores - A Era de Ultron começa com uma clássica cena de ação em Sokovia, onde um antigo posto da H.I.D.R.A realizava experimentos em humanos utilizando o cetro do Loki. Quando os heróis recuperaram o cetro, Tony Stark descobre uma inteligência artificial dentro da gema e, com o apoio de Bruce Banner, cria Ultron, um programa visando a defesa da Terra e paz mundial. Acontece que Ultron refletiu que a paz só seria alcançada com a destruição dos Vingadores, então o robô os atacou durante uma festa da equipe, recrutou Wanda e Pietro Maximoff (que possuíam fortes poderes e sede de vingança contra Tony Stark) e começou uma série de ações para melhorar o mundo - com a extinção da raça humana. Cabe aos heróis lidarem com seus medos, reverem suas emoções internas e fazer o possível para destruir um inimigo poderoso e onipresente, agindo não apenas como Vingadores individualmente, mas como uma equipe.



Uma vez que os Vingadores já foram apresentados em filmes anteriores, a Era de Ultron trouxe novos dilemas e uma visão mais intimista de cada super-herói, com destaque para o desenvolvimento de Viúva Negra e Gavião Arqueiro, únicos que não tem um filme solo. Nesse sentido, apesar das cenas de ação serem excelentes como de costume, as melhores partes de Vingadores eram justamente as de cunho mais casual, como a família de um deles, um novo romance e a festa de confraternização em que todos tentam levantar o martelo de Thor. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo dos gêmeos, personagens fortes nas HQ, mas com uma motivação tão frágil no filme que perderam metade do brilho. Essa impressão também foi causada graças à inserção rápida e superficial das personagens na história, o que também ocorreu com Visão e o próprio Ultron, mas não se podia esperar uma melhor introdução em pouco menos de duas horas e meia de filme, por mais que esta duração seja longa.



Mesmo com um desenvolvimento razoável da maioria das personagens e os efeitos visuais caprichosos aos quais já estamos acostumados, a verdade é que a sequência de Os Vingadores quase se perdeu. O filme peca no ritmo, que lentamente vai incluindo cenas "ao acaso" até os primeiros atos de Ultron, que enfim passam a proporcionar uma sequência interessante. Quanto ao vilão, Ultron está sendo elogiado por sua 'presença', sarcasmo e maldade, mas me parece mais uma versão antagônica ao Homem de Ferro, cujo único objetivo é destruir o mundo, sem grandes explicações. Obviamente, o debate sobre dar vida a uma inteligência artificial é atual e bem exemplificado no filme, mas as ambições do novo inimigo não convenceram e não houve uma mudança gradual ou suspense. Talvez isso seja pelo fato óbvio de Ultron não ser um humano, mas não é possível sentir medo e tampouco surpreender-se com o novo vilão.



Os Vingadores - A Era de Ultron é um filme importante para o Universo Marvel com um resultado final satisfatório, mas não deixa de ser uma reprodução enfraquecida da fórmula de sucesso dos filmes anteriores. Com humor, um vilão poderoso e muitas cenas de ação, A Era de Ultron poderia ser bem melhor se não explorada com tanta pressa a ponto de cair no lugar comum, mas se salva nos momentos finais e prepara terreno para os filmes que estão por vir, que possivelmente mostrarão que Ultron estava certo: não há paz com os Vingadores.

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