Crítica: Capitã Marvel


segunda-feira, 25 de março de 2019

Depois de mais de vinte filmes do Universo Cinematográfico Marvel, finalmente temos o primeiro protagonizado por uma heroína: Capitã Marvel. O filme é sucesso de bilheteria e conta a história de origem da heroína que parece ser a peça chave para derrotar Thanos em Vingadores: Ultimato.

crítica filme Capitã Marvel


O filme começa mostrando Vers (Brie Larson), uma integrante do exército Kree que acaba parando na Terra em uma missão contra os Skrulls, seres metamorfos conhecidos por invadirem mundos. Na Terra, Vers, que até então nada sabia sobre sua origem e era constantemente incentivada a "deixar suas emoções de lado", acaba descobrindo que tinha um passado na Terra como Carol Danvers, ex-agente da Força Aérea norte-americana, passando a investigar sua história, a origem de seus poderes e outras peculiaridades na guerra dos Kree contra os Skrulls, sempre acompanhada do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson), que fica impressionado ao conhecer um ser poderoso como a Capitã Marvel.



Capitã Marvel começa mostrando uma heroína confusa sobre si mesmo e essa atmosfera também confunde o espectador, já que são apresentadas cenas esparsas sobre seu passado e sua missão. Contudo, à medida que a história ganha contorno, descobrimos mais sobre a história da heroína na Terra e como ela se tornou o ser poderoso que é. O roteiro é interessante e conta uma boa história de superação, de manter-se firme mesmo na adversidade e, sim, é importante ressaltar o papel do feminismo. Capitã Marvel poderia ser um filme de herói como qualquer outro, e na verdade, ele é. Há o "herói" super poderoso que não precisa sorrir para agradar, há o melhor "amigo" piloto que resolve ajudar na missão, há o "chefe" que é fonte de inspiração...Com a diferença que todas esses personagens são mulheres. E, apesar da mensagem ficar clara, tudo é feito com a naturalidade que deve ter, reforçando a personalidade de Carol Danvers e que ela pode sim, ser um dos seres mais poderosos do universo.

crítica filme Capitã Marvel


Quanto à qualidade técnica do filme, infelizmente o filme tem poucos cenários e o mundo dos Kree não consegue impressionar como os lugares de Thor: Ragnarok, mas a atmosfera 'anos 90' está presente nas vestimentas e na trilha sonora. Os efeitos tem a qualidade padrão dos filmes da Marvel e as atuações estão boas, sendo que a ganhadora do Oscar Brie Larson convence como Capitã Marvel. Contudo, o grande destaque é a interação da heroína com o personagem de outro ator consagrado, Samuel L Jackson, rejuvenescido digitalmente para a década de 90. Fazia tempo que não assistia a um filme novo com o ator tão presente, e a química entre os protagonistas é muito boa. Felizmente, é bom lembrar desde já: a "química" refere-se aos diálogos e a ligação que acabam criando os dois personagens, porque não há interesse romântico no filme Capitã Marvel.

crítica filme Capitã Marvel


Apesar de todos os pontos positivos, ainda assim é possível citar dez filmes do Universo Marvel Cinematográfico que são melhores que Capitã Marvel, de forma que o filme é, literalmente, mediano. Com uma heroína tão importante sendo introduzida, era de se esperar um filme muito melhor. Não obstante, Capitã Marvel ainda é um bom filme de origem e nos deixa ansiosos por uma participação maior da heroína na equipe dos Vingadores.

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Crítica: Homem-Formiga e a Vespa


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sucesso inusitado do Universo Cinematográfico Marvel, três anos depois o Homem-Formiga (que já tinha feito uma pontinha em Capitão América: Guerra Civil) finalmente ganha uma sequência, além de, oficialmente, passar a contar com uma parceira: Homem-Formiga e a Vespa.

Crítica Homem Formiga e a Vespa


Depois de ter lutado ao lado de Capitão América, Scott Lang (Paul Rudd) é condenado a dois anos de prisão domiciliar por ter quebrado o Tratado de Sokovia, inclusive com a condição de não entrar mais em contato com os envolvidos na criação dos apetrechos do Homem-Formiga. Quando faltam três dias para o término do prazo, Scott é convocado por Hope van Dyne (Evangeline Lilly) e Dr. Hank Pym (Michael Douglas) para uma nova missão urgente: construir um túnel quântico, com o objetivo de resgatar Janet de seu limbo. No entanto, há mais pessoas interessadas nesta tecnologia, de modo que Scott tem que assumir novamente o posto de Homem-Formiga e lutar ao lado da Vespa para proteger as tecnologias do Dr. Pym e concluir a missão.



Assim como no filme anterior, as habilidades do Homem-Formiga e da Vespa são muito bem exploradas e o filme brinca com as proporções que as coisas podem tomar, o que rende tanto cenas de comédia quanto excelentes cenas de ação, incluindo uma perseguição de carros que funciona muito bem nas lombas de São Francisco. A experiência visual, novamente, é impactante, e este é um dos raros filmes em que é recomendado ver em IMAX, 3D ou a melhor qualidade possível. A Vespa também é responsável por protagonizar ótimas cenas de luta, inclusive contra vários personagens ao mesmo tempo, apresentando-se não como uma "parceira à altura", mas sim, uma heroína ainda mais habilidosa que o herói principal, sendo inclusive a primeira heroína a integrar o título de um filme da Marvel.

Crítica Homem Formiga e a Vespa


Se por um lado os efeitos se mantém ao nível do filme anterior, o roteiro de Homem-Formiga e a Vespa é um pouco mais raso e não tem o mesmo atrativo do filme antecessor, que assemelhava-se a um "filme de roubo". Dessa vez, é ação atrás de ação, poucas explicações científicas e o arco mais sério do filme é o drama vivido pela personagem Fantasma, que é pouco comovente. No entanto, temos bons diálogos e boas atuações por parte de Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas e Laurence Fishburne, e o próprio roteiro em si não chega a prejudicar o filme, cuja proposta é unicamente entreter o telespectador, missão essa cumprida sem qualquer dificuldade.

Crítica Homem Formiga e a Vespa


Homem-Formiga e a Vespa pode ser levemente inferior ao filme de estreia, mas novamente destaca-se pela excelente produção, com bastante dinamismo, humor e cenas empolgantes. O trio principal funciona muito bem em tela e é interessante a Marvel ter estabelecido Homem-Formiga dentro do universo dos Vingadores, mas criar um cenário independente deste. É claro que nos próximos filmes teremos as personagens ainda mais integradas com o restante do Universo Marvel Cinematográfico, mas, por ora, cabe dizer que é um excelente entretenimento e certamente um filme muito melhor que alguns heróis do alto escalão.

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Crítica: Deadpool 2


segunda-feira, 2 de julho de 2018



Depois de sua bem sucedida estreia (que, na verdade, foi a segunda aparição do personagem, mas vamos tentar esquecer X-Men Origens: Wolverine), o anti-herói Deadpool volta aos cinemas em um filme que segue os mesmos moldes do primeiro, mas promete ser "um filme para família".

crítica Deadpool 2


Após uma tragédia acontecer antes mesmo dos créditos iniciais - muito bem-humorados, por sinal -, Wade (Ryan Reynolds) está devastado, com vontade de morrer e, devido a sua capacidade de regenerativa, sequer consegue se matar. É em uma missão como estagiário dos X-Men que Deadpool encontra o que pode ser um novo sentido para sua vida: defender o jovem mutante Russel (Julian Dennison), um adolescente de quatorze anos com uma personalidade bastante destrutiva, que está descontrolado e quer se vingar do grupo de enfermeiros que abusavam dele quando criança. As coisas complicam quando Russel acaba sendo perseguindo por Cable (Josh Brolin), um mutante que veio do futuro para matá-lo, de modo que Deadpool reúne uma equipe - X-Force! - para salvar Russel do vilão e de si mesmo.



O primeiro filme de Deadpool foi bastante aclamado por conta de sua irreverência, humor ácido e violência exagerada, elementos que renderam boas piadas e cenas de ação. Seguindo os moldes do primeiro, o novo filme é recheado de referências à cultura pop e aos próprios estúdios, utiliza da metalinguagem e tem tiradas muito boas, com destaque para os comentários envolvendo os X-Men. No entanto, se o filme de estreia foi elogiado justamente pela sua originalidade, Deadpool 2 se contenta apenas em seguir os passos do primeiro, não conseguindo superar seu antecessor. Aliás, por mais que o filme seja engraçado, e por mais que o sarcasmo seja marca registrada de Deadpool, o segundo filme parece fazer um esforço maior ao apresentar cinquenta piadas para, no fim, quinze serem boas. A comparação, portanto, é prejudicial, e Deadpool 2 acaba sendo "mais do mesmo".

crítica Deadpool 2


Por outro lado, se o longa de estreia se preocupou em apresentar a origem do anti-herói e sua trajetória individual, uma das poucas - e acertadas - inovações do novo filme é a tentativa de dar uma equipe ao mercenário, o que rende cenas muito engraçadas - como a do resgate - e a integração de uma excelente parceira: Dominó, interpretada pela atriz Zazie Beetz. Outro ator que protagonizou ótimas cenas com o anti-herói foi Josh Brolin, responsável por interpretar Thanos, digo, Cable, sendo que sua atuação foi perfeita para o personagem, que é um viajante no tempo e responsável pelo arco dramático do filme. Nesse sentido, Deadpool 2 traz algumas reviravoltas inusitadas, e o propósito de integração entre os personagens e salvação do mutante Russel faz sim, com que o filme se aproxime de "um filme para família", à medida que apresenta personagens deslocados que, por meio dos laços efetivos, encontram uma família uns nos outros, com carinho e crescimento mútuo.

crítica Deadpool 2


Deadpool 2 é um filme despretensioso que certamente agradará quem gostou do primeiro filme e procura uma comédia um pouco mais ácida que o normal e, talvez, com um pouco mais de drama do que deveria ter. O filme, seguindo um roteiro típico de "um filme para família", quebra este estereótipo graças à violência e às piadas, mas traz uma interessante abordagem do "politicamente correto", ora debochando de algumas pautas, ora reforçando outras. É um filme divertido, com uma mensagem importante por trás (por incrível que pareça) e cenas bem construídas.

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Crítica: Vingadores - Guerra Infinita


domingo, 29 de abril de 2018

Quando fomos ao cinema em 2008 para assistir ao primeiro filme do Homem de Ferro, ninguém imaginava que aquele era o início de um projeto tão grandioso e ousado: o Universo Cinematográfico Marvel. Foram dezoito filmes com a proposta inédita de reunir uma série de heróis advindos de histórias diferentes no cinema, uma ideia arriscada, mas que provou ser um sucesso com o primeiro filme dos Vingadores. Dez anos depois, podemos ver o ápice desse projeto, em um verdadeiro épico que certamente é o filme mais imponente da Marvel: Vingadores - Guerra Infinita.

Crítica Vingadores Guerra Infinita


Vingadores: Guerra Infinita se passa logo após os acontecimentos de Thor: Ragnarok, quando a nave dos asgardianos é atacada pelo ser mais poderoso da galáxia: Thanos, que está atrás das seis joias do infinito - espaço, mente, alma, realidade, tempo, poder - para, com seu poder, destruir metade da vida no universo com um estalar de dedos. Enquanto o paradeiro da joia da alma é desconhecido, algumas joias - como a da Mente, que dá vida ao Visão, e a joia do Tempo, protegida pelo Doutor Estranho - estão localizadas na Terra, de modo que cabe aos Vingadores se reorganizarem para impedir Thanos de atingir seu objetivo.

Crítica Vingadores Guerra Infinita


Guerra Infinita é o projeto mais ambicioso da Marvel e permeado pela grande dificuldade de criar uma história coesa envolvendo tantas personagens, histórias e mesmo estilos diferentes. É certo que o MCU (sigla inglesa para Universo Cinematográfico Marvel) tem uma espécie de padronização em seus filmes e foi bem sucedido em interligar os dezoito filmes anteriores, mas como mesclar o humor escrachado dos Guardiões da Galáxia com um dos momentos mais sombrios da Marvel, ainda mais quando o último filme reunindo a maior parte dos Vingadores (Capitão América: Guerra Civil) terminou com a equipe fragmentada e defasada? Já não temos um Homem de Ferro autoconfiante e o Capitão America não usa mais as cores americanas ou o logotipo dos Vingadores. Todavia, os Irmãos Russo conseguiram entregar um épico do apontado "gênero" super-heróis, um filme de duas horas e quarenta minutos que a todo momento envolve e prende a atenção do telespectador. As piadas, onipresentes em todos os filmes da Marvel, também estão ali, mas cedem espaço ao drama e à desesperança quando necessário.

Crítica Vingadores Guerra Infinita


Para dar destaque apropriado aos mais de vinte heróis que aparecem no longa, as personagens são divididas em diferentes núcleos narrativos, possibilitando o espectador a acompanhar eventos paralelos (muitos situados no Espaço, e aqui há mais um acerto do filme em apresentar vários cenários) e ver combinações inovadoras nos filmes dos Vingadores, como a relação entre Thor e os Guardiões da Galáxia e as cenas protagonizadas pelo Doutor Estranho, Homem de Ferro e Homem Aranha. Em que pese algumas cenas sejam mais empolgantes que outras e alguns heróis pudessem ter sido melhores aproveitados, como Hulk, Pantera Negra e Feiticeira Escarlate, todos tiveram seu merecido tempo de tela e a dinâmica funciona perfeitamente, não trazendo nenhum ônus ao filme. No aspecto, é impressionante a sinergia entre as personagens, que garante excelentes cenas de ação (o que dizer de absolutamente todas as lutas contra Thanos?) e momentos emocionantes, capazes de mexer com os sentimentos do espectador.

Crítica Vingadores Guerra Infinita


Como todas as personagens já foram devidamente exploradas em filmes anteriores, Guerra Infinita prioriza acertadamente a apresentação de um dos melhores (se não o melhor) vilão da Marvel: Thanos. O titã construído em CGI, cuja ambição é conseguir todas as joias do infinito para matar metade do universo, ganha humanidade não apenas pelo eficiente trabalho técnico, mas pela atuação de Josh Brolin, que entrega um vilão de múltiplas dimensões com motivações críveis, uma personalidade carismática e, principalmente, o medo que a criatura mais poderosa da galáxia deve despertar. Cada vez que Thanos enfrenta um personagem, já esperamos, infelizmente, o pior acontecer. Por outro lado, chega a ser curioso como o vilão se sente em relação ao seu próprio passado e suas motivações, como ele acredita em sua missão. Thanos é grande protagonista do filme e a única personagem cujo arco tem início, meio e fim - e o final certamente é o mais impactante do Universo Cinematográfico Marvel.

Crítica Vingadores Guerra Infinita


Vingadores - Guerra Infinita é um filme que promete muito e, quando isso acontece, é muito fácil o público se decepcionar pelas expectativas não serem correspondidas. Este, no entanto, não é o problema de Guerra Infinita, que se trata de um filme coeso, impactante, uma síntese de tudo que foi produzido ao longo dos dez anos que acompanhamos os heróis. A história pode não ser tão complexa quanto (alguns) filmes antecessores, mas certamente o trabalho de conduzir uma série de histórias à trama de Guerra Infinita e dar um desfecho apropriado para a mesma faz do filme o mais desafiador até então. Desafio este que foi cumprido com maestria pela Marvel, tornando Guerra Infinita um filme monumental.

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Crítica: Pantera Negra (2018)


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Criado em 1966, o herói cuja primeira aparição foi nos quadrinhos do Quarteto Fantástico agora é protagonista de um dos filmes mais impressionantes e importantes do Universo Cinematográfico Marvel: Pantera Negra. Pantera Negra veio para questionar, para servir de exemplo e quebrar paradigmas. Talvez não seja o primeiro herói negro, mas o primeiro herói negro que é rei de um dos países mais bem desenvolvidos do mundo? O filme, ainda que se prenda à fórmula narrativa da Marvel, esquece as piadinhas e foge de estereótipos.

crítica Pantera Negra

Após a morte de seu pai, T'Challa (Chadwick Boseman) retorna ao lar para ocupar o trono de Wakanda, tecnológico e futurístico país da África que vive com um dos metais mais raros e valiosos já conhecidos, mas se apresenta ao exterior como um país de terceiro mundo. No entanto, com o reaparecimento de um antigo inimigo, não apenas seu reinado passa a ser ameaçado, como também o destino de Wakanda. Para impedir as consequências drásticas que um novo rei acabaria trazendo para o mundo, T'Challa conta com seu poder como o herói Pantera Negra e a ajuda das wakandianas Okoye (Danai Gurira), Nakia (Lupita Nyong'o) e Shuri (Letitia Wright) e do agente da cia Everett Ross (Martin Freeman) para impedir seus inimigos de iniciarem uma nova guerra.



Pantera Negra é um dos filmes mais políticos da Marvel, não apenas pela mensagem que consegue trazer, como também pela própria trama. Depois de conhecermos o herói, já introduzidos pelo Capitão América: Guerra Civil, passamos a acompanhar T'Challa enquanto herdeiro do trono, um rei que tem compromisso com o bem-estar e a segurança de seu povo, mas também passa a se questionar se a isolacionista Wakanda também teria um compromisso com o mundo. Neste compasso, a figura de Erik Killmonger (Michael B. Jordan) serve como um contraponto ao protagonista, eis que se trata de um negro nascido em uma periferia dos Estados Unidos, sofrendo o racismo e a opressão que o príncipe T'Challa não sofreu, sendo um dos vilões - apesar de sua outra motivação ser chiclê - mais críveis e humanos da Marvel. Cumpre ressaltar, ainda, que a cena pós-créditos de Pantera Negra é singela, mas importante, passando uma mensagem direta que um certo presidente - aliás, vários presidentes - deveriam seguir: em tempos de crise, sábios constroem pontes, enquanto tolos preferem barreiras. É um filme de herói, com lutas e cenas de ação, mas ainda que superficialmente, traz mensagens importantes, tanto no enredo quanto na própria estrutura.

crítica Pantera Negra


Quando se elogia a representatividade que o filme traz, não é a toa e nem para fazer grau: Pantera Negra apresenta um elenco de peso formado 90% por atores negros (incluindo nomes como a ganhadora do Oscar Lupita Nyong'o, Danai Gurira e, gravem esse nome, Letitia Wright, todas representando personagens extremamente fortes no filme), tem a trilha sonora composta majoritariamente por black music e demonstra todo um cuidado em cada figurino e traço cultural apresentado. Para desenvolver Pantera Negra, foi feito um trabalho de pesquisa sobre várias tribos africanas, o que culminou nos rituais apresentados, nas maquiagens de batalhas, nas marcas que determinados personagens carregam. É o que se nota dos grandes líderes representados com adereços típicos de tribos africanas, é o que se vê na própria estrutura de Wakanda, cidade futurística e moderna, que também apresenta casas simples, comércio de rua, grafite e elementos de cidades periféricas. Assim como a própria Wakanda, tudo no filme é a mistura do moderno com o novo, é abraçar o futuro sem esquecer as origens.

crítica Pantera Negra


Pantera Negra poderia ser mais do mesmo e, de fato, apresenta a mesma fórmula de quase todos os filmes de herói da Marvel, com um roteiro previsível, um vilão que busca vingança - e alguns aspectos bastante batidos, que não seriam capazes de empolgar o telespectador. Mas Pantera Negra nos empolga ao nos envolver em um universo cultural tão grandioso como o continente africano, e nos faz refletir, ainda que superficialmente, sobre a mensagem que o filme tão facilmente consegue passar. É um filme simbólico e imersivo, cuja trama realmente não é lá muito original, mas pode ser um dos melhores da Marvel.

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Crítica: Thor - Ragnarok


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Desde o lançamento do trailer, Thor: Ragnarok já chama atenção pela estética do projeto e pela premissa de adaptar uma das histórias mais impactantes dos quadrinhos ou, ao menos, ter como base o evento ragnarok, o fim de mundo. O terceiro filme do herói é divertido e tecnicamente muito bem feito, mas peca ao esquecer a potencial grandiosidade da história para entregar uma comédia nos padrões da Marvel.

Thor Ragnarok


Quando Thor e Loki encontram Odin na Terra, descobrem que Asgard corre um grande perigo: Hela, a poderosa Deusa da Morte e primogênita de Odin, resolve tomar Asgard e restaurar uma era de conquistas e dominação. Mal ocorre um primeiro confronto e tanto Loki quanto Thor acabam parando no planeta Sakkar, onde Thor é capturado por uma caçadora de recompensas e feito prisioneiro do Grão-Mestre, que muito aprecia lutas entre gladiadores. Para escapar, Thor é obrigado a se tornar um gladiador e vencer o grande campeão para ser libertado e, enfim, ir para Asgard derrotar Hela, evitando assim o Ragnarok, fim do mundo.



Como não podia deixar de ser, Thor: Ragnarok conta com boas cenas de ação, com destaque para a batalha final contra Hela e, claro, a esperada luta contra o vingador Hulk (Mark Ruffalo), recepcionado animadamente por Thor como um "colega de trabalho". O filme ainda nos apresenta a Valquíria (Tessa Thompson), uma bem executada versão do Grão-Mestre (Jeff Goldblum), Loki (Tom Hiddleston), impecável como sempre, e a primeira vilã da Marvel, Hela, em uma atuação bastante diferente de Cate Blanchett. Apesar das personagens serem bastante caricatas, todas são incrivelmente carismáticas e todo o elenco, no geral, possui uma excelente química, sendo visível que Chris Hemsworth se diverte ao interpretar Thor. Outro aspecto a ser elogiado, obviamente, é a ambientação em Sakkar e todo o visual do filme, desde o design dos personagens - com destaque para a vestimenta de Hela - até todos os prédios, efeitos especiais utilizados e mesmo a excelente trilha sonora, que dá a impressão de um game retrô.

Loki Thor Ragnarok


Ao meu ver, o grande problema do filme é ter reduzido uma história potencialmente sombria em um filme de comédia. Já estamos acostumados às "piadinhas" da Marvel e elas são muito bem-vindas em filmes como Homem-Aranha, mas o problema é quando não há uma dosagem entre drama e humor. Sempre que se pôde optar por uma cena impactante ou engraçada, foi escolhida a cena engraçada e, assim, o enredo como um todo perde um pouco de sua relevância. Da mesma forma, o humor do filme acaba comprometendo a personalidade atribuída a cada personagem, já que ninguém foge do seu estereótipo, sendo a vilã Hela, tão poderosa e perigosa, uma ameaça que não parece muito grande, cujos feitos não tem o peso que deveriam ter. No fim, o "Ragnarok", cuja premissa é tão imponente, apenas foi plano de fundo para uma série de piadas.

Hela Thor Ragnarok


Thor: Ragnarok é um filme divertido, com um bom uso da trilha sonora, efeitos especiais impactantes e boas cenas de ação, mas a verdade é que não acrescenta muito ao Universo Cinematográfico Marvel e, apesar de tecnicamente impressionante, não é um filme que se destaque entre os demais. Uma pena, pois um filme que foi incontestavelmente engraçado tinha potencial para ser brilhante.

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Crítica: Homem-Aranha - De Volta ao Lar


sexta-feira, 14 de julho de 2017



É difícil alguma pessoa jamais ter visto um filme do Homem-Aranha ou, ao menos, não saber a respeito da morte de Tio Ben e que com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. No entanto, é a primeira vez que temos a oportunidade de ver no cinema um Peter Parker adolescente, o que se torna ainda mais interessante quando o Homem-Aranha está integrado no chamado Universo Cinematográfico Marvel, ao lado dos Vingadores. Essa é a proposta de Homem-Aranha: De Volta ao Lar.

SpiderMan Homecoming


Homem-Aranha: de Volta ao Lar começa logo após a participação do herói na Guerra Civil, quando tudo que Peter Parker quer é ser chamado para novas missões e se tornar um dos Vingadores. No entanto, o "amigo da vizinha" passa seus dias de herói ajudando velhinhas e tentando impedir crimes menores - tudo depois da escola, onde enfrenta seus próprios dilemas adolescentes. Quando Peter Parker descobre que um grupo de criminosos está utilizando a tecnologia alienígena oriunda da primeira invasão impedida pelos Vingadores e materiais do próprio Departamento de Controle de Danos para criação de armas e venda no mercado-negro, Peter Parker se vê como o único capaz de impedi-los. Assim, o Homem-Aranha se prepara para enfrentar seu primeiro grande inimigo: o Abutre.



Depois de uma elogiada atuação em Capitão América - Guerra Civil, Tom Holland tinha a difícil missão de assumir o papel de Peter Parker tal como o mesmo é retratado nos quadrinhos, dando o humor necessário à personagem que os antigos atores não conseguiram. O novo Peter Parker é engraçado, inteligente e um pouco atrapalhado, usa estratégia nas suas batalhas e nos conquista pelas boas tiradas, de modo que o ator está ótimo no papel. O filme, de um modo geral, é muito divertido e não exagera na comédia como em alguns filmes da Marvel, apresentando um tipo de humor que meu amigo associou ao excelente Homem-Formiga. É curioso ver como Peter Parker e seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon, muito engraçado) se empolgam com os poderes do Homem-Aranha ao mesmo tempo que lidam com a escola, com o bullying de Flash (Tony Revolori) e com a graça de Liz Allen (Laura Harrier), que substitui Mary Jane e Gwen Stacy como a mocinha do filme.

SpiderMan Homecoming


Já assistimos o Homem-Aranha impedir a destruição de Nova York por vilões como Duende-Verde e Elektro e, inclusive, após a passagem do herói para a Marvel, o assistimos roubar o escudo do Capitão América. No entanto - e esse é o grande mérito do filme -, havia a necessidade de tratar o herói como o amigo da vizinhança, o adolescente que lida com criminosos comuns e se propõe a resolver os problemas do bairro e da cidade. Nesse sentido, De Volta ao Lar tem um título bem apropriado e acerta ao apresentar o Homem-Aranha com os problemas típicos da idade, lutando contra um vilão que não tem como ambição dominar o mundo, mas tão somente conseguir dinheiro (de um modo ilícito e egoísta, claro) para garantir uma vida confortável à família. Assim, o excelente Michael Keaton entrega um vilão carismático e compreensível, que não apela para a emoção, mas se encaixa e funciona nos dias atuais, enquanto Robert Downey Júnior assume uma função paterna em relação à Peter Parker, em intervenções pontuais e bem colocadas do Homem de Ferro, sem atrapalhar o ritmo do filme ou roubar o protagonismo do Homem-Aranha.

SpiderMan Homecoming


Apesar de algumas alterações causarem estranheza, como o uniforme tecnológico do Homem-Aranha, e o fato da história não ser tão grandiosa (e, ao meu ver, nem deveria, pois no momento o ideal é vermos o Homem-Aranha lidando com os problemas da cidade), a verdade é que Homem-Aranha: De Volta ao Lar não poderia ser melhor dentro da proposta que teve. Com uma atuação muito boa de Tom Holland, o novo filme do Homem-Aranha é divertido, interessante e nos empolga com o que está sendo representado e com o que está por vir. O final não poderia ser mais apropriado, e o próprio título traz uma série de significados, tanto pelo roteiro quanto pelo fato do filme ser produzido pela Marvel, apesar da Sony ser responsável pelos sempre excelentes efeitos especiais: Homem-Aranha está de volta à casa.

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Crítica: Logan


quarta-feira, 8 de março de 2017

Há uma semana eu fui ao cinema assistir Logan, o último filme de Hugh Jackman como Wolverine. Com uma excelente trilha sonora incluindo Johnny Cash e as sempre bem-vindas cenas de ação, dessa vez encontramos um personagem mais humanizado, em um belíssimo filme de despedida.

Logan


Em 2029, Wolverine já não é mais o mesmo. Velho, cansado e amargurado com toda a violência que a vida lhe trouxe, o antigo X-Men passa seus dias trabalhando como motorista e entregando remédios para o antigo Professor Xavier, que por sua vez vive isolado por conta de uma doença cerebral. Quase todos os X-Men foram mortos e há vinte e cinco anos não nascem mais mutantes. Nesse contexto, Logan recebe o que parece ser sua última missão: levar a pequena Laura, uma criança com a mesma mutação que a sua, para um lugar chamado "Éden". Laura é resultado de um perverso experimento e, assim como outras crianças, foi criada em um laboratório, que também desenvolveu sua mutação. No entanto, não se trata de uma missão fácil, e a viagem acarretará muitos perigos.



Mesmo que por motivos inexplicáveis (afinal, o que aconteceu com a regeneração do Wolverine?), a velhice chega para todos, e um dos aspectos mais impactantes do filme é mostrar os poucos X-Men que restaram vulneráveis, com saúde frágil e surpreendentemente humanos. Além de Logan apresentar não só o físico envelhecido como demonstrar sinais de fraqueza após as lutas, também descobrimos que o cérebro mais poderoso do mundo está com uma doença degenerativa, e fica a curiosidade sobre o que os poderes de Charles Xavier podem fazer nessa situação. Por outro lado, vemos na selvagem Laura - uma imagem do que Wolverine era antigamente - como uma esperança, a possibilidade de um futuro sem cometer os mesmos erros do passado.

Logan


Não é à toa que o título do último filme não é "X-Men" ou mesmo "Wolverine", mas tão somente "Logan". O filme centra-se principalmente na figura do anti-herói, sua relação com Laura e o peso de um passado cheio de violência e matança, trazendo uma sensação de reflexão e um sentimento que aproxima-se da nostalgia, afinal, é a despedida de Hugh Jackman no papel. O ator não poderia estar melhor no papel e a atuação de Patrick Stewart e Dafne Keen (únicos personagens que realmente se destacam na trama, além do Logan) também estão excelentes, apesar de Laura ser uma criança exageradamente violenta. Por sinal, Logan é o filme mais violento da franquia e também tem ótimas cenas de ação, mas sua história linear e 'pura' fazem com que eventuais excessos sejam perdoados, de modo que o filme é uma excelente obra.

Logan


Sem entregar spoilers, só posso dizer que Logan tem um excelente final, tanto do filme em si, quanto da participação de Hugh Jackman na franquia. Diferentemente dos outros filmes da Marvel, não há cenas pós-créditos, porque não há mais nada a ser dito. No final, há esperança para os que estão por vir, mas para quem fica sobram apenas as dores e as lembranças de toda uma vida.

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Crítica: Doutor Estranho


terça-feira, 8 de novembro de 2016



Entre tantos lançamentos maiores como Capitão América: Guerra Civil e X-Men: Apocalipse, um dos filmes mais esperados da Marvel era justamente a história de origem de um herói que não é mestre, e sim Doutor. Com efeitos especiais surpreendentes e uma história que se situa entre as melhores da Marvel, Doutor Estranho cumpre o que promete ao mostrar que o universo esconde muitas possibilidades.



Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um famoso neurocirurgião que, por conta de um acidente, perde o controle de suas mãos e é impossibilitado de exercer sua profissão. Desesperado e sem encontrar nenhuma solução na medicina convencional, Dr. Strange investe suas últimas economias em uma viagem para Catmandu, procurando a cura em um misterioso lugar chamado Kamar-Taj. A partir de então, A Anciã (Tilda Swinton) passa a guiar Stephen Strange pelos caminhos da mente, de modo que o doutor acaba descobrindo dimensões que transcendem a nossa realidade e se envolvendo com um grupo de magos responsáveis por proteger a Terra de perigos místicos e espirituais.



Doutor Estranho segue a típica "Jornada do Herói", descobrindo cada vez mais sobre suas habilidades e sobre si mesmo até chegar o momento em que ele desafiará um grande mal, já que Kaecilius (Mads Mikkelsen), um talentoso ex-aluno, quer liberar o poderoso Dormammu para que a Dimensão Negra consuma a Terra. O roteiro em si não traz nenhuma inovação e conta com as típicas piadas da Marvel, mas tem um ótimo ritmo para um filme introdutório e conta com um elenco de peso: Benedict está confortável e demonstra ser a escolha perfeita para Doutor Estranho, enquanto Tilda Swinton está impecável como a mestre do herói. Entre esses dois importantíssimos papéis, Rachel McAdams recebe um papel menos aproveitado e, apesar de Mordo ser um importante personagem no futuro, Chiwetel Ejiofor não consegue convencer com o seu personagem.



Com seus aspectos positivos e negativos, Doutor Estranho poderia ser apenas um filme comum de super-heróis, se não fosse um elemento torná-lo fantástico: os efeitos visuais. Mais do que mero atrativo, são os efeitos visuais que introduzem o autor à história e o fazem descobrir outras dimensões juntos do Doutor, apresentando cenários calendoscópicos e psicodélicos que remetem à década na qual Doutor Estranho foi criado. Se as cenas de distorção da realidade são apenas um diferencial em A Origem, aqui elas também são utilizadas em lutas muito bem coreografadas, além de deslumbrar o telespectador. É uma experiência visualmente impactante e vale a pena pagar mais caro para assistir em 3D ou Imax.



Enquanto alguns acusam Doutor Estranho de utilizar uma fórmula repetitiva, outros o apontam como o melhor filme da Marvel. De fato, Doutor Estranho reúne todas as melhores características do Estúdio ao mesmo tempo em que a trilha sonora (Michael Giacchino) e os efeitos especiais demonstram se tratar de um filme peculiar, com um visual marcante e um herói muito interessante. Se, assim como Stephen Strange, você não se sente atraído por magia e nunca pensou em se envolver com nada (nem mesmo um filme!) sobrenatural, eis a mesma dica que deram ao protagonista antes de ingressar no Kamar-Taj: abra sua mente, pois Doutor Estranho acabará surpreendendo você.

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Crítica: Capitão América - Guerra Civil


quinta-feira, 5 de maio de 2016



Filmes da Marvel são reconhecidos por cenas de ação bem coreografadas e certa comédia envolvendo os heróis, o que foi um acerto no primeiro Vingadores e um erro em Era de Ultron. Dessa vez, o filme responsável por trazer novamente esse time de heróis é o final da trilogia do Capitão América, em uma continuação tão interessante e bem sucedida quanto O Soldado Invernal, mas com uma roupagem mais madura e um dilema mais complicado. Trata-se do aguardado Capitão América - Guerra Civil, que coloca os heróis contra si mesmos.



Capitão América - Guerra Civil se passa logo após A Era de Ultron, quando a imagem dos Vingadores já estava prejudicada por conta da destruição de Sokovia. Após uma missão mal sucedida contra o vilão Ossos Cruzados, que resultou em uma nova tragédia, 117 países da ONU criaram o Tratado de Sokovia, que obrigaria os heróis a obedecer à ONU e só agir quando solicitado. Enquanto Homem de Ferro, Viúva Negra e outros vingadores concordam em assinar o Tratado, outros como o Capitão América se opõem a serem controlados por uma comissão, e a situação se agrava quando O Soldado Invernal é responsabilizado por um ataque terrorista. Acreditando que Bucky não é o terrorista, o Capitão América junta uma equipe para investigar o caso, mas isso divide ainda mais os Vingadores, pois o Homem de Ferro também junta uma equipe para persuadir Capitão América e os outros a assinar o Trato e arcar com as responsabilidades de suas ações.



Inspirado pelo célebre arco dos quadrinhos, Guerra Civil é talvez o filme mais maduro da Marvel, pois os Vingadores dividem-se conforme o que acreditam e Capitão América enfrenta decide respeitar sua moral ao invés de respeitar à lei. É justamente esse o dilema que resulta do Tratado de Sokovia: os heróis devem agir conforme acham certo ou se submeter ao julgamento de uma comissão que eventualmente trará decisões polêmicas, coibirá as ações dos Vingadores? É certo deixar que um grupo super-poderoso de indivíduos decida como aplicar justiça, colocando em risco a vida de outras pessoas? Como responsabilizar os heróis? As questões pertinentes à ética e Direito Internacional trazem uma dimensão interessante ao filme, que não tem tantas piadas e até os momentos de ação (excelentes, como de costume) são mais tensos, difíceis de assistir. Não se trata dos heróis lutando contra um vilão, e sim, lutando contra si mesmos por causa de suas convicções. Não há um lado certo.



Para tanto, Chris Evans entrega mais uma atuação acertada como Capitão América e o excelente Robert Downey Jr. apresenta um Tony Stark cada vez mais triste e menos arrogante, vez que admitiu os erros do passado. Atores antigos como Scarlett Johansonn continuam ótimos e as novas adições ao elenco não deixaram o filme 'confuso' por conta da grande quantidade de heróis, e sim, o enriqueceram. Pantera Negro (Chadwick Boseman) mostra ser um personagem interessantíssimo, Homem-Formiga (Paul Rudd que já teve seu filme solo) traz o pouco de comédia do filme sem estragar o clima e Homem-Aranha, por incrível que pareça, nos faz torcer por um filme individual, pois é interpretado por um carismático Tom Holland que soube dar o tom certo ao personagem.



Capitão América - Guerra Civil distancia-se em muito dos quadrinhos, mas traz diversos elementos necessários à história, adequando-se ao Universo Cinematográfico Marvel. Em duas horas e meia, os roteiristas souberam expor o conflito com maestria e inserir esse episódio entre os demais filmes, nos deixando mais próximos dos heróis, aumentando a equipe e nos preparando para o próximo filme dos Vingadores. Apesar dos momentos grandiosos, Capitão América - Guerra Civil não é um filme tão empolgante quanto propõe e pode desagradar os fãs que ainda não sabem diferenciar cinema de quadrinhos, mas é coeso, bem desenvolvido e indispensável para quem gosta de filmes de super-heróis.

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Crítica: Deadpool


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016



Depois de uma aparição sofrível em X-Men Origens: Wolverine, o Mercenário Tagarela surge com o mesmo humor e personalidade dos quadrinhos em um filme que demorou onze anos para sair do papel, mas a espera dos fãs foi recompensada: Deadpool cumpre o que promete.



Os excelentes créditos iniciais do filme já anunciam o que esperar: um filme debochado, irreverente e cujos verdadeiros heróis são os roteirista. Deadpool começa com uma violenta cena de ação na qual o personagem (Ryan Reynolds) está procurando por Francis, vilão do filme. Para entendermos, o próprio anti-herói explica sua origem: Wade Wilson era um mercenário que se apaixonou pela prostituta Vanessa, com a qual viveu um intenso amor até descobrir um câncer terminal. Diante a notícia, Wade aceita uma proposta suspeita que poderia curar sua doença e transformá-lo em um super-herói, mas o objetivo é bem mais cruel e como resultado, Francis o deixou com grande capacidade regenerativa, mas deformou completamente o corpo de Wade. Assim, Wade se torna Deadpool e parte em busca de Francis para restaurar sua face e recuperar a vida antiga.



Apesar da história ser um clichê em filmes de Super-Heróis (salvar a mocinha), Deadpool é um personagem nada convencional e justamente essa é a originalidade do filme, que não tenta agradar ninguém (no sentido de não fazer concessões que diminuíssem a liberdade da história) e zomba de todo mundo: de Ryan Reynolds, de Lanterna Verde, das linhas do tempo de X-Men, do próprio estúdio que produziu o filme. A Fox sempre foi temerosa em fazer um filme de "super-herói" para maiores de 18 anos e Ryan Reynolds sempre culpou o estúdio pela imagem completamente deturpada do personagem em X-Men Origens Wolverine. Acontece que Deadpool não é um super-herói e a faixa etária foi essencial para possibilitar a violência e humor negro que envolvem o personagem, que dessa vez foi interpretado por um Reynolds muitíssimo confortável no papel.



Se por um lado estamos enfadados de filmes de origem, saber como surgiu Deadpool é imprescindível para compreendermos e simpatizarmos com o personagem. O filme cresce ao contar sobre o él câncer e a química de Ryan com a brasileira Morena Baccarin é realmente boa, de modo que nem é tão importante o fato do vilão ser inexpressivo, apesar da sua importância. O filme ainda conta com Colossus e Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand) representando os poucos X-Men que o estúdio pode pagar e a história de origem dos quadrinhos foi modificada no filme, mas ao invés de prejudicar, o modo com que a adaptação foi feita realça todos os aspectos importantes e é perfeita para o cinema. No mais, a trilha sonora está bastante adequada e o filme fez o melhor possível conforme permitido pelo orçamento.



Assim como muitos filmes dos heróis da Marvel, Deadpool é extremamente engraçado e possui ótimas cenas de ação, mas dessa vez a violência é bem exagerada e o filme abusa da câmera lenta para dar mais impacto às cenas. Na verdade, o grande diferencial do filme está no próprio personagem, um anti-herói autêntico, irreverente e que constantemente quebra a 'quarta parede'.

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Crítica: Homem-Formiga


sexta-feira, 14 de agosto de 2015



Sem nenhuma expectativa, fui assistir Homem-Formiga, que estreou nos cinemas dia 16 de Julho. Verdade seja dita, o filme não tem nenhum apelo comercial e a própria ideia de um herói diminuto é engraçada, mas difícil de ser levada a sério. Qual não foi a minha surpresa ao assistir um filme divertido e ao mesmo tempo bem construído e interessante?



Scott Lang (Paul Rudd) é um ex-ladrão que decide ficar afastado do crime para ter uma chance de conviver com sua filha, Cassie. Quando não encontra um emprego para pagar a pensão, Scott aceita participar do assalto ao cofre do milionário Hank Pym (Michael Douglas), mas tem uma surpresa ao encontrar um estranho traje no lugar de dinheiro. Este traje foi desenvolvido por Hank Pym para diminuir o usuário em tamanho e potencializar ao máximo sua força, mas permaneceu em segredo pelo medo desta tecnologia cair em mãos erradas. Quando o ambicioso Darren Cross (Corey Stoll) está prestes a desenvolver a Jaqueta Amarela, com uma tecnologia também capaz de miniaturizar seres vivos, Scott Lang se vê envolto em uma trama perigosa, na qual tem que aprender a controlar suas novas habilidades e participar de mais um grande assalto para roubar a tecnologia de Cross, se tornando então o Homem-Formiga.



Com um roteiro coeso e bem desenvolvido, Homem Formiga aposta não apenas na retratação do herói, mas nos problemas pessoais dos protagonistas e personagens que fazem o filme não estar tão distante da nossa realidade. Se Hank Pym (Michael Douglas, ótimo no papel) é um homem sensato e amargurado pelo passado, Scott é um cara carismático que quer o bem da filha, anda com ladrões que são 'gente boa' e há vários diálogos no filme interessantes e bem construídos - quando em excesso, o próprio personagem interrompe com um 'uau, belo discurso'. O humor é a peça-chave do filme, cujo enredo inicia semelhante a um 'filme de roubo' e todo o suspense que emana do gênero, mas a todo tempo encontramos características típicas dos filmes de super-heróis, destacando a brilhante interação com o universo dos Vingadores, com várias referências e direito até mesmo à participação do Falcão, presente também em Capitão América - O Soldado Invernal (por sinal, um filme surpreendente e no mesmo nível).



Ainda que pessoalmente não me agrade a ideia de um super-herói minúsculo, é inegável que em Homem Formiga ela foi bem explorada. A transformação de Scott Lang em Homem Formiga e as explicações didáticas sobre os animais do gênero vem numa forma resumida e não cansativa para os expectadores, e por incrível que pareça o filme acerta nas cenas de ação. As habilidades do herói de diminuir e voltar ao tamanho normal tornam as lutas bastante dinâmicas e apesar de soar engraçado (o que é, propositalmente), é interessante ver o herói controlar as formigas para se manter em pé na água ou então, ver sua emocionante luta contra Jaqueta Amarela, com uma perseguição em cima de um trem e arremessamento de objetos que parecem ter uma proporção épica, mas na verdade são apenas brinquedos de criança. Claro que para isso dar certo foi essencial um bom uso dos efeitos especiais e exploração das dimensões que o Homem Formiga experimenta, sendo os vários ângulos responsáveis por uma experiência visualmente impactante.



Independente de considerarmos o Homem-Formiga como um super-herói interessante ou infantil (no meu caso, minha única crítica é justamente o fato de eu julgar a ideia base um tanto boba), é fato que estamos diante de mais uma excelente produção da Marvel. Divertido e empolgante na medida certa, Homem-Formiga tem personagens cativantes, boas cenas de ação e um roteiro cuidadosamente bem explorado. Apesar da importância no Universo Marvel, não tem o apelo dos outros super-heróis a ponto de ser revisto e certamente não tem o mesmo peso de Vingadores, mas vez que o Homem Formiga é estruturalmente melhor, é mais uma prova de que tamanho não é documento.

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Crítica: Os Vingadores - A Era de Ultron


terça-feira, 2 de junho de 2015



Do revolucionário Os Vingadores até agora, somos bombardeados de notícias sobre filmes de super-heróis e com satisfação vemos crescer o Universo Marvel, já com mais de dez filmes. Nesse contexto, não é surpresa que Os Vingadores - A Era de Ultron fosse um dos mais aguardados do ano e lotasse as salas de cinema, tanto que só consegui assistir um mês depois da estreia. Agora, fica a dúvida se a espera valeu a pena.



Os Vingadores - A Era de Ultron começa com uma clássica cena de ação em Sokovia, onde um antigo posto da H.I.D.R.A realizava experimentos em humanos utilizando o cetro do Loki. Quando os heróis recuperaram o cetro, Tony Stark descobre uma inteligência artificial dentro da gema e, com o apoio de Bruce Banner, cria Ultron, um programa visando a defesa da Terra e paz mundial. Acontece que Ultron refletiu que a paz só seria alcançada com a destruição dos Vingadores, então o robô os atacou durante uma festa da equipe, recrutou Wanda e Pietro Maximoff (que possuíam fortes poderes e sede de vingança contra Tony Stark) e começou uma série de ações para melhorar o mundo - com a extinção da raça humana. Cabe aos heróis lidarem com seus medos, reverem suas emoções internas e fazer o possível para destruir um inimigo poderoso e onipresente, agindo não apenas como Vingadores individualmente, mas como uma equipe.



Uma vez que os Vingadores já foram apresentados em filmes anteriores, a Era de Ultron trouxe novos dilemas e uma visão mais intimista de cada super-herói, com destaque para o desenvolvimento de Viúva Negra e Gavião Arqueiro, únicos que não tem um filme solo. Nesse sentido, apesar das cenas de ação serem excelentes como de costume, as melhores partes de Vingadores eram justamente as de cunho mais casual, como a família de um deles, um novo romance e a festa de confraternização em que todos tentam levantar o martelo de Thor. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo dos gêmeos, personagens fortes nas HQ, mas com uma motivação tão frágil no filme que perderam metade do brilho. Essa impressão também foi causada graças à inserção rápida e superficial das personagens na história, o que também ocorreu com Visão e o próprio Ultron, mas não se podia esperar uma melhor introdução em pouco menos de duas horas e meia de filme, por mais que esta duração seja longa.



Mesmo com um desenvolvimento razoável da maioria das personagens e os efeitos visuais caprichosos aos quais já estamos acostumados, a verdade é que a sequência de Os Vingadores quase se perdeu. O filme peca no ritmo, que lentamente vai incluindo cenas "ao acaso" até os primeiros atos de Ultron, que enfim passam a proporcionar uma sequência interessante. Quanto ao vilão, Ultron está sendo elogiado por sua 'presença', sarcasmo e maldade, mas me parece mais uma versão antagônica ao Homem de Ferro, cujo único objetivo é destruir o mundo, sem grandes explicações. Obviamente, o debate sobre dar vida a uma inteligência artificial é atual e bem exemplificado no filme, mas as ambições do novo inimigo não convenceram e não houve uma mudança gradual ou suspense. Talvez isso seja pelo fato óbvio de Ultron não ser um humano, mas não é possível sentir medo e tampouco surpreender-se com o novo vilão.



Os Vingadores - A Era de Ultron é um filme importante para o Universo Marvel com um resultado final satisfatório, mas não deixa de ser uma reprodução enfraquecida da fórmula de sucesso dos filmes anteriores. Com humor, um vilão poderoso e muitas cenas de ação, A Era de Ultron poderia ser bem melhor se não explorada com tanta pressa a ponto de cair no lugar comum, mas se salva nos momentos finais e prepara terreno para os filmes que estão por vir, que possivelmente mostrarão que Ultron estava certo: não há paz com os Vingadores.

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Crítica: Guardiões da Galáxia


terça-feira, 12 de agosto de 2014



Quando pensamos na Marvel, logo nos vem à mente heróis como Homem de Ferro, Homem Aranha e X-Men, sobretudo pelas suas adaptações ao cinema. Quem diria que a esse quadro se uniria um grupo de heróis tão inesperado? É com curiosidade de recepcionar esses heróis que assisti Os Guardiões da Galáxia, novo filme da Marvel.



Os créditos iniciais já denunciam o ritmo do filme: Peter Quill (Chris Pratt) é um bem-humorado e animado saqueador, abduzido da Terra quando criança e que anos mais tarde rouba uma esfera almejada por Thanos e por seu aliado Ronan (Lee Pace), que busca o objeto. Para isso, Ronan manda Gamora (Zoe Saldana) interceptar Peter Quill, mas em uma confusão envolvendo a alienígena, o humano, o vegetal Groot e o não tão simpático (mas cativante) guaxinim Rocket Raccoon, todos acabam sendo presos. Junto do demolidor Drax (Dave Bautista), o grupo tenta escapar da prisão, unido por algo além dos seus interesses individuais e enfrentando várias situações para impedir que a esfera caia nas mãos de Ronan e o planeta Xandar seja destruído.



Em primeiro lugar, apesar do termo empregado os Guardiões da Galáxia não são inicialmente heróis: Rocket e Groot são caçadores de recompensa, Gamora é uma assassina profissional, Quill é um saqueador, todos são aventureiros solitários de personalidades e profissões duvidosas. Isso implica em muito sarcasmo, frases inapropriadas e situações que caracterizam o lado comédia do filme, além da facilidade de simpatizar com os personagens. As músicas também foram muito bem escolhidas e dão um ritmo leve no geral, exceto pela excelente batalha intergaláctica ao som de Cherry Bomb, que por sua vez tem efeitos especiais dignos de um filme no espaço.



O visual dos personagens e cenários lembram muito o que vimos em filmes como Star Wars ou Star Trek, sendo eficientes mas não se destacando. Fora isso, o filme tem exatamente os mesmos ingredientes que qualquer filme de super-herói: muitas cenas de ação mescladas com um humor irônico próprio dos personagens. Infelizmente, esse humor fica um tanto forçado em algumas cenas (distrair o vilão?) e preocupa o fato do filme se estender por duas horas, principalmente quando de cinco em cinco minutos ouvíamos um “eu sou Groot”. Na verdade, é elogiável a iniciativa de dar maior visibilidade a heróis alternativos da Marvel trazendo-os ao cinema, mas apesar dos significativos ganchos para Vingadores 2, Guardiões da Galáxia em si não tem nada demais, sendo bem feito como entretenimento, mas também sendo “mais do mesmo”.



Guardiões da Galáxia é um clássico filme de super-heróis, com protagonistas carismáticos, guerras espaciais, um vilão poderoso e a missão de salvar o mundo. Despretensioso, divertido e animado, Guardiões da Galáxia é um filme honesto que não emociona e nem explora de forma significativa seu enredo e personagens, mas cumpre seu papel na nova fase dos filmes da Marvel.

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Crítica: X-Men Dias de um Futuro Esquecido


sexta-feira, 6 de junho de 2014



Depois do ótimo X-Men: Primeira Classe e um não tão ótimo Wolverine: Imortal, novamente somos presenteados com um novo filme dos mutantes, nos permitindo fazer uma reflexão acerca do ódio ao diferente em meio a diversas cenas de ação e uma viagem no tempo: X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido.



Quando Mística (Jennifer Lawrence) descobriu sobre o desenvolvimento do Projeto Sentinela e matou seu criador Tyrion Trask (Peter Dinklage) em 1973, mal sabia que estaria desencadeando uma série de acontecimentos que levaria ao futuro apocalíptico de 2013, em que qualquer pessoa com o gene da mutação é perseguida e morta pelos robôs Sentinela. Nesse futuro, em que Xavier (James McAvoy/Patrick Stewart), Magneto (Michael Fassbender/Ian McKellen), Tempestade (Halle Bery), Mancha Solar, Blink e poucos mutantes sobreviveram, cabe ao Wolverine (Hugh Jackman) voltar ao passado, tentar unir os rivais Xavier e Magneto e impedir a morte do Dr. Trask, a captura de Mística e tudo o mais que fosse acontecer.



Misturando os eventos de X-Men: Primeira Classe com X-Men: O Confronto Final, esse filme promove uma interessante viagem no tempo em que encontramos um jovem Xavier mais humano, um Magneto roubando a cena como sempre e um contexto intrigante envolvendo a Guerra do Vietnã, a criação do programa Sentinela e medo e ódio contra os mutantes. Como era de se esperar do ótimo elenco, as atuações estão muito convincentes e há um envolvimento tanto com a história quanto com os personagens em si, graças aos talentos dos atores James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence e também dos veteranos.



Apesar de a trama ser bem empolgante e o roteiro do filme em si ser bem construído, o filme deixa questões em branco levantadas pelos filmes anteriores e para falar a verdade, ficamos sem saber até que ponto X-Men: O Confronto Final foi ignorado. Ao contrário dos quadrinhos, é Wolverine que é enviado ao passado no lugar de Kitty Pride (dá mais audiência) e não é mencionado como ela conseguiu seu poder de “enviar as pessoas no tempo”. Entretanto, nada deixa o filme menos impressionante, chegando a ser considerado, talvez, o melhor da série.



X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é um filme que mistura indispensáveis cenas de ação características dos filmes de super-heróis com um memorável arco dos X-Men. Divertido, empolgante e muito bem produzido, o longa retrata a viagem no tempo de uma forma formidável, trazendo uma história reflexiva quanto aos valores e empolgante para o espectador, nos deixando ansiosos para um próximo filme.

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Crítica: Capitão América - O Soldado Invernal


quarta-feira, 23 de abril de 2014



Quem diria que um dos heróis mais insosso da Marvel receberia uma sequência tão bem construída e tão superior ao primeiro filme? Depois de me decepcionar com Capitão América - O Primeiro Vingador, é com certa surpresa que encontro em Capitão América - O Soldado Invernal uma história interessante e com muita ação, muito aquém do que esperava para este herói.



Após os eventos dos Vingadores, Steve Rogers (Chris Evans) está tentando se adaptar à vida moderna continuando a ser 'um bom soldado', mas com crescentes dúvidas quanto ao seu papel. Quando a organização inimiga HIDRA atenta contra a vida de Nick Furry (Samuel L. Jackson) para colocar em prática o plano que daria início à nova ordem mundial, Capitão América se junta à Viúva Negra (Scarlett Johansson) para impedir o lançamento dos porta-aviões capazes de eliminar qualquer pessoa que se oponha à HIDRA e descobrir no que isto afeta à SHIELD, tomada por inimigos. Nesta jornada, várias são as tentativas de morte feitas por ninjas e espiões, mas nenhum inimigo é mais forte que o Soldado Invernal (Sebastian Stan), que infelizmente era uma pessoa muito próxima de Steve Rogers.



Funcionando como um 'filme do meio', Capitão América tem um roteiro bem elaborado e que contribui para a história da franquia como um todo, de forma que ficamos preocupados com o futuro da SHIELD e nos envolvemos na missão de Steve e Natasha Romanoff. Ainda que ambos tenham bons atores, Steve Rogers continua não chamando minha atenção, mas nos impressiona por sua habilidade sobre-humana de se dar bem em qualquer cena de luta, que por sinal são muito bem coreografadas. Apesar das cenas de ação serem bastante irreais (como todas as cenas de ação de Hollywood), são empolgantes e bem feitas, constituindo um ponto positivo do filme.



Apesar de ter bons efeitos especiais, felizmente o filme não se sustenta apenas por eles. Capitão América tem um enredo mais sério, um humor não forçado e um clima mais dinâmico, uma história de início meio e fim. Além de cenas de ação, o filme apela para o lado emocional quando Capitão América percebe sua antiga amizade com o Soldado Invernal - pena que esse momento tão chocante para o Capitão América não foi tão emocionante para mim. Infelizmente, só fui descobrir que o personagem o mercenário da HIDRA era mesmo o Soldado Invernal quando pesquisei na Internet, já que esta alcunha foi citada pouquíssimas vezes ao longo do filme.



Capitão América - O Soldado Invernal pode não empolgar tanto quanto Os Vingadores, mas é um filme importante: os acontecimentos relatados na narrativa influenciarão o Universo Marvel e o enredo dos filmes que estão por vir. A ótima cena do pós créditos nos deixa ansiosos por uma união que por se tratar de estúdios diferentes não acontecerá, mas que certamente nos promete uma boa história. Eis o mérito deste novo Capitão América, nos deixar cada vez mais imersos nesse mundo de super-heróis.

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