Há uma semana eu fui ao cinema assistir Logan, o último filme de Hugh Jackman como Wolverine. Com uma excelente trilha sonora incluindo Johnny Cash e as sempre bem-vindas cenas de ação, dessa vez encontramos um personagem mais humanizado, em um belíssimo filme de despedida.

Em 2029, Wolverine já não é mais o mesmo. Velho, cansado e amargurado com toda a violência que a vida lhe trouxe, o antigo X-Men passa seus dias trabalhando como motorista e entregando remédios para o antigo Professor Xavier, que por sua vez vive isolado por conta de uma doença cerebral. Quase todos os X-Men foram mortos e há vinte e cinco anos não nascem mais mutantes. Nesse contexto, Logan recebe o que parece ser sua última missão: levar a pequena Laura, uma criança com a mesma mutação que a sua, para um lugar chamado "Éden". Laura é resultado de um perverso experimento e, assim como outras crianças, foi criada em um laboratório, que também desenvolveu sua mutação. No entanto, não se trata de uma missão fácil, e a viagem acarretará muitos perigos.
Mesmo que por motivos inexplicáveis (afinal, o que aconteceu com a regeneração do Wolverine?), a velhice chega para todos, e um dos aspectos mais impactantes do filme é mostrar os poucos X-Men que restaram vulneráveis, com saúde frágil e surpreendentemente humanos. Além de Logan apresentar não só o físico envelhecido como demonstrar sinais de fraqueza após as lutas, também descobrimos que o cérebro mais poderoso do mundo está com uma doença degenerativa, e fica a curiosidade sobre o que os poderes de Charles Xavier podem fazer nessa situação. Por outro lado, vemos na selvagem Laura - uma imagem do que Wolverine era antigamente - como uma esperança, a possibilidade de um futuro sem cometer os mesmos erros do passado.
Não é à toa que o título do último filme não é "X-Men" ou mesmo "Wolverine", mas tão somente "Logan". O filme centra-se principalmente na figura do anti-herói, sua relação com Laura e o peso de um passado cheio de violência e matança, trazendo uma sensação de reflexão e um sentimento que aproxima-se da nostalgia, afinal, é a despedida de Hugh Jackman no papel. O ator não poderia estar melhor no papel e a atuação de Patrick Stewart e Dafne Keen (únicos personagens que realmente se destacam na trama, além do Logan) também estão excelentes, apesar de Laura ser uma criança exageradamente violenta. Por sinal, Logan é o filme mais violento da franquia e também tem ótimas cenas de ação, mas sua história linear e 'pura' fazem com que eventuais excessos sejam perdoados, de modo que o filme é uma excelente obra.

Sem entregar spoilers, só posso dizer que Logan tem um excelente final, tanto do filme em si, quanto da participação de Hugh Jackman na franquia. Diferentemente dos outros filmes da Marvel, não há cenas pós-créditos, porque não há mais nada a ser dito. No final, há esperança para os que estão por vir, mas para quem fica sobram apenas as dores e as lembranças de toda uma vida.













quarta-feira, 8 de março de 2017