Retrospectiva Literária 2013


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014





Todo mundo sabe que eu gosto bastante de livros. 2013 foi um ano bem especial para mim porque eu adquiri vários livros que eu estava namorando há um tempão, ganhei outros inesperados, mas muito interessantes e agora, todos estão bem organizados na minha estante, que dá gosto de olhar. O lado ruim é que eu não consegui ler tanto quanto eu gostaria por causa da faculdade, mas ainda assim li vários livros e olhando para trás tenho uma retrospectiva legal, olha só:



As Vantagens de Ser Invisível, Morte Súbita e O Castelo dos Pirineus já fiz resenha no blog, e como já tenho as postagens preparadas de Escrito nas Estrelas, Guerra dos Tronos (em geral), Admirável Mundo Novo e 1984, também não vou falar deles nessa retrospectiva. Não escreverei sobre O Contrato Social, Dos Delitos e das Penas, A Era do Direito e The Soul of Man Under Socialism porque eles têm um caráter mais reflexivo e filosófico, mas recomendo a todos que os que têm um espírito mais curioso e questionador. Os Miseráveis já falei tanto que vocês estão de saco cheio não é? Bem, vamos aos oito livros que sobraram para nossa retrospectiva <3

O Grande Gatsby

Popularizado agora com o novo filme de 2013, O Grande Gatsby retrata a sociedade americana da década de 1920, com toda sua prosperidade, materialismo e moralidade decadente. Nesse romance, Nick Carraway conhece Jay Gatsby, um bilionário famoso pelas suas grandes festas, realizadas apenas para que ele reencontre Daisy, esposa de Tom Buchanan e seu antigo amor. Não é uma história de amor, mas uma crítica à superficialidade e materialismo.

O Morro dos Ventos Uivantes

Um dos meus livros preferidos e com certeza a melhor (ou pior? Maldito romance!) história de amor que eu já li, O Morro dos Ventos Uivantes retrata o relacionamento tórrido, intenso e verdadeiro de Catherine e Heathcliff. Loucos um pelo outro, eles não podem se casar devido as diferentes condições financeiras, que se mostram um empecilho para a fútil Caty. Uma história de ódio, vingança, amargura, sofrimento... e amor! Como diz na capa do meu livro, “o amor nunca morre!”.

Noite na Taverna

Expoente brasileiro da segunda geração romântica, Noite na Taverna é um compilado de histórias sobre amor, morte e bebida, contados por cinco homens em uma caverna. Apesar da casualidade, é um livro bastante pesado, mórbido, em que o amor sempre origina atitudes violentas. Felizmente é curto e fácil de ler, mas não sei ainda o porquê de ser considerado um clássico, apesar de ser legal até.

The Importance of Being Earnest/ The Happy Prince and Other Tales

Adoro Oscar Wilde desde que li O Retrato de Dorian Gray (resenha). A Importância de ser Ernesto é uma humorada peça teatral sobre dois homens que ocultam seus verdadeiros nomes para conquistar as mulheres que amam. É divertido, sarcástico e tem várias críticas à Era Vitoriana. Já O Príncipe Feliz e Outros Contos é uma coleção de histórias infantis, mas com as mesmas características peculiares de Oscar Wilde.

Os Sofrimentos do Jovem Werther

Marco inicial do romantismo e responsável por uma das maiores ondas de suicídio da Europa, Os Sofrimentos do Jovem Werther conta a história de amor entre ele e sua musa Charlotte, que também o ama, mas é prometida a outro homem. O livro é um compilado de cartas, e por meio delas tomamos as dores do protagonista e vemos Werther se apaixonar cada vez mais por Lotte, a ponto de ela se tornar o único sentido da sua vida.

O Coração das Trevas

Escrito em 1902 por Joseph Conrad, esse clássico é narrado por Cahrles Marlow, que trabalhou durante algum tempo em uma companhia de comércio belga como capitão de um barco a vapor no rio Congo, no transporte de marfim. Nisso, ele presencia a maldade colonial perante os africanos e especula sobre o tão bem elogiado Kurtz, tendo a tarefa de entregá-lo à civilização. É um livro bastante crítico, psicológico, cheio de metáforas e inspirou o filme Apocalypse Now, de Coppola. Obrigada Ferds pela indicação!

Morte nas Nuvens

É da Agatha Christie. Preciso dizer mais? Morte nas Nuvens é um ótimo romance policial em que uma agiota francesa é morta durante um voo de avião com o auxílio de uma zarabatana. Investigando os suspeitos, percebe-se que ninguém teve a oportunidade de se aproximar da vítima sem ser visto pelos outros e que aparentemente poucas pessoas daquele voo teriam motivo para desejá-la morta. Quem é o assassino? Cabe a Hercule Poirot e suas brilhantes células cinzentas descobrir.

xxx

E então, como foram de leituras em 2013? Eu li bastante, mas não consegui ler quase nenhum dos livros que havia escolhido. São eles que lerei em 2014!

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Retrospectiva: Setembro


sexta-feira, 4 de outubro de 2013



Eu adoro as postagens que a Amanda e outras blogueiras fazem de retrospectiva mensal, e como parto do princípio (errado) de que vocês também tem os mesmos gostos que eu, resolvi compartilhar como foi o meu mês.

Setembro foi um mês bastante corrido, com passeios em todos os finais de semana e bastante estudo. Finalmente mudei de setor no estágio, então estou bem feliz trabalhando em algo mais interessante e construtivo. Acho que me encontrei. Fora isso, também estou tendo muito mais tempo para me organizar e estudar, ler livros e afins, então tudo está sendo bastante proveitoso.


Li dois livros no início do mês: The Importance of Being Ernest e The Happy Prince and Other Tales. The Importance of Being Ernest é uma peça de Oscar Wilde e o outro livro é uma compilação de contos do mesmo autor. Obviamente não possuem a genialidade do O Retrato de Dorian Gray, mas são textos bem humorados e que em geral passam uma lição, ainda que de forma sarcástica ou irreverente. Ah, também li The Soul of Man Under Socialism. Foi bom para treinar meu inglês.


Guacamole e minha personagem preferida no Injustice, Harley Quinn


Minha amiga fez aniversário em um restaurante mexicano e, como era a primeira vez que eu fui, dei uma de turista e fotografei a decoração. Fora o aniversário dela, também fui em uma formatura, numa festa de quinze anos e no aniversário de outra amiga. A festa de quinze anos estava linda, mas por conta dos meus avançados dezenove anos, me senti meio velha. Por outro lado, minha velhice não me impediu de ir no fliperama jogar Injustice: God Among Us e nem de ir com meus amigos no Woodoo Lounge (o bar do videogame), onde milagrosamente deu para jogar vários jogos e comer antes que a cozinha fechasse.


Amy Winehouse, na festa à fantasia. Já estou pensando na cantora do próximo ano


Além da meia horinha jogando Injustice, também tentei começar Fatal Frame 4 com meu namorado e foi uma vergonha, o jogo estava em japonês e mesmo sendo imune à filmes de terror, eu levava susto. A coisa muda quando você está com o controle. No celular, comecei a jogar Pokemon FireRed e como o meu nick é Danerys (não pode oito caracteres) resolvi fazer um time de "dragões": Charizard (Drogon), Gyarados (Vyserion) e Dragonite (Rhaegal). Também peguei um Aerodactyl chamado Balerion. Eu sei que não são do tipo dragão, mas pelo menos são parecidos. Falando em Pokemon, também saí com meu amigo e ganhei esse lindo Glaceon, que sou eu:





Meus filhotinhos. Comecei a jogar semana passada acho.


Nesse mês eu vi cinco filmes: Batman (1988), Watchmen, Star Trek: Além da Escuridão, Mr. Nobody e O Enviado. Realizei a façanha de dormir durante o Batman (marcado para rever), e O Enviado é bem fraquinho. Star Trek superou minhas expectativas, deve ter sido tão bom para os fãs da série (como meu pai) como os espectadores de primeira viagem como eu. Watchmen é muitíssimo bem feito e tem uma trilha sonora fantástica, estou louca para ler a HQ. Por último, só posso dizer que Mr.Nobody é absurdamente lindo, emocionante e que já escrevi não uma crítica, mas uma recomendação. É um filme que todos deveriam assistir.



Por último, não podia deixar de falar que fui na exposição dos Beatles que está acontecendo...duas vezes. Pretendo fazer um post sobre isso, mas já fica a dica para quem pode ir para Porto Alegre visitar essa linda coleção: a exposição ficará no Shopping Bourbon Wallig até o dia 13 de outubro, não deixem de aproveitar essa oportunidade.


Por hoje é isso, desejo um bom final de semana e um ótimo mês de outubro! ヽ(=^・ω・^=)丿

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Resenha: O Retrato de Dorian Gray


sexta-feira, 29 de junho de 2012





Sinopse - O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.

Via Skoob


Inauguro minhas resenhas literárias com um clássico que figura entre os melhores livros que já li e provavelmente o mais bem escrito de todos. O Retrato de Dorian Gray traz a história instigante de alguém que troca sua alma não apenas pela juventude, mas por uma vida desregrada e de puro hedonismo, tendo a alma como portadora das marcas físicas do tempo e também de todos os pecados.

"O valor de uma idéia nada tem a ver com a sinceridade da pessoa que a expressa. Na realidade, as probabilidades são de que, quanto mais insincero é o homem,mais puramente intelectual a idéia será."

"A consciência e a covardia são, na realidade, a mesma coisa, Basílio. A consciência nada mais é que a firma dessa razão social."

"Ser natural, também, não passa de uma pose."



Essas são apenas algumas frases que o cínico - e diabolicamente encantador - Lord Henry expressa no primeiro capítulo do livro. Eu estava pronta para dizer que essas frases são idéias que você VAI compartilhar com alguém, não por realmente acreditar nelas, mas pelo fascínio que essas palavras exercem. Realmente, por mais imorais que elas pareçam, elas têm um quê de genialidade. Acontece que o livro trata principalmente sobre isso, sobre as influências que certas pessoas ou dizeres podem ter nas nossas vidas, e como podemos nos deixar corromper por algumas delas. Aliás, o livro proporciona uma bela reflexão não só sobre influências e o valor da beleza, mas sobre juventude, prazer, individualismo e os próprios princípios morais. Seus princípios morais. É impossível não contestar sua própria conduta depois de ler esse livro, ainda mais com o Lord Henry tratando a sociedade da época como hipócrita e repugnando (com certa razão) a hipocrisia.



Li em uma resenha que o livro de certa forma nos seduz a por em prática várias teorias do livro, e de certa forma, talvez seja esse o intuito, já que na figura de Lord Henry Oscar Wilde dá voz a idéias que ele realmente acreditava (ou não, afinal muitas vezes Lord Henry aparenta dizer coisas que ele mesmo não crê). Não concordo com isso, pois apesar de apresentar as coisas inicialmente de maneira maravilhosa, elas resultam na degradação da alma, e ao julgar pelo final do livro concluímos que ignorar a consciência é algo que não vale a pena.

O Retrato de Dorian Gray é um dos meus livros preferidos por apresentar tanto uma história interessante quanto personagens fascinantes, combinação cada vez mais rara hoje em dia. Há o risco de o leitor casual se fatigar com o vocabulário e a escrita antiga, mas creio que basta continuar a leitura e Oscar Wilde prenderá sua atenção até a última palavra. Reproduzo abaixo o prefácio do livro, com a esperança de que vocês fiquem tão maravilhados quanto eu fiquei.


"O artista é o criador de coisas belas.

Revelar a arte e encobrir o artista é a razão de ser da arte. O crítico é aquele que é capaz de exprimir de modo distinto e com material diferente a sua impressão das coisas belas.

A forma de crítica mais elevada, como a mais baixa, é um gênero de auto-biografia.

Os que só vêem intenções vis nas coisas belas são depravados destituídos de encanto. É um defeito.

Os que admitem intenções belas nas cosias belas são espíritos cultos. Para estes há esperança. São os eleitos, para quem o belo significa unicamente Beleza.

Não existe livro moral nem imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.

A aversão do século XIX ao Realismo é a fúria de Calibã ao reconhecer sua imagem num espelho.

A antipatia que o século XIX vota ao Romantismo é o despeito de Calibã por não ver seu rosto num espelho.

A vida moral do homem faz parte do objeto do artista. Mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um instrumento imperfeito. Nenhum artista pretende provar o que quer que seja. Todas as coisas verdadeiras pode ser provadas.

Artista algum tem referências éticas. Uma preferência moral em um artista, é imperdoável maneirismo de estilo.

Não há artista doentio. O artista pode exprimir tudo.

O pensamento e a linguagem são para o artista instrumentos de uma arte.

Vício e virtude representam para o artista a matéria-prima e sua arte. Do ponto de vista da forma, o protótipo das artes é o do músico. Do ponto de vista do sentimento, é o talento do ator.

Toda arte é ao mesmo tempo aparência e símbolo.

Os que penetram por baixo dessa aparência, o fazem por sua conta e risco.

Os que decifram o símbolo também o fazem por sua conta e risco. A arte reflete o espectador e não a vida.

A diversidade de opiniões a cerca de uma obra de arte evidencia que essa obra é nova, complexa e vital.

Quando a crítica discorda, o artista está de acordo consigo mesmo.

Podemos perdoar a um homem a criação de uma coisa útil, contanto que ele não a admire. A única justificativa para a criação de uma coisa inútil é que ela seja admirada constantemente.

Toda arte é absolutamente inútil."

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