Quando fui no Show do Paul McCartney em 2010, eu era a pessoa mais animada de Porto Alegre. Foi uma loucura na busca por ingressos, meses de preparativos ouvindo álbuns da carreira solo, toda a cidade estava animada com o primeiro show do Beatle em solo gaúcho. Fiquei horas na fila, fui com minha família e melhores amigos, realizei o sonho de ver meu ídolo. Por já ter vivido toda essa emoção, confesso que não estava tão entusiasmada com o show do Paul McCartney que ocorreu dia 13 de Outubro de 2017 em Porto Alegre, porque achei que não ia superar o anterior. Bobagem. No primeiro acorde eu já estava emocionada.
O Show em Porto Alegre foi o primeiro da turnê One and One no Brasil, contando com músicas marcantes da carreira solo do artista, canções do Wings e muitas, muitas músicas clássicas dos Betles. Foram quase três horas de um show histórico, que reuniu mais de cinquenta mil pessoas no Estádio Beira Rio para assistir um artista que, no auge dos seus setenta e cinco anos, esbanjava carisma e animação, fazendo gracinhas e conversando com o público não apenas em português como também arriscando gírias gaúchas como "bah" e "tri legal". Foram, ao todo, mais de trinta e cinco músicas, mostrando que o legado dos Beatles está vivo e é eterno.
Paul começou com a incrível A Hard Day's Night, que, assim como Love me Do, não era tocada em uma turnê desde a época dos Beatles. O artista incluiu muitas músicas que não foram tocadas no show anterior, como a belíssima Valentine e a estonteando Maybe I'm Amazed (uma das melhores de sua carreira solo) e, quando tocava músicas já conhecidas pelo porto-alegrense, como Let em Roll It e Nineteen Hundred and Eighty-Five, nos atingia pela nostalgia de poder reviver aquelas músicas. Paul propôs uma "volta no tempo" ao tocar In Spite of All Danger e, a partir daí, tocou uma série de músicas clássicas do início da carreira dos Beatles, como You Won't See Me, And I Love Her e Blackbird, momento no qual, com setenta e cinco anos, o artista relembrou da importância de algo que muitos brasileiros debocham e nem sabem o que significa: direitos humanos.
No show o artista fez as suas homenagens à John Lennon e George Harrison com Here Today e Something, respectivamente, reproduziu a estonteante Eleanor Rigby e se aproximou do término do show com uma sequência matadora, com músicas como A Day in the Life (que me arrancou algumas lágrimas, alías), Back in the U.S.S.R e, mais impactante ainda, Let it Be, Live and Let Die e Hey Jude. Live and Let Die, a música criada para o filme do 007, já é conhecida pelo marcante show de pirotecnia e fogos de artifício, e Hey Jude obviamente emocionou por ser o momento em que os fãs cantam juntos o nanana antes do refrão, o que ficou ainda mais bonito pelo número dos balões que lotaram o Beira-Rio. No entanto, o momento mais emocionante da noite certamente foi Let it Be: espontaneamente, cada fã ligou sua lanterna do celular e o estádio se encheu de luzes durante a música, parecendo uma verdadeira constelação. Rolling Stones que me perdoem, mas nenhum artista consegue provocar a mesma emoção que Sir Paul McCartney.
Se não bastasse todos os sucessos tocados, o bis contou com nada menos que Yesterday, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (reprise), Helter Skelter, Birthday (engraçadinha, mas enfim) e a belíssima sequência de Golden Slumbers, Carry that Weight e The End. The End, uma das minhas preferidas, sempre encerra o show da melhor forma possível, nos deixando felizes com o que presenciamos e com a certeza de que para a beatlemania nunca haverá um final.
Alguns shows nos impressionam pela técnica, outros pelo envolvimento do artista e outros nos emocionam pela história e pela experiência que nos proporcionam. O show de Paul McCartney faz tudo isso e muito mais, é sempre uma experiência única, uma noite inenarrável, que faz termos a impressão de estar presenciando parte da história. A verdade é Sir Paul McCartney é o maior artista vivo da atualidade, capaz de reunir várias gerações, idosos, adultos e crianças, todos compartilhando o mesmo sentimento. Me diverti, sorri, chorei, dancei, cantei, gritei e me emocionei, em um show inesquecível que só um verdadeiro beatle pode proporcionar.













sexta-feira, 20 de outubro de 2017