Crítica: A Viagem de Chihiro


sexta-feira, 18 de julho de 2014



Dia 23/07/2003, uma menina de nove anos estava indo ao cinema cheia de expectativas para ver A Viagem de Chihiro. Este filme, tão aclamado pela crítica, se tornou uma grande decepção para aquela criança que adorava anime e esperava, pelo menos, um filme com história. Onze anos depois, a menina resolveu dar mais uma chance a esta obra de Hayao Miyazaki - e é por esse motivo que estou, onze anos depois, escrevendo uma crítica sobre este filme.



A Viagem de Chihiro começa com uma garotinha mimada e chorona que vê sua vida mudar quando, em uma viagem com os pais, estes acabam se alimentando de uma comida especial e virando porcos, fazendo com que Chihiro embarque em um mundo repleto de espíritos e magia. Para manter-se nesse mundo e salvar seus pais, Chihiro, que agora atende pelo nome Sen, começa a trabalhar em um hotel a mando da bruxa Yubaba, servindo a diversas divindades e fazendo novos amigos, como Lin e Haku, o aprendiz de Yubaba. A partir de então, Chihiro atende a um deus na casa de banhos, permite que um Sem-Rosto (de longe, o personagem mais interessante) entre no hotel , conhece monstros estranhos e se vê na obrigação de salvar Haku, em uma jornada de fantasia e auto conhecimento.



Como era de se esperar de uma animação japonesa, A Viagem de Chihiro é um filme bem feito: tem um belo traço, belos cenários e uma delicada trilha sonora. O roteiro, repleto de lacunas e passagens desconexas, apresenta o amadurecimento da protagonista e trata de diversos temas importantes, como ganância, medo do desconhecido e perda de identidade. Também nos ensina a tratar bem os outros para ser bem tratado, tudo através de várias metáforas profundas e personagens complexos, a ponto de não podermos identificar se são bons ou maus, talvez porque nem tudo neste universo é tão concreto.



Infelizmente, mesmo considerando a ótima animação do desenho, os ensinamentos importantes e a história a ser vista com uma mente aberta, obrigando o espectador a pensar...Mantenho minha opinião original. O universo tão lúdico, tão surreal e bagunçado de Chihiro me deixou estonteada de uma maneira negativa, e por mais que eu reconheça as metáforas a superfície mostra uma história nonsense, situações sem sentido e que te prendem apenas para saber "o que mais falta acontecer". Retomando: os pais dela se transformam em porcos, mudam o nome de Chihiro, ela tem que atender uma divindade assustadoramente suja em uma casa de banhos...Tudo isso em um mundo compartilhado por sapos, feiticeiros e bichos estranhos demais para descrever.



Há duas formas de encarar Chihiro: você pode se encantar com aquele mundo surreal, libertar a mente e embarcar naquela viagem com ela...Ou você pode ficar estupefato com uma história de 124 minutos cansativa e sem sentido, que foi o que aconteceu comigo. Eu recomendo o filme para aqueles que realmente gostam de ver filmes diferentes com passagens desconexas, que não se importam de ver algo sem entender o que acontece. A Viagem de Chihiro é aclamado por fugir dos padrões e, no fundo, não discordo que seja uma interessante experiência cinematográfica, mas isso não significa que será capaz de agradar.

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