Jack White em Porto Alegre


quarta-feira, 25 de março de 2015



Já faz algum tempo que considero Jack White um dos melhores músicos da atualidade. Com um nome simples e poderoso, o artista que conquistou o mundo com sua banda vermelha, preta e branca, presenteia Porto Alegre com um show histórico, marcado pelos principais sucessos de sua carreira, mas com inovações que fizeram cada performance única e impactante.


Fotos: Site Oficial do Jack White


O show em Porto Alegre aconteceu no Pepsi on Stage, que sinceramente, não tem a acústica adequada para aguentar a natureza experimental do trabalho de Jack White. Obviamente, a estrutura do local não foi suficiente para impedir que o público de 4.500 pessoas ficasse totalmente imersos na viagem que o cantor fez pelo rock de garagem até o folk, indo do barulho fascinante de White Stripes até as refinadas músicas de seu novo álbum, Lazaretto. Detalhe: imersos de corpo e alma. Pouco antes do início do show, um roadie muito elegante pediu encarecidamente que não utilizássemos nossos celulares e câmeras para fotografar (e consequentemente ver) o show, porque não fazia sentido apreciá-lo em uma tela minúscula, mas sim, vivenciar o momento de corpo e alma.



Quinze minutos depois do previsto, Jack White aparece no palco iniciando com uma ótima performance de Dead Leaves and the Dirty Ground, do terceiro álbum de The White Stripes. Na sequência, duas músicas do aclamado álbum Lazaretto (High Ball Stepper e Lazaretto) para depois voltar ao White Stripes com a clássica Hotel Yorba e tocar mais duas músicas da carreira solo. Seu repertório não seguiu uma ordem ou lógica, o que nos fez aproveitar cada momento e soltar uma exclamação de surpresa quando uma das minhas músicas preferidas (I'm Slowly Turning Into You) foi incluída no show. Outra coisa fantástica foram as inovações que sofreram cada música, com arranjos diferentes e muitas vezes improvisados.



Uma das maiores características do músico é seu ar descompromissado e acho que isso se refletiu muito no show, onde ele tocava o que queria de acordo com a atmosfera. Aliás, descompromissado nada: seu grande compromisso é com sua arte e com o Rock n' Roll. É um tanto difícil explicar como a simplicidade da sua música resulta em solos tão elaborados e uma música tão rica, mas quem esteve presente pode vivenciar todo o profissionalismo envolto naquela desordem programada, sem pausas entre uma música e outra. Falando em pausa, depois do Bis, do qual Jack White volta segurando uma bandeira do Brasil, veio uma das grandes partes do show, em que o público estava mais animado e participou da icônica Seven Nation Army.



Ouvir Hello Operator, Astro, Sugar Never Tasted So Good e Little Bird, de White Stripes, foi tão emocionante quanto ouvir Steady As She Goes, Top Yourself, Broken Boy Soldier ou Love Interruption e Would You Fight for My Love?, uma das melhores músicas do show. Com energia e intensidade, Jack White nos deu um show completo, de um rock antigo, mas que se perpetua nos grandes nomes da música atual.

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