A Torre Negra é um épico que intercala acontecimentos do nosso mundo com uma trama que se passa em um ambiente faroeste-medieval, contando em sete livros a trajetória do pistoleiro Roland de Gilead à Torre Negra. Antes, a série de livros era conhecida como a obra-prima de Stephen King, até que alguém teve a brilhante ideia de condensar uma saga de mais de quatro mil páginas em um filme que, na melhor das avaliações, não passa de medíocre.
As pessoas equivocam-se ao criticar adaptações por não serem integralmente fiéis à mídia original, esquecendo que elas se tratam do que o próprio nome diz: uma adaptação, uma transposição feita para angariar um novo público e apresentar a obra sob uma nova perspectiva. Por outro lado, me parece que Nikolaj Arcel, diretor desse terrível filme, esqueceu que a mínima coisa que se espera de uma adaptação é que ela mantenha a essência da obra original, e conseguiu transformar uma história escrita ao longo de trinta anos em um filme raso, genérico, fraco, superficial. Sequer dá para dizer que é uma adaptação do primeiro livro ou da saga como um todo, até porque boa parte dos acontecimentos foram inventados para o filme. Não há semelhanças. No máximo, podemos dizer que o nome dos personagens são os mesmos, mas só.
A Torre Negra tentou - em vão - compensar a ausência de história com cenários e efeitos especiais, mas estes não são nada impressionantes e a ambientação está muito aquém do apresentado ao livro. É verdade que tem algumas - pouquíssimas - referências aos livros, como a Organização Sombra, o Rei Rubro, parques de diversão no Mundo Médio...Mas quem é o Rei Rubro, mesmo? Nada é explicado naquele roteiro reducionista, que diminuiu a história ao lugar comum de uma luta do bem contra o mal. Ok, as cenas de luta são muito boas, mas convenhamos: o roteiro tal como foi apresentado é fraco, o Mundo Médio foi muito mal adaptado e nem mesmo as personagens tem personalidade. Nem reclamo das personalidades serem diferentes do livro, e sim, da ausência de características, reduzindo o interessante Homem de Preto - interpretado pelo brilhante Matthew McConaughey, mas com uma péssima atuação - a um vilão caricato sem nenhuma nuance, que apenas quer destruir o mundo.
A vontade que tenho é de encontrar um Portal e ir para um mundo onde o filme de A Torre Negra não foi produzido. O filme é um fracasso como adaptação e, analisando como uma obra individual, enfadonho e esquecível. Não há nenhuma surpresa no final, não há carisma nas personagens, não há nenhum fato relevante que faça o telespectador se envolver com a jornada. Aquele que fez o filme de A Torre Negra esqueceu o rosto de seu pai.






















segunda-feira, 11 de setembro de 2017