De repente, todo mundo criou um paradigma anti-Disney, sobretudo quanto às histórias de princesas. Essa visão negativa dos contos de fada é bem fundamentada, afinal, a maioria das princesas é uma jovem indefesa e submissa que passa a vida toda arrumando a casa/cozinhando, é salva por um príncipe e tem um final feliz. Essa é uma lição bonitinha de se ensinar para as menininhas de quatro anos que mal estão formando suas opiniões? Não mesmo. Mas, gente, se é tudo tão horrível assim então eu tenho uma dúvida: eu fui a única pessoa no mundo que sabe de cor todos esses filmes que viu quando criança e mesmo assim não foi cruelmente afetada com o aparente machismo deles?!
Em primeiro lugar, vocês conhecem os contos que inspiraram os filmes da Disney? Pesquisando um pouquinho que seja na Internet (Lendo.Org e Just.Lia), dá para saber que eles são bem mais macabros do que os que costumam contar para gente. Enfim, o que eu quero destacar com isso é que a Disney não inventou que a Cinderela voltaria para casa meia noite ou que a Branca de Neve e a Bela Adormecida estariam quase mortas/dormindo. Talvez seja ingenuidade minha ou uma bem feita lavagem cerebral que recebi, mas eu realmente acredito que o beijo do príncipe encantado foi uma maneira bem mais infantil e elegante de dar um final feliz à essas histórias.
Veja bem, não estou dizendo que é certo passar uma mensagem de passividade e submissão feminina ou que a presença desta nos filmes mais antigos da Disney não influencie. Eu também acho errado que os finais felizes sejam sempre em torno do casamento com príncipe rico e bonito que mal se conhece direito. Estou dizendo que é estranho que todas as pessoas que idolatravam a Disney pela magia que ela poporcionava, por nos transportar a um mundo de princesas, fadas e castelos (qual é o meninO que não sonha visitar um castelo?!), hoje crucificarem a Disney por conta dos erros do passado. Do passado, sim. Para quem não sabe, todos esses contos de fada (Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida) onde esse lado sombrio fica bem aparente, foram lançados no máximo na década de sessenta, ou seja, além de baseados naqueles contos de 1902819038109238019 a.C (número exagerado, por favor), receberam influência de uma época também machista. E as princesas mais novas? Mérida, Tiana, Rapunzel, Jasmine, Mulan, Bela e Pocahontas, não tem disso. Se elas estão inseridas num contexto extremamente patriarcalista, elas contestam, e se elas se arriscam por um homem, é por amor, e não responsabilidade.

Eu sei que há coisas negativas e talvez não seja bom mostrar esses filmes para as crianças (pelo menos se não souber explicar ou elas não souberem discernir), mas há valores muito importantes também, como amizade e bondade. Também "fui" a Pequena Sereia quando tinha quatro aninhos e essa foi uma fase muito boa, não fiquei complexada nem nada. E, se temos coisas negativas e positivas acerca do papel feminino da Disney nos filmes antigos, nossas princesas novas ensinam só coisas boas. Querem criticar o passado obscuro da Disney, façam-no à vontade, mas não desmereçam sua evolução.













segunda-feira, 24 de setembro de 2012