Crítica: A Bela e a Fera


quarta-feira, 19 de abril de 2017



Na onda de reviver clássicos como Mogli e Cinderela, a Disney resolveu adaptar uma de suas mais famosas obras, a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor filme: A Bela e a Fera.

A Bela e a Fera


A Bela e a Fera é uma história já conhecida por todos: um arrogante príncipe, ao recusar estadia para uma feiticeira em virtude da sua aparência, é transformado em fera e vê amaldiçoado todo o castelo. A garota capaz de quebrar a maldição é Bela (Emma Watson), uma jovem que se sente deslocada na sua aldeia porque as pessoas a julgam estranhas por ter o hábito de ler, mas, por ser muito bonita, é constantemente galanteada por Gaston (Luke Evans), um homem rude e narcisista que é visto como o herói do lugar. Quando o pai de Bela (Maurice, interpretado por Kevin Kline) se perde na floresta e busca abrigo no castelo da Fera (Dan Steves), resolve pegar uma rosa para levar à filha, mas a Fera fica irritada com o intruso e o aprisiona. Bela resolve trocar de lugar com o pai e passa a viver como prisioneira da Fera, porém, acaba descobrindo alguém sensível e carinhoso por trás do monstro.



Para viver o papel de uma das mais queridas princesas da Disney, o estúdio aposta na eterna Hermione Granger: Emma Watson, que, além da aparência, tem um perfil muito parecido com a personagem e atua em várias causas feministas. A atuação da atriz não chega a ser memorável - nenhuma é, na verdade -, mas a primeira cena do filme emociona e é fantástico ver a música "Minha Aldeia/Belle" ser interpretada tal qual no desenho. Impossível não se emocionar, também, com a cena do baile de A Bela e a Fera (ao meu ver, a melhor parte do filme), e se deslumbrar com À Vontade/Be Our Guest. Todas as coreografias são bem executadas e o filme nos encanta com as cores e a energia de cada número musical.

Gaston


Quanto às atuações, não há muito que se dizer de Dan Steves (Fera) e mesmo Emma Watson parece se confundir com os efeitos especiais para construção da Fera, mas os maiores destaques do filme são Luke Evans e Josh Gad. Enquanto Luke Evans desempenha com exatidão o Gaston mostrado no desenho, Josh Gad traz novas nuances à Lefou, que deixa de ser apenas um alívio cômico para contestar as atitudes do vilão, pelo qual fica nítido o interesse amoroso - é uma pena que o primeiro personagem gay da Disney seja tão submisso a um homem como Gaston. Entre a mobília, a voz de Ian McKellen (Horloge) é sempre bem vinda e Ewan McGregor consegue dar um sotaque charmoso ao candelabro Lumière.

A Bela e a Fera


Apesar de ser uma fiel adaptação do desenho da Disney, o novo filme traz pequenas inovações na história, utilizando elementos do conto de fadas original (o pai da Bela roubar uma rosa, por exemplo), ambientando-se em uma França mais realista, nos apresentando uma Bela inventora e explicando o que aconteceu com a mãe de Bela. Pode até ser interessante, mas há pouca relevância em saber o passado da Bela e as novidades não são suficientes para justificar os 55 minutos de diferença entre um filme e outro. Mesmo as músicas novas (muito bem executadas, é verdade) não têm a mesma emoção que as canções antigas e a própria história - repleta de móveis falantes e fantasia - é muito mais compatível com uma animação do que com um filme com atores reais. A conclusão é óbvia: o novo filme não supera o desenho.

A Bela e a Fera


A Bela e a Fera pode não superar o desenho e, ao meu ver, ser um remake desnecessário, já que pouco acrescenta a uma história que até os dias de hoje se mantém atual e encantadora. Porém, é incrível ver uma animação tão querida transpassada para nossa realidade, de modo que A Bela e a Fera nos conquista pela nostalgia e pela beleza, nos mostrando que uma história tão antiga quanto o tempo é capaz de encantar diversas gerações.

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Na Defesa da Disney


segunda-feira, 24 de setembro de 2012


De repente, todo mundo criou um paradigma anti-Disney, sobretudo quanto às histórias de princesas. Essa visão negativa dos contos de fada é bem fundamentada, afinal, a maioria das princesas é uma jovem indefesa e submissa que passa a vida toda arrumando a casa/cozinhando, é salva por um príncipe e tem um final feliz. Essa é uma lição bonitinha de se ensinar para as menininhas de quatro anos que mal estão formando suas opiniões? Não mesmo. Mas, gente, se é tudo tão horrível assim então eu tenho uma dúvida: eu fui a única pessoa no mundo que sabe de cor todos esses filmes que viu quando criança e mesmo assim não foi cruelmente afetada com o aparente machismo deles?!


Em primeiro lugar, vocês conhecem os contos que inspiraram os filmes da Disney? Pesquisando um pouquinho que seja na Internet (Lendo.Org e Just.Lia), dá para saber que eles são bem mais macabros do que os que costumam contar para gente. Enfim, o que eu quero destacar com isso é que a Disney não inventou que a Cinderela voltaria para casa meia noite ou que a Branca de Neve e a Bela Adormecida estariam quase mortas/dormindo. Talvez seja ingenuidade minha ou uma bem feita lavagem cerebral que recebi, mas eu realmente acredito que o beijo do príncipe encantado foi uma maneira bem mais infantil e elegante de dar um final feliz à essas histórias.


Veja bem, não estou dizendo que é certo passar uma mensagem de passividade e submissão feminina ou que a presença desta nos filmes mais antigos da Disney não influencie. Eu também acho errado que os finais felizes sejam sempre em torno do casamento com príncipe rico e bonito que mal se conhece direito. Estou dizendo que é estranho que todas as pessoas que idolatravam a Disney pela magia que ela poporcionava, por nos transportar a um mundo de princesas, fadas e castelos (qual é o meninO que não sonha visitar um castelo?!), hoje crucificarem a Disney por conta dos erros do passado. Do passado, sim. Para quem não sabe, todos esses contos de fada (Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida) onde esse lado sombrio fica bem aparente, foram lançados no máximo na década de sessenta, ou seja, além de baseados naqueles contos de 1902819038109238019 a.C (número exagerado, por favor), receberam influência de uma época também machista. E as princesas mais novas? Mérida, Tiana, Rapunzel, Jasmine, Mulan, Bela e Pocahontas, não tem disso. Se elas estão inseridas num contexto extremamente patriarcalista, elas contestam, e se elas se arriscam por um homem, é por amor, e não responsabilidade.


Eu sei que há coisas negativas e talvez não seja bom mostrar esses filmes para as crianças (pelo menos se não souber explicar ou elas não souberem discernir), mas há valores muito importantes também, como amizade e bondade. Também "fui" a Pequena Sereia quando tinha quatro aninhos e essa foi uma fase muito boa, não fiquei complexada nem nada. E, se temos coisas negativas e positivas acerca do papel feminino da Disney nos filmes antigos, nossas princesas novas ensinam só coisas boas. Querem criticar o passado obscuro da Disney, façam-no à vontade, mas não desmereçam sua evolução.

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