Todo leitor já teve curiosidade em ler uma obra da aclamada Jane Austen, ou ao menos já teve a oportunidade de conferir a versão cinematográfica de Mr. Darcy. Sendo assim, depois de muito me exibir com minha amada coleção da Collector’s Library, finalmente li Persuasion (Persuasão), de Jane Austen, para o quinto #BookChallenge deste blog.
O livro conta a história de Anne Elliot e suas relações familiares e sociais na pacata cidade Bath. Ainda jovem, Anne Elliot apaixona-se pelo inteligente e confiante Frederick Wentworth e planeja casar-se com ele, mas o noivado é rompido porque a viúva Lady Russel a convence de que não há vantagens em se casar com um homem pobre e sem conexões importantes. Com 27 anos de idade, quando as irmãs já estão casadas e Walter Elliot alugou parte da propriedade ao Almirante Croff, cunhado de Wentworth, Anne reencontra o ex-noivo e percebe que ainda o ama, mas Wentworth, agora oficial da marinha, está interessado na sua concunhada Louisa Musgrove, fazendo Anne lidar com a convivência e reconhecer seus sentimentos.
Persuasion é um romance curto e simples que retrata a vida social dos habitantes de Bath, com todas as virtudes e futilidades, refletindo também como o elemento “persuasão” movimenta as escolhas da protagonista e a vida em sociedade, nos seus diversos níveis. Também é abordado como tema ‘dinheiro’ e ‘amor’ e, diferentemente dos outros romances de Jane Austen, encontramos um protagonista que ascende não por herança, mas por mérito, na Marinha Real. Na história, Wentwroth e a Marinha Real simbolizam a possibilidade de uma nova vida mais significativa para Anne, até então infeliz em Bath.
Não sei se isso prejudica minha visão ou é apenas um indício de que não foi uma leitura tão prazerosa assim, mas o fato é que não me envolvi completamente com o livro. Quando gosto de uma história, leio quase sem interrupções. Quando estou sem tempo, mas é um livro muito bom e envolvente (caso de Os Miseráveis e Anna Karenina), mantenho a história na minha cabeça, me apego aos personagens e releio os trechos para me lembrar do livro – e tenho prazer com isso. Com Persuasão não tive esse apego, esse envolvimento com a história e seus personagens, lendo mais pela obrigação de terminar do que para saber o que aconteceria a seguir. O peso de ser uma obra de Jane Austen também me fez criar várias expectativas.
Não estou dizendo que o livro é ruim, mas talvez sua narrativa arrastada e o fato de ter lido em inglês tenha dificultado a leitura, até porque na superfície é apenas mais uma história de amor. No entanto, é de se reconhecer a importância de Jane Austen e o significado do livro por ser uma obra póstuma, seu primeiro romance apresentando uma mulher de mais idade (27 anos!) e, pelo menos por algum segundo, sair da burguesia representada. No final, todas as críticas quanto a superficialidade ou papel da mulher e demais personagens são provocadas pelo fiel retrato que Persuasion fez da época, mas acrescentando redenção e amor.
Talvez por não ter lido as outras obras da Jane Austen, não tive uma experiência plena com a leitura de Persuasion. Entretanto, ainda que não tenha me conquistado, reconheço que é um livro bem escrito que certamente me influenciará a ler outras obras da autora, que talvez correspondam as minhas expectativas.













sábado, 20 de setembro de 2014