Depois de duas adaptações livres, mas significativas do livro O Hobbit, de J.R.R Tolkien, somos novamente levados à Terra Média para acompanhar o grande desfecho da trilogia, no esperado filme O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos.
Também conhecido como O Hobbit – A Batalha que não é Descrita no Livro, o filme despende impressionantes dez minutos para tratar da desolação que o dragão Smaug impõe à Cidade do Lago para depois discorrer sobre o destino da Montanha Solitária e todo o ouro que ela abriga, interessando a anões, elfos, humanos e orcs. Entre conflitos e a ameaça de algo muito maior que suas ambições, acompanhamos a inflexibilidade dos elfos ao almejar o que é deles por direito, a esperança dos homens de que os anões honrem o pacto e principalmente, a ganância de Thorin, que não quer abdicar de uma única moeda do tesouro de seus ancestrais.
Objetivando focar um terceiro filme unicamente à grandiosa batalha, tal como na trilogia inicial, obviamente o resultado seria um excelente trabalho nas cenas de combate. Nesse sentido, a despeito de algumas cenas que desafiam a física (protagonizadas por Légolas, também conhecido como O Elfo que Não Está no Livro), somos apresentados a um exército impecável dos elfos e a ataques bem coreografados dos anões fronte ao poderoso ataque dos Orcs, tudo com a conhecida e valorizada trilha sonora e tendo como campo de batalha os belos cenários da Terra Média.
O filme cumpre bem essa proposta na medida em que os combates são energizantes e ainda vemos algumas dificuldades ‘humanas’ relacionadas, no sentido de que é explorado o comportamento dos personagens em relação ao seu objetivo e também ao inimigo em comum que surge, indício dos eventos relacionados a Sauron e o Anel. Infelizmente, os acontecimentos narrados no Silmarilion (que, veja bem, não deviam estar no filme, mas são legais) foram pouco explorados e deram lugar a repetidas cenas em que um personagem sem importância chamado Alfrid (juro que tinha esquecido o nome) tenta mandar nos humanos da Cidade do Lado, apoiar o Bard por interesse, fugir da batalha, etc. Até mesmo as cenas da Não-Existente Tauriel e do anão Kili foram menos enfadonhas e até mesmo bonitas.

O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos não frustra nossas expectativas porque já era óbvio que a única coisa que restava retratar era a batalha (não contada nos livros), visto que não havia necessidade de três filmes para uma adaptação fiel. Mesmo assim, é interessante saciarmos nossa dúvida sobre o que aconteceu na Montanha Solitária e, apesar de não ter tanta história quanto os primeiros e ser o pior filme das obras de Tolkien, é incontestável que trata-se de um filme de qualidade, encerrando uma trilogia estimada e capaz de agradar fãs e não fãs da Terra Média.

















terça-feira, 13 de janeiro de 2015